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Porto Alegre, terça-feira, 11 de julho de 2017. Atualizado às 18h43.

Jornal do Comércio

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Mobilidade

Notícia da edição impressa de 12/07/2017. Alterada em 12/07 às 08h23min

Projeto que limita implantação de ciclovias será votado hoje em Porto Alegre

Suzy Scarton
Um projeto de lei que será votado hoje na Câmara de Vereadores de Porto Alegre preocupa ativistas e usuários de bicicletas da Capital. Isso porque a proposta, de autoria do vereador João Carlos Nedel (PP), propõe alterações ao Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI) ao sugerir que a pista de rolamento e a área de estacionamento das vias não seja diminuída em virtude da instalação de ciclovias.
O projeto foi elaborado pelo vereador em 2014. "Não quis votar para ver como seria o andamento das ciclovias. Pelo que estamos vendo, muitas foram feitas sem planejamento", argumenta Nedel, citando a da rua José do Patrocínio, por exemplo, que reduziu a pista destinada a veículos. Para o vereador, a alternativa é alargar as vias, aos moldes do que vem sendo feito na avenida Goethe. "Ou então, se não puder ser alargada e a calçada adequada, que seja feita na calçada", sugere.
O vereador explica que não é contrário às ciclovias e que tampouco quer acabar com as já existentes, mas que deseja evitar que novas sejam malfeitas. "Trabalhamos pelo bem comum. Temos 1 milhão de veículos circulando diariamente, e mil bicicletas, é um problema seríssimo", explica. Nedel cita, como exemplo, uma ação judicial contra a prefeitura por parte de empresários da rua José de Alencar, que se sentiram lesados e que pedem a retirada da ciclovia, além de uma indenização de R$ 53 mil. "Também tem um restaurante na esquina da Vasco da Gama com a Miguel Tostes que teve redução de 30% nos almoços e 50% à noite. Em um ano, o estabelecimento passou por três proprietários", exemplifica.
Defensor das ciclovias, o vereador Marcelo Sgarbossa (PT) considera o processo de Nedel um retrocesso. "É uma visão reducionista, que só leva em conta o fluxo dos carros. Nedel não considera a importância da bicicleta no combate à obesidade infantil, na melhora no rendimento escolar, na concepção de uma cidade mais humana", contrapôs. Caso a proposta seja aprovada, seriam poucos os locais onde as ciclovias poderiam ser implantadas - apenas em vias com calçadas largas, com cerca de nove metros.
Sgarbossa também lembra que o projeto vai contra o Plano Nacional de Mobilidade Urbana, que incentiva a construção de ciclovias. "Muita gente quer pedalar, mas não se sente segura. Por isso as ciclovias são tão importantes, para que mais pessoas deixem o carro em casa e usem a bike para ir ao trabalho, por exemplo. Dessa forma, toda a cidade sai ganhando, já que cada bicicleta na rua é um carro a menos. É menos poluição no ar, menos congestionamento. Porto Alegre não pode seguir na contramão", conclui.
No entanto, o autor da proposta diz que, de acordo com especialistas em mobilidade, a ciclovia deve ser usada como uma via coletora para o transporte público, e não como meio de transporte em si. "Pega a bicicleta, vai até o terminal de ônibus, e nele, chega até o Centro", ilustra. Nedel citou, também, exemplos de ciclovias que foram projetadas de modo adequado, como a das avenidas Ipiranga, Juscelino Kubitschek de Oliveira e Diário de Notícias.
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