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Porto Alegre, terça-feira, 18 de julho de 2017. Atualizado às 19h04.

Jornal do Comércio

Economia

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Notícia da edição impressa de 18/07/2017. Alterada em 18/07 às 19h08min

Opinião econômica: Digitais do bem

O publicitário Nizan Guanaes é dono do grupo de comunicação ABC

O publicitário Nizan Guanaes é dono do grupo de comunicação ABC


ARQUIVO/JC
Nizan Guanaes
O Museu de Arte Moderna de São Francisco criou uma campanha muito legal para levar sua grande arte ao grande público pela via mais popular de comunicação hoje: o texting (o envio de textos por nossos telefones).
Como toda boa campanha, ela é muito simples. Basta você enviar uma mensagem de texto a um determinado número de telefone do museu com a frase "send me..." (me mande) seguida de uma palavra, uma cor ou um emoji. Os curadores do museu lhe enviam uma obra de seu acervo correspondendo ao seu desejo.
O New York Times noticia que, depois de algumas semanas no ar, a campanha viralizou, com mais de 2 milhões de mensagens enviadas só na semana passada.
Esse uso da conectividade ubíqua de nossos dias para um fim tão nobre (difundir a arte) mostra o verdadeiro potencial desta era da comunicação total. Mas não está dado que ela nos trará uma era de grande desenvolvimento humano.
Eu acredito que, quanto mais comunicação, mais desenvolvimento. Nossa incrível e expansível capacidade de comunicar é um dos principais ativos da humanidade. Mas vemos cada vez mais a comunicação sendo canalizada para difundir sentimentos agressivos, discriminatórios, negativos.
É inegável o interesse humano por histórias negativas - como se diz na imprensa americana: "Bad news, good news". Mas é inegável também o interesse por histórias edificantes e construtivas. Hollywood, afinal, conquistou o mundo com seus indefectíveis "happy endings". E quem não sentia conforto ao ouvir na infância "e viveram felizes para sempre..." ao final das histórias?
Várias histórias no mundo hoje podem não ter final feliz. Até porque as redes sociais, cada vez mais poderosas e influentes, estão sendo tomadas pela promoção do ódio, dos conflitos, das diferenças.
Mas a interação efetiva e surpreendente que um museu de arte sofisticado como o de São Francisco estabeleceu com o público mais amplo é mais uma mostra do potencial imenso de promover o bem digitando mensagens.
O museu não imaginou que fosse distribuir tantas obras de arte e estabelecer uma conexão tão profunda com o público. Arte moderna não é dos temas mais populares nas nossas trocas de mensagem.
Não era.
Com inteligência e, principalmente, emoção, o SFMOMA, em São Francisco, ali pertinho do Vale do Silício, linkou obras de arte escondidas em seu imenso acervo aos sentimentos atuais das pessoas usando a tecnologia mais acessível de todas hoje em dia - o texting.
O museu tem quase 35 mil peças em sua coleção, mas só consegue exibir fisicamente em suas instalações cerca de 5% desse total. Com a campanha, a instituição tirou do armário obras que levariam décadas para serem exibidas a um público reduzido. E as expõe com um gancho ainda mais relevante: a emoção de cada pessoa, que envia sua mensagem pedindo algo que ela realmente deseja ver naquele momento.
A maioria dos pedidos que chegaram ao museu são de sentimentos positivos, segundo seus curadores, como "me mande flores", "me mande amor", "me mande felicidade". "Tristeza" também é um dos hits. Na parte dos emojis, os campeões são o robô, o coração, o arco-íris... e o montinho de cocô.
Não faltam iniciativas do bem como essa proporcionadas pela toda poderosa alavanca digital. Talvez elas só precisem aparecer mais. "Good news, good news."
Publicitário e fundador do Grupo ABC
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