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Porto Alegre, quinta-feira, 29 de junho de 2017. Atualizado às 22h56.

Jornal do Comércio

Opinião

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artigo

Notícia da edição impressa de 30/06/2017. Alterada em 29/06 às 19h48min

Da cena da morte, a esperança da vida

Sofia Cavedon
Estou no espetáculo "Hojas de papel volando", um monólogo denso em espanhol, e inquietos alunos riem e tagarelam de quando em quando, desconfortando parte da plateia, mas não a brava e concentrada atriz cubana. Enquanto pensava como professora, que aquela talvez fosse uma das primeiras aproximações com o teatro, que era preciso compreensão daquelas manifestações, ouvia psius, "vergonha alheia", intolerâncias. No palco, as dores humanas da perda, da solidão, das memórias mexiam, quase que imperceptivelmente, nas próprias dores e memórias. A emoção aflora e o espetáculo se realiza em mim! Alguns momentos de silêncio completo mostram que por instantes os jovens alunos também são capturados pelas cenas. Penso na escola e sua renovada aposta diária no desenvolvimento de cada um, penso na sociedade intolerante, que olha a escola com as lupas da meritocracia, com o senso comum da mensuração quantitativa - tão inocente útil quanto perversa pela naturalização da desigualdade. Penso no debate/embate que fazemos com o prefeito de agora que debocha dos funcionários, desdenha sua capacidade de pensamento inteligente, que acha que paga muito para os professores e os classifica como fracassados no seu fazer!
Penso e me sinto frágil pela morte encenada de tantas formas pela atriz, entretenho-me superando-a: não te preocupa com a morte, te ocupa com a vida... "los caminos de la vida no son como yo queria, no son como yo soñava... tan difícil de andarlos, difícil de caminarlos, yo no encontro una salida..." a trilha sonora empurra as lágrimas para dar saída ao aperto no coração: o que têm esses jovens se não a alegria de rir junto com os companheiros de aventura? De manhã, o depoimento das jovens expulsas da ocupação Lanceiros Negros desnudava o preconceito contra a mulher pobre, a opressão do sistema para o qual um prédio vale mais que vidas, o arrependimento da mãe de ter pegado o que achou que era mais importante e a filha pequena depois ter perguntado pela bicicleta, o filho pelos livros... Obrigada Terreira da Tribo pelo forte festival de Teatro Popular, obrigada professores e professoras, ninguém vai vergar a coluna de quem se ocupa em produzir vida!
Vereadora (PT) de Porto Alegre
 
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