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Porto Alegre, segunda-feira, 12 de junho de 2017. Atualizado às 19h30.

Jornal do Comércio

Economia

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conjuntura

Alterada em 12/06 às 19h33min

'Sinais para o 2º trimestre são negativos', diz pesquisadora do Ibre/FGV

Será muito difícil para o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos da Fundação Getulio Vargas (Codace/FGV) determinar o trimestre em que a economia brasileira saiu de vez da recessão, afirmou nesta segunda-feira (12), a pesquisadora Silvia Matos, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), também da FGV. "Parece que a gente saiu de uma recessão muito severa, deu um soluço e depois parou. Será muito difícil para o Codace datar a saída da recessão", afirmou Silvia, em palestra durante o Seminário de Análise Conjuntural do Ibre/FGV, no Rio.
Após os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, o Ibre/FGV revisou sua projeção de crescimento para a economia neste ano para 0,2%. A projeção anterior estimava alta de 0,4% no PIB este ano. Após a alta de 1,0% no PIB do primeiro trimestre, na comparação com o quarto trimestre de 2016, a estimativa é que, no segundo trimestres, a economia volte a se retrair, em 0,4% ante o trimestre anterior. "Todos os sinais para o segundo trimestre são negativos", afirmou Silvia. Para 2018, o Ibre/FGV estima alta de 1,8% no PIB.
Para Samuel Pessôa, também pesquisador do Ibre/FGV, o Brasil não pode repetir erros de política econômica, insistir em "puxadinhos" para impulsionar o crescimento, e usar apenas o "combustível monetário" da queda dos juros básicos para lidar com a crise.
"Não vamos repetir os erros do passado. Não vamos forçar puxadinhos de nova matriz econômica", afirmou Pessôa, em palestra durante o seminário.
Para o pesquisador, os dados mostram que a economia está fraca, mas como o juro real está muito elevado, há espaço para estímulos monetários. Nesse sentido, segundo Pessôa, houve erro na política econômica em 2008 e 2009, quando o excesso de medidas contracíclicas impediu um corte maior nos juros.
Na visão de Pessôa, o único lado positivo da economia atual é que "os livros texto de economia funcionaram", ou seja, com a atividade fraca, a inflação arrefeceu. "Isso é uma novidade, porque antes tínhamos uma economia muito fraca e uma inflação resiliente", disse o pesquisador.
Após a revelação das delações premiadas de executivos da JBS, que envolvem o presidente Michel Temer, o Banco Central deve encurtar o atual ciclo de corte da taxa básica Selic (hoje em 10,25% ao ano) e o chamado juro neutro da economia tende a ficar alto. A análise é de José Júlio Senna, pesquisador do Ibre/FGV e ex-diretor do BC.
"O juro neutro subiu", destacou Senna, em palestra durante o seminário. "Diante da incerteza, o BC deve ir devagar", completou o pesquisador.
Para Senna, o BC agiu corretamente ao mudar o tom da comunicação sobre a política monetária após o aprofundamento da crise política, em vez de mudar o ritmo de cortes da Selic. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC fez mais um corte de 1 ponto porcentual na taxa básica, mesmo tamanho dos cortes mais recentes.
Embora o arrefecimento da inflação corrente chame atenção, Senna ressaltou que não está claro se o impacto de curto prazo do "choque político" trará mais ou menos inflação. Por isso, o BC deveria manter a trajetória de queda na Selic até aproximar a taxa de juros real da taxa de juros neutra. Com a reforma da Previdência ameaçando piorar o cenário da política fiscal, o fim do ciclo de corte será num patamar mais elevado e o juro neutro tende a subir nesse quadro.
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