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Porto Alegre, segunda-feira, 12 de junho de 2017. Atualizado às 22h43.

Jornal do Comércio

Economia

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Contas Públicas

Notícia da edição impressa de 13/06/2017. Alterada em 12/06 às 21h15min

IFI prevê déficit primário de R$ 144,1 bilhões no ano

Projeção significa que meta fixada para 2017 deixará de ser cumprida

Projeção significa que meta fixada para 2017 deixará de ser cumprida


/JOÃO MATTOS/ARQUIVO/JC
O Instituto Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal espera um resultado primário negativo em R$ 144,1 bilhões do governo central neste ano, o equivalente a 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB). A projeção significa descumprimento em relação à meta fixada para este ano, de déficit de R$ 139 bilhões em 2017. "A receita está tendo desempenho muito negativo por conta da atividade econômica. Há risco muito grande à meta, pois receitas extraordinárias também podem ter frustração", disse o diretor executivo da instituição, Felipe Salto.
Segundo o economista, a entidade ainda considera a possibilidade de o governo cumprir a meta este ano, mas já está "começando a fazer ressalvas" diante da possibilidade de frustração de receitas. Só nos primeiros quatro meses, houve frustração de R$ 19,4 bilhões, segundo o IFI.
No ano que vem, a projeção do IFI é ainda pior, com déficit de R$ 167 bilhões, ante meta negativa em R$ 129 bilhões para o Governo Central, que inclui Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central (BC). "A meta que o governo anunciou já nasceu morta. É muito otimista", disse Salto. Segundo o economista Gabriel Leal de Barros, diretor da IFI, em 2018, o déficit esperado é maior porque não haverá o mesmo volume de receitas extraordinárias que está previsto neste ano.
Segundo Salto, apesar do avanço significativo do PIB, de 1% no primeiro trimestre de 2017 ante o último trimestre do ano passado, a recuperação ainda é muito incerta, e isso tem impacto sobre a arrecadação do governo.
Salto alertou que a "qualquer erro que se cometa", o cenário pessimista pode se tornar a base das projeções. Isso pressuporia queda no Produto Interno Bruto (PIB) este ano, impactando receitas que hoje já são cercadas por incertezas. A projeção de crescimento do PIB é de 0,46%, segundo a IFI, mas "com viés de baixa". A instituição ainda contabiliza, por exemplo, arrecadações com concessões e venda de ativos, como a oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) da Caixa Seguridade, que está suspensa segundo o próprio presidente da Caixa, Gilberto Occhi.
Por outro lado, a IFI inclui receitas de R$ 10 bilhões com as novas edições de Refis (parcelamento de débitos tributários e não tributários) criadas pelo governo do presidente Michel Temer, enquanto a equipe econômica contabiliza arrecadação de R$ 18,9 bilhões no total. Segundo Salto, a IFI está sendo conservadora ao não retirar as projeções de receitas com vendas de ativos e ao incluir valores menores para a arrecadação com o Refis diante do cenário de incerteza. O diretor executivo da instituição afirmou que é preciso avaliar o cenário mês a mês antes de traçar novas estimativas.

Sinais para o segundo trimestre são negativos, afirma Ibre/FGV

Será muito difícil para o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos da Fundação Getulio Vargas (Codace/FGV) determinar o trimestre em que a economia brasileira saiu de vez da recessão, afirmou nesta segunda-feira a pesquisadora Silvia Matos, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), também da FGV. "Parece que a gente saiu de uma recessão muito severa, deu um soluço e depois parou. Será muito difícil para o Codace datar a saída da recessão", afirmou Silvia, em palestra durante o Seminário de Análise Conjuntural do Ibre/FGV, no Rio de Janeiro.
Após os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, o Ibre/FGV revisou sua projeção de crescimento para a economia neste ano para 0,2%. A projeção anterior estimava alta de 0,4% no PIB este ano. Após a alta de 1,0% no PIB do primeiro trimestre, na comparação com o quarto trimestre de 2016, a estimativa é que, no segundo trimestres, a economia volte a se retrair, em 0,4% ante o trimestre anterior. "Todos os sinais para o segundo trimestre são negativos", afirmou Silvia. Para 2018, o Ibre/FGV estima alta de 1,8% no PIB.
Para Samuel Pessôa, também pesquisador do Ibre/FGV, o Brasil não pode repetir erros de política econômica, insistir em "puxadinhos" para impulsionar o crescimento, e usar apenas o "combustível monetário" da queda dos juros básicos para lidar com a crise. "Não vamos repetir os erros do passado. Não vamos forçar puxadinhos de nova matriz econômica", afirmou Pessôa, em palestra durante o seminário.
Para o pesquisador, os dados mostram que a economia está fraca, mas como o juro real está muito elevado, há espaço para estímulos monetários. Nesse sentido, segundo Pessôa, houve erro na política econômica em 2008 e 2009, quando o excesso de medidas contracíclicas impediu um corte maior nos juros.
Na visão de Pessôa, o único lado positivo da economia atual é que "os livros texto de economia funcionaram", ou seja, com a atividade fraca, a inflação arrefeceu. "Isso é uma novidade, porque antes tínhamos uma economia muito fraca e uma inflação resiliente", disse o pesquisador.
Após a revelação das delações premiadas de executivos da JBS, que envolvem o presidente Michel Temer, o Banco Central (BC) deve encurtar o atual ciclo de corte da taxa básica Selic (hoje em 10,25% ao ano) e o chamado juro neutro da economia tende a ficar alto. A análise é de José Júlio Senna, pesquisador do Ibre/FGV e ex-diretor do BC. Para Senna, o BC agiu corretamente ao mudar o tom da comunicação sobre a política monetária após o aprofundamento da crise política.

Previsão do mercado para o PIB cai para 0,41%

Em meio à crise política, os economistas do mercado financeiro alteraram, para pior, suas projeções para a atividade em 2017 e 2018. Pelo Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, a mediana para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano passou de 0,50% para 0,41%. Há um mês, a perspectiva era de avanço de 0,50%. Para 2018, o mercado também mudou a previsão de alta do PIB, de 2,40% para 2,30%. Quatro semanas atrás, a expectativa estava em 2,50%.
No início do mês, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o País cresceu 1,0% no primeiro trimestre de 2017, ante o quarto trimestre de 2016. Por outro lado, recuou 0,4% ante o primeiro trimestre do ano passado.
Em seus comunicados mais recentes, o Banco Central tem defendido que os indicadores permanecem compatíveis com a estabilização da economia no curto prazo. Porém a instituição alerta que as incertezas com o andamento das reformas econômicas podem ter impacto negativo sobre a atividade. É a crise política o principal motivo para as reformas serem colocadas em dúvida.
No relatório Focus desta segunda, as projeções para a produção industrial para este ano também pioraram. O avanço projetado para 2017 foi de 1,09% para 0,94%. Há um mês, estava em 1,25%. No caso de 2018, a estimativa de crescimento da produção industrial permaneceu em 2,50%, mesmo percentual de quatro semanas antes.
Os analistas do Banco Central revisaram para baixo, em 0,19 ponto percentual, a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2017, de 3,90% para 3,71% - a segunda semana seguida de queda da expectativa - e a de 2018, de 4,40% para 4,37%.
No Focus, a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2017 permaneceu em 51,50%. Há um mês, estava no mesmo patamar. Para 2018, as expectativas seguiram em 55,20%, ante 55,00% de um mês atrás.
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Meirelles reforça comprometimento com retomada do crescimento


O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, comentou nesta segunda-feira, via Twitter, a teleconferência com investidores internacionais que teve durante a manhã. Meirelles disse ter exposto os avanços atuais e as medidas já tomadas pelo governo, que permitiram o fim da recessão e a queda da inflação e dos juros. Além disso, afirmou estar comprometido com medidas para garantir o investimento e disse que a previsão do governo é de aumento do emprego durante o ano e manutenção dos gastos sociais.
"Mostramos que medidas adotadas no último ano garantiram o fim da recessão, queda da inflação e juros - o que preserva a renda dos brasileiros. Agora é hora de garantir as condições para o investimento, que trará emprego e oportunidades para todos. É com isso que estou comprometido. Previsões econômicas são de aumento do emprego durante o ano, retomada dos investimentos e manutenção dos gastos sociais do governo", disse na rede social.
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