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Porto Alegre, segunda-feira, 05 de junho de 2017. Atualizado às 22h37.

Jornal do Comércio

Economia

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Missão ao Japão

Notícia da edição impressa de 06/06/2017. Alterada em 05/06 às 22h17min

Estudo de megausina será concluído neste mês

Governador Sartori visitou ontem usina de carvão japonesa que serviria de modelo para projeto gaúcho

Governador Sartori visitou ontem usina de carvão japonesa que serviria de modelo para projeto gaúcho


LUIZ CHAVES/PALÁCIO PIRATINI/JC
Guilherme Kolling, de Ibaraki (Japão)
A Tokyo Eletric Power Company (Tepco) vai concluir, até o final deste mês, o projeto para a megausina a carvão do Baixo Jacuí, com potência de 1.000 MW a ser instalada em Charqueadas. A informação foi confirmada ontem pelos integrantes da comitiva do governo gaúcho ao Japão, após visita à Usina de Hitachinaka, da Tepco, na localidade de Ibaraki, a 130 quilômetros de Tóquio.
A tecnologia Ultra Super Crítica, utilizada em Hitachinaka e que seria modelo para o projeto no Estado, causou ótima impressão aos representantes do governo do Estado, Assembleia Legislativa e Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). Durante as duas horas na térmica japonesa, que produz 2.000 MW, não havia cheiro ruim, fumaça na chaminé ou fuligem. Pelo contrário, a paisagem chegava a ser agradável, pois fica em um porto no Oceano Pacífico e era um dia ensolarado de primavera. O único incômodo era a poluição sonora, mas o barulho vinha das obras de ampliação da usina, que vai produzir, em breve, mais 650 MW. Ao invés de material particulado, enxofre e CO2, o tratamento gera subprodutos, como gesso, cimento e cinzas utilizadas em aterros.
O governador José Ivo Sartori demonstrou entusiasmo e ressaltou que o Rio Grande do Sul está aberto a receber investimentos. "Tivemos uma bela reunião com o pessoal da Tepco e da tecnologia das usinas. Foram muito receptivos, e há uma expectativa de que isso se resolva", apontou, em relação à política do governo federal para o carvão.
Os japoneses têm interesse em exportar a tecnologia da IHI Corporation. Depois da visita à usina, na parte da tarde, houve duas reuniões, a portas fechadas, com executivos da Tepco, IHI, Nedo (estatal de pesquisa japonesa) e PricewatherhouseCoopers (PwC), que sediou o último encontro, no 15º andar de um arranha-céu com vista para o parque onde está o Palácio Imperial. A PwC pode auxiliar na modelagem do projeto da megausina para o Estado.
O próximo passo, considerado decisivo, será convencer o governo federal a colocar o carvão novamente no Plano Decenal de Energia (PDE), de forma que possa participar de leilões de energia nos próximos anos. Os japoneses e o governo gaúcho contam com o ano de 2020.
Apesar da instabilidade política - o Tribunal Superior Eleitoral começa, nesta terça-feira, o julgamento que pode cassar o presidente Michel Temer -, há grande expectativa com a visita do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, para que seja sinalizada a volta do carvão, exatamente pelo avanço da tecnologia Ultra Super Crítica, que polui menos o ambiente e tem maior produtividade na geração de energia.
O outro desafio é financiar os US$ 2 bilhões. Os japoneses têm interesse em exportar a tecnologia Ultra Super Crítica - a planta de Charqueadas seria a primeira a utilizá-la em toda América Latina. Além dos estudos e do know how, podem entrar também com os recursos. Como o Bndes não irá mais financiar o carvão, a ideia é buscar recursos no exterior, e o Japão seria um potencial investidor com seus bancos de cooperação e fomento. Entretanto, como o dinheiro será financiado em dólar, uma das medidas para minimizar os riscos do investimento seria dolarizar, pelo menos, parte dos contratos.
"O Bndes afirma que não tem nenhum financiamento aberto para o carvão. Então a gente trabalha com recursos vindos do exterior. É uma discussão que temos que abrir agora: para o País atrair recursos, tem que fazer o caminho que outros países estão trilhando, como Chile e México, que é a dolarização desses contratos. Se nós não fizermos isso, não atrairemos recursos estrangeiros", observou o secretário estadual de Minas e Energia, Artur Lemos.
O diretor de novos negócios da Copelmi, Roberto Faria, que se uniu à comitiva gaúcha no Japão, tem interesse na Usina do Baixo Jacuí como fornecedora do carvão. Parceiro do projeto da Tepco, ele acompanha de perto as negociações e avalia que é possível ter investimentos 100% estrangeiros no financiamento de US$ 2 bilhões para a megausina, desde que haja segurança de que novos leilões de energia a carvão virão, além da vinculação dos contratos ao dólar.
Outra informação importante na área, divulgada ontem, foi a intenção do governo do Estado de enviar, em julho, o projeto de lei do Polo Carboquímico no Rio Grande do Sul, que alavancará a produção de gás e fertilizantes a partir do carvão. O texto é pré-requisito para o investimento de mais de US$ 1,5 bilhão sair do papel. Copelmi e a sul-coreana Posco já estão trabalhando para tirar do papel a gaseificação do carvão gaúcho, também na região do Baixo Jacuí.

Reserva e atenção ao cerimonial

No primeiro dia de agenda da missão do governo gaúcho ao Japão, duas características dos japoneses ficaram bem evidentes: a reserva e a atenção ao cerimonial. Em todos os compromissos - boa parte deles fechada à imprensa -, os executivos de empresas japonesas optaram por não participar de entrevistas. Quando provocados a falar, pediam para se pronunciar depois, mas era apenas uma forma de não dar uma negativa diretamente. O cerimonial foi respeitado em todo o roteiro, com preocupação para cumprir rigorosamente os horários. Nas apresentações, era indispensável trocar cartões de visita. Cada integrante da comitiva gaúcha levou 300 cartões em inglês. A orientação é dar atenção ao momento solene para os japoneses: além da reverência com a cabeça, deve-se pegar o cartão com as duas mãos, observá-lo e, após a leitura, cumprimentar o interlocutor.
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