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Porto Alegre, segunda-feira, 05 de junho de 2017. Atualizado às 11h12.

Jornal do Comércio

Economia

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Missão ao Japão

04/06/2017 - 13h38min. Alterada em 05/06 às 11h15min

Sartori chega a Tóquio em busca da última chance do carvão gaúcho

Sartori desembarca com a comitiva oficial do governo em busca de soluções para a matriz energética

Sartori desembarca com a comitiva oficial do governo em busca de soluções para a matriz energética


Luiz Chaves/Palácio Piratini/Divulgação/JC
Guilherme Kolling, de Tóquio
Quase 40 horas após fazer o check-in no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, a missão gaúcha ao Japão desembarcou em Tóquio no final da tarde deste domingo (horário local). Hoje, às 6h30min, começa a agenda oficial do governo do Estado em solo nipônico. E a primeira jornada está sendo chamada de "Dia do Carvão".
Isso porque haverá quatro compromissos voltados a viabilizar uma megausina de 1.000 MW em Charqueadas, cuja energia - se tudo der certo - deve ser contratada em leilão entre 2020 e 2021. O fator decisivo para essa empreitada é a chamada tecnologia Ultra Super Crítica, que minimiza emissões atmosféricas poluentes e maximiza a energia gerada a partir da queima do carvão.
Não por acaso, a série de compromissos do grupo liderado pelo governador José Ivo Sartori terá início pela visita à Usina de Hitachinaka, localizada em Tokai-mura. Trata-se de uma planta a cerca de duas horas de Tóquio de carro, na costa, junto a um porto marítimo, onde são produzidos 2 mil MW com essa nova tecnologia - o dobro do pretendido na empreitada gaúcha. A usina é da Tokyo Eletric Power Company (Tepco), uma das empresas a serem visitadas nesta segunda-feira.
Também está prevista uma agenda, no início da tarde, na IHI Corporation, companhia responsável pela tecnologia Ultra Super Crítica. A Nedo, empresa de tecnologia do governo japonês, que fez investimentos em pesquisas na área, é outro ponto do roteiro. O dia fecha com um jantar com dirigentes da Toyota Motors.
O projeto da Usina Termelétrica do Baixo Jacuí - a planta de 1.000 MW prevista para Charqueadas - é o maior investimento em pauta nesta missão ao Japão. São US$ 2 bilhões previstos na empreitada.
A localização é justificada pela qualidade do carvão. De acordo com o secretário estadual de Minas e Energia, Artur Lemos - um dos integrantes da comitiva -, foram feitos testes no Japão com o carvão gaúcho. As conversas começaram em 2015.
O combustível fóssil da região do Baixo Jacuí foi aprovado para o uso da tecnologia. Entretanto o carvão da região de Candiota testado pela Tepco foi diagnosticado como inadequado pela quantidade de cinzas e enxofre - precisaria passar por um beneficiamento para poder emitir menos gases e ter um bom rendimento energético, o que inviabilizaria a empreitada.
Depois de dois anos de diálogo, o governo deve oficializar, nesta visita, o interesse pela tecnologia japonesa e apresentar o projeto da Usina do Baixo Jacuí às empresas de energia e a instituições financeiras japonesas, como o Banco de Tóquio Mitsubishi - também há tratativas com o Banco Japonês para a Cooperação Internacional (JBIC). Essa pode ser a última chance de o carvão gaúcho ser aproveitado em usina térmica tradicional.
O governo federal tem cortado incentivos ao carvão - o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) deixou de financiar projetos com esse combustível fóssil. Não há previsão de novos leilões, e as atuais usinas gaúchas a carvão estão sendo fechadas. Em 28 de fevereiro, foi desligada a Fase B do complexo termelétrico de Candiota, da Cgtee. A Fase A deve ser interrompida em 31 de dezembro deste ano. Recentemente, foram retiradas do sistema outras duas usinas a carvão gaúchas: Charqueadas e São Jerônimo.
Assim, restará a operação da Fase C da usina de Candiota, da Cgtee. Outro investimento já aprovado é a usina Pampa Sul, no mesmo município, com operação prevista para 2019. Mas as outras empreitadas para a geração de energia com a queima do carvão, como uma segunda fase da Pampa Sul e o projeto Ouro Negro, ainda dependem de leilões, sem previsão.
O movimento internacional pela redução das emissões atmosféricas para combater o aquecimento global vai na mesma linha, buscando incentivar o uso de energias renováveis, em detrimento dos combustíveis fósseis. Só uma melhora ambiental significativa pode dar uma sobrevida ao carvão no Rio Grande do Sul.
O governo espera que os japoneses financiem, pelo menos, parte da iniciativa. "Esse aporte financeiro (japonês) seria importante", ressalta Lemos. Pode haver um casamento de interesses, pois a Tepco quer demonstrar o grau de eficiência ambiental, social e econômica de sua tecnologia. Se a usina sair do papel, seria a primeira planta desse tipo na América Latina.

'Ficamos impressionados no primeiro contato', diz Sartori

Em uma breve coletiva de imprensa antes de embarcar na sexta-feira (2) no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, rumo ao Japão, o governador José Ivo Sartori (PMDB) demonstrou entusiasmo com a tecnologia Ultra Super Crítica. "Ficamos impressionados quando fizemos os primeiros contatos técnicos", resumiu o governador.
Sartori lembrou que a tecnologia foi desenvolvida após o desastre na usina nuclear de Fukushima em 2011, que levou os japoneses a buscarem outras fontes de energia e investirem em alternativas. "Viveram um drama com energia nuclear, buscaram alternativas e se apropriaram de tecnologias importantes. Conheci a tecnologia alemã, mas parece que, sob o ponto de vista ambiental, eles (japoneses) avançaram bastante."
Agora, o governador terá de convencer o governo federal de que o Brasil pode fazer uso do carvão com esse avanço tecnológico. Já está prevista uma agenda do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, no Rio Grande do Sul em junho, após a missão gaúcha ao Japão. Um dos desafios é incluir o carvão no Plano Decenal de Energia, o que viabilizaria um possível leilão com a participação da Usina Termelétrica do Baixo Jacuí em 2020 ou 2021.
O secretário estadual de Minas e Energia, Artur Lemos, observa que a tecnologia Ultra Super Crítica já foi inclusive apresentada ao presidente Michel Temer quando ele esteve em visita ao Japão.
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