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Porto Alegre, terça-feira, 06 de junho de 2017. Atualizado às 22h28.

Jornal do Comércio

JC Contabilidade

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Fala Profissional

Notícia da edição impressa de 07/06/2017. Alterada em 06/06 às 18h57min

Há um visão crítica sobre o ensino contábil brasileiro?

Laudelino Jochem

Laudelino Jochem


CRCPR/DIVULGAÇÃO/JC
Laudelino Jochem,vice-presidente do Conselho Regional de Contabilidade Paraná (CRCPR), responde.
No artigo "Os desafios da educação", comentei sobre a reforma do Ensino Médio no País e pergunto se os demais graus do sistema escolar brasileiro não precisariam também ser reestruturados para atender ao grande objetivo da educação de incluir todos os brasileiros.
O primeiro grau e o superior sofrem das mesmas deficiências do Ensino Médio, problemas sistêmicos, má qualidade. Não vou analisá-los aqui, mas me concentrar na área com a qual convivo, como profissional, professor e pesquisador, fazendo reflexões que podem servir aos demais segmentos.
Uma das mais antigas atividades da humanidade, a contabilidade vem sobrevivendo à prova de fogo do tempo, revelando-se essencial, ao longo da história. Conquistou o status de ciência e mantém-se atual. Mas, como todas as ciências, precisa ser adaptada à época, lugar, cultura e outras circunstâncias. Esse papel compete ao sistema educacional.
O maior desafio do ensino contábil brasileiro é assimilar que muitas funções e serviços, antes realizados manualmente ou mecanicamente, hoje são executados eletronicamente, instantaneamente; e ainda que não existem mais fronteiras para o conhecimento, até porque o modelo contábil internacional (IFRS, na sigla em inglês) é aplicado na grande maioria dos países.
Como o próprio nome sugere, as Ciências Contábeis, cujo curso foi criado em 1945, se afastando dos antigos cursos comerciais e técnicos, foram inspiradas em um modelo para dotar a profissão das ferramentas da moderna ciência, harmonizando teoria e prática; mas, como a atividade carrega séculos de práticas estáticas, fiscais, burocráticas, inspiradas em Max Weber, repetitivas, esse modelo de formação vem demorando a fazer a passagem para a nova realidade, dinâmica, digital, virtual, em que, com programas realizando operações de rotina, o profissional pode se dedicar a pensar e analisar os fenômenos que envolvem o patrimônio, as riquezas, tendo por base as demonstrações contábeis.
Para cumprir seu papel, os cursos de Ciências Contábeis, que proliferaram no país, nas últimas décadas, têm que sepultar de vez posturas arcaicas do guarda-livros sobreviventes no profissional que pensa que fazer contabilidade é deixar programas e aplicativos executando o serviço, podendo ir pescar.
É papel do ensino a construção de visão sistêmica, analítica e crítica, para lidar com normas e características qualitativas da informação contábil, em níveis complexos, elaborar relatórios bem feitos, quanto ao conteúdo e a forma, claros, entendíveis por todos os usuários da contabilidade: empresários, investidores, gestores públicos e a sociedade. Aqui são visíveis as carências e as exigências em relação às peças contábeis só têm aumentado.
Algumas lacunas do curso são compensadas pela educação continuada, que supera o conceito de diploma e terminalidade, promovendo atualização permanente. No Brasil, vem sendo exercida com extrema competência pelas entidades contábeis, por meio de congressos, convenções, encontros, fóruns, seminários, cursos e palestras.
Outras deficiências são corrigidas pelo exame de suficiência, aplicado a candidatos a exercer a profissão, e por rigorosos programas de educação continuada específicos para auditores, peritos e contadores de grandes empresas.
Pontualmente, nosso ensino contábil poderia melhorar sensivelmente com o aumento da carga horária do curso para cinco anos, o incremento de treinamento didático-pedagógico dos professores, a utilização de técnicas de ensino que põem o aluno no centro do processo de aprendizagem e o incentivo à pesquisa de qualidade.
 
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