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Porto Alegre, domingo, 11 de junho de 2017. Atualizado às 19h24.

Jornal do Comércio

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RESPONSABILIDADE SOCIAL

Notícia da edição impressa de 12/06/2017. Alterada em 11/06 às 19h26min

ONG Sol Maior realiza oficinas de dança, música e canto coral no Theatro São Pedro

MARCO QUINTANA/JC
Samuel Lima
O luxo do Multipalco do Theatro São Pedro, em Porto Alegre, contrasta com a simplicidade alegre de crianças e adolescentes que ocupam, regularmente, algumas salas do complexo cultural. Eles fazem parte da Organização Não Governamental (ONG) Sol Maior, que sedia oficinas de dança, música e canto coral no local. O projeto completará 10 anos de atuação em 2017 e atende, hoje, a 415 jovens em situação de vulnerabilidade social da capital gaúcha.
A Sol Maior surgiu como projeto-piloto na Fundação Pão dos Pobres, também em Porto Alegre. A Escola de Música Usina de Talentos, como era chamada, atendia, no início, 50 alunos da instituição. "A ideia foi criar um projeto social que investisse em valores como respeito à família, trabalho em grupo, cidadania, e se manter longe da drogadição", afirma o engenheiro e saxofonista Cesar Franarin, 68 anos, diretor e fundador da ONG ao lado da atual presidente, Maria Teresa Campos.
Para isso, a equipe aposta no "poder transformador da música" - são oferecidas aulas gratuitas de violão, cavaquinho, bandolim, teclado, flauta, percussão e bateria, além de canto coral e dança. Os jovens atendidos têm de sete a 15 anos e fazem as aulas no contraturno escolar. Quando entram, escolhem a modalidade que desejam, podendo entrar em mais uma turma no semestre seguinte. São abertas, em média, 20 vagas por ano - e hoje há fila de espera para o projeto, que ganhou visibilidade e patrocínios de grandes empresas ao longo de sua trajetória. A seleção não é feita por aptidão musical, mas pela situação social em que os jovens se encontram e a partir de entrevistas.
A partir de uma parceria com a Associação dos Amigos do Theatro São Pedro, firmada em 2012, a ONG migrou as aulas para as salas do Centro Cultural Refap, no Multipalco. Hoje, 130 crianças e adolescentes aprendem a dançar e tocar instrumentos por lá, de segundas a quintas-feiras. Eles ainda podem participar de aulas de reforço de matemática e inglês às sextas, mesmo dia em que alunos avançados ensaiam para apresentações curtas. Os outros 285 participantes do projeto são atendidos em oficinas na sede da Associação das Creches Beneficentes do Estado (Acbergs), no bairro Humaitá.
Já em um espaço mais afastado e maior que os demais, um grupo de 12 alunos seguia as instruções de Esthevam Quadros, 19 anos, para não errar o passo da coreografia de Despacito, hit do momento - e eles não demonstraram qualquer constrangimento com os estranhos que acompanhavam a aula. O jovem monitor é, aliás, um exemplo de como o projeto pode transformar a vida de quem passa pelas oficinas.
Quadros conta que entrou no projeto em 2013, por sugestão de um amigo. Naquela época, envolvia-se frequentemente em brigas na escola e também em casa. Ele morava de aluguel com a mãe e a irmã na Restinga, cresceu sem o pai, teve problemas com o padrasto e chegou a passar dias na rua depois de uma forte discussão. "É difícil dizer, mas, se não fosse por isso aqui, acho que estaria em outro mundo", acredita.
As primeiras aulas foram de percussão e cavaquinho. Aos poucos, foi gostando do ambiente, das novas companhias. Mas foi depois de assistir a uma apresentação de dança do grupo que diz ter mudado de vida para sempre: era aquilo que queria seguir. Entrou para a turma, pediu à professora que lhe ensinasse a criar coreografias e começou a inventar as suas. Hoje, ele comanda as aulas do grupo, enquanto a professora está em licença-maternidade - e o apoio financeiro que recebe pelo trabalho de monitor também ajuda no sustento da família, que agora inclui um sobrinho. "Aqui, a gente aprende a ser uma boa pessoa, um cidadão, aprende a ser honesto. É um paraíso dentro da cidade." Quadros concluiu o Ensino Médio e sonha agora em entrar em uma faculdade de dança.
De acordo com o coordenador pedagógico da Sol Maior, Daniel Portilho, o maior esforço do projeto é empoderar as famílias na transformação do jovem. Ele conta que a equipe, que inclui 18 pessoas, promove um choque de realidade nas comunidades, falando sobre problemas comuns, como gravidez precoce e uso de drogas, por exemplo. "Perguntamos se é aquilo que querem", afirma Portilho, 32 anos. "E mostramos que cada um é protagonista da sua história de vida." É assim que a família entra de vez no projeto. Recentemente, a ONG lançou a hashtag #FamíliaSolMaior nas redes sociais. Ela ainda promove passeios, regularmente, junto a pais e alunos.
O coordenador pedagógico ainda ressalta a frequência de 85% dos jovens nas aulas, que considera uma prova de como as oficinas são importantes para eles. Outros indicadores de que a Sol Maior se orgulha são o percentual de alunos que obtiveram aprovação escolar no último ano (92%), o número de jovens que permanecem no projeto até a idade permitida (90%) e o tempo médio deles no projeto (dois a três anos). A ONG atendeu 1,2 mil crianças e adolescentes até hoje. Deve ganhar ainda mais visibilidade em 2018, quando receberá importante apoio financeiro do Criança Esperança para desenvolver atividades de percussão e coral.
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