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Porto Alegre, terça-feira, 09 de maio de 2017. Atualizado às 22h32.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 10/05/2017. Alterada em 09/05 às 20h13min

Brasileiros com a máxima atenção para Curitiba

O esperado, discutido, adiado, mas agora confirmado depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba, será realizado hoje, despertando muita atenção. Após apelos jurídicos, será nesta quarta-feira mesmo, embora possa ocorrer, segundo alguns, reviravolta processual, tão comuns no Brasil.
A Operação Lava Jato tem, inegavelmente, o apoio da maioria da população. Mesmo que tenha ocorrido o pedido de Sérgio Moro para que os apoiadores da Lava Jato não se desloquem à capital paranaense, os simpatizantes petistas lá estarão. Medidas de segurança foram tomadas, sem permissão para aglomerações e acampamentos no entorno da Justiça Federal de Curitiba.
As manifestações promovidas pelo Partido dos Trabalhadores em reuniões para simpatizantes têm sido notícia na mídia nacional e mesmo do exterior. Vociferando contra a Justiça, a imprensa e os procuradores que o acusam, Lula da Silva não ajuda, segundo os observadores da cena político-jurídica, na defesa daquilo que ele julga serem inverdades, divulgadas por meio das delações premiadas. Mas, conforme tem sido explicado à exaustão, são procedimentos dos juízos e que dizem respeito ao devido processo legal, mesmo que incomode a muitos.
Mudar o rito conforme o desejo deste ou daquele acusado não seria adequado à democracia e, aí sim, causaria desconfiança na opinião pública. Moro deve guiar-se pelo estrito cumprimento das leis, incluindo-se aí os integrantes do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Caso contrário, causará espécie e questionamentos de advogados sobre o cumprimento da lei.
A população sente-se saturada com tantas e sistemáticas acusações, com o entra e sai da cadeia, com insinuações de favorecimento de uma das partes e envolvendo até mesmo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Por isso, a transparência legal e a divulgação sistemática dos fatos devem ser as normas dos que estão tocando a Lava Jato que tem, como já foi dito, o apoio dos brasileiros em geral. O encaminhamento de processos contra o ex-mandatário da nação tem gerado tantas controvérsias que fica difícil, senão impossível, ao cidadão comum, preocupado com sua faina laboral diária e familiar, acompanhar o dia-a-dia para saber exatamente o que está acontecendo.
A chamada "musa inspiradora" da Lava Jato, a Operação Mãos Limpas, na Itália, está completando 25 anos em 2017. A investigação descobriu uma rede de cobrança de propinas no país europeu, levou pelo menos 3 mil pessoas à cadeia e investigou cerca de 500 parlamentares, empresários e seis primeiros-ministros. Mas especialistas italianos no combate e prevenção à corrupção alertam que a Itália não ficou menos corrupta depois da operação e lançam um alerta para o Brasil: sozinha, a Operação Lava Jato não vai curar os males dol País.
A Operação Mãos Limpas começou em fevereiro de 1992 quando um funcionário público de pouca projeção chamado Mário Chiesa foi preso após receber dinheiro de uma empresa que mantinha contratos com o governo italiano. O que parecia um pequeno caso de corrupção logo se transformou no maior escândalo político da Itália, por meio de propinas em contratos públicos que beneficiavam os partidos políticos.
A operação durou quatro anos e mudou o cenário político então dominado pelo Partido Socialista Italiano (PSI), de centro-esquerda, e pela Democracia Cristã (DC), de direita. Após a Mãos Limpas, os dois partidos perderam o monopólio da política e foram extintos.
 
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