Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, terça-feira, 09 de maio de 2017. Atualizado às 22h32.

Jornal do Comércio

Opinião

CORRIGIR

artigo

Notícia da edição impressa de 10/05/2017. Alterada em 09/05 às 20h15min

Greve geral e protesto democrático

Candido Mendes
O perfil da greve geral do dia 28 é o do amadurecimento democrático do País, nos limites em que o protesto não atenta à estabilidade efetiva do regime. A manifestação foi às ruas na força do seu grito, e não do disparo da violência, que, por força, ocorreu, em vandalismo circunstancial, na derrubada de vitrines, e no saque de mesas e cadeiras de botequins. Mas o confronto acautelou-se a partir da repressão policial, mantendo distâncias cuidadosas, no uso de seus escudos, sem exibição das suas armas.
A greve não chegou à mensagem final, ficando no recado de grupos e subgrupos, em nítidas diferenças de reivindicações. No que tange à simbologia do protesto e à produção do distúrbio, cifrou-se ao incêndio de ônibus, localizados em pontos cardiais do confronto. Deparamos, sim, uma nova ritualística e um palco para a configuração de um protesto que sabe até onde quer chegar.
O movimento ganhou, de fato, extensão nacional, e não saiu da disciplina da mobilização, a exibir a nítida coordenação dos sindicatos, no seu comando. Ao mesmo tempo, restringiu-se a sua propagação, não atingindo a cidadania das ruas, como em prévias demonstrações de descontentamento coletivo. Avançamos na possível chegada a uma rotina de protesto, consciente das limitações partidárias e da contenção midiática no quadro da estabilidade do sistema. E este, viu a nação, acolheu o gesto do 28 de abril. Não foram outros os termos da concordância de Michel Temer (PMDB). Só há a reconhecer, com a entrada em cena do protesto autolimitado, o aperfeiçoamento da nossa sociedade democrática.
Membro da Academia Brasileira de Letras
 
CORRIGIR
Seja o primeiro a comentar esta notícia