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Porto Alegre, quinta-feira, 04 de maio de 2017. Atualizado às 22h42.

Jornal do Comércio

Internacional

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Eleições

Notícia da edição impressa de 05/05/2017. Alterada em 04/05 às 20h55min

Domingo decisivo para os franceses

Le Pen e Macron trocaram acusações no debate do segundo turno

Le Pen e Macron trocaram acusações no debate do segundo turno


STRINGER /STRINGER/AFP/JC
O único debate antes do segundo turno das eleições presidenciais na França, na noite de quarta-feira, foi exatamente o que se esperava: os eleitores assistiram a uma disputa verbal acalorada entre a candidata de extrema-direita Marine Le Pen e o centrista Emmanuel Macron. A votação de domingo é amplamente vista como a mais importante do país em décadas.
O eleitorado francês terá que escolher entre um ex-banqueiro pró-União Europeia (UE), que pretende cortar regulamentações estatais na economia sem desamparar os trabalhadores, e uma conservadora que quer descartar o euro e impor grandes limites à imigração. Macron terminou o primeiro turno, em 23 de abril, apenas três pontos à frente de Le Pen, mas a expectativa é que ele fique com a maioria dos votos dos socialistas e da centro-direita, cujos candidatos foram eliminados na primeira votação.
Pesquisas de opinião mostram o candidato do movimento Em Frente! com uma vantagem de cerca de 20 pontos sobre a representante da Frente Nacional. A mais recente antes do debate, feita pelo instituto Cevipof e publicada no site do jornal Le Monde, mostrava Macron com 59% dos votos, e Le Pen com os restantes 41%. Em um levantamento do instituto Ifop-Fiducial divulgado posteriormente ao encontro dos dois, o centrista aparece com 61% das intenções de voto, contra 39% da rival.
Para reduzir essa distância, Le Pen começou o debate atacando o opositor. Mal abriu a boca, chamou o rival de "candidato da globalização selvagem" e da "uberização generalizada", aproveitando para frisar a ligação de Macron com o impopular presidente socialista François Hollande, de quem ele foi ministro da Economia.
A conservadora o acusou de defender, com seu liberalismo econômico, uma "guerra de todos contra todos" e de fazer o jogo de interesses da Alemanha. "A França será governada por uma mulher: eu ou Angela Merkel", ironizou, em referência à chanceler alemã.
Le Pen também disse que o adversário é complacente com o fundamentalismo islâmico - a plataforma da Frente Nacional, fundada por Jean-Marie Le Pen, pai de Marine, é centrada na aversão ao islamismo. "Diante da expansão do fundamentalismo islâmico em nosso território, temos de expulsar os pregadores do ódio. A Uoif (União das Organizações Islâmicas da França) é uma associação islamita que expressa seu ódio em relação aos judeus, aos homossexuais", argumentou.
O debate chegou então ao tema do terrorismo e da prevenção de ataques como o que deixou 130 mortos em Paris em novembro de 2015. "Vou liderar um embate contra o terrorismo islâmico em todos os níveis. Mas o que eles querem, a armadilha que estão armando, é aquela que você oferece: a guerra civil", rebateu Macron.
Nos 150 minutos de debate, o centrista conseguiu pressionar Le Pen sobre o euro, a moeda comum da UE que a candidata quer abandonar. Ele cobrou que a conservadora dissesse explicitamente que quer restituir o franco como moeda, fazendo Le Pen se confundir e dar respostas ambíguas.
Macron também acusou a adversária de mentir ao falar de seu passado político e subiu o tom, no fim do debate, chamando-a de "parasita" do sistema político. A candidata rebateu apenas com um "que classe".
Apesar da ampla vantagem do candidato moderado nas pesquisas, abstenções, nulos e brancos devem definir a diferença entre os rivais. O Partido Socialista, que ficou em terceiro lugar na votação, tem feito campanha para Macron, alertando para os riscos da estratégia dos eleitores "Ni-Ni" (que não votam nem em um, nem em outro).
 
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