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Porto Alegre, terça-feira, 02 de maio de 2017. Atualizado às 22h45.

Jornal do Comércio

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Saúde

Notícia da edição impressa de 03/05/2017. Alterada em 02/05 às 21h31min

Cresce procura por cuidado mental em Porto Alegre

Reingresso de 86% dos pacientes do primeiro trimestre preocupa Pacheco

Reingresso de 86% dos pacientes do primeiro trimestre preocupa Pacheco


MARCELO G. RIBEIRO/MARCELO G. RIBEIRO/JC
Isabella Sander
O mês oficial de combate ao suicídio é setembro, mas o assunto tem pautado diversas discussões nas últimas semanas. O gatilho para os debates foi o sucesso da série "13 Reasons Why", produzida pela empresa de vídeos por streaming Netflix, e a proliferação de casos de adolescentes participando do jogo Baleia Azul.
O seriado aborda a questão do suicídio. O jogo, por sua vez, é enviado em grupos de jovens com 40 desafios, que culminam no suicídio. Com o tema em alta, o serviço de saúde mental em Porto Alegre recebeu 300% mais procura em abril do que nos três primeiros meses do ano.
O serviço de referência em saúde mental funciona no Pronto-Atendimento Cruzeiro do Sul (Pacs) e recebe tanto pessoas com problemas relativos à depressão como pacientes com dependência química. A equipe é formada por psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais e enfermeiros.
Dados apresentados em reunião da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara de Vereadores ontem revelam que, entre janeiro e março deste ano, 137 crianças e adolescentes foram atendidos no local, uma média de 32,3 por mês. Em abril, o número disparou para 97, segundo o psiquiatra Carlos Augusto Pacheco, que atende no Pacs. Do total, 37 casos eram relativos a depressão e autoagressão. Desses, três tinham relação com o Baleia Azul, um com outro jogo on-line, um com um desafio sugerido por uma amiga e um ligado ao seriado. "Mas e os outros 31? Precisamos identificar as motivações. Não podemos resumir o problema a um jogo e a um seriado", critica.
Conforme os dados do primeiro trimestre de 2017, 92% dos casos que chegam ao Pacs envolvem adultos, e 8%, crianças e adolescentes. Da faixa etária de zero a 17 anos, a busca por atendimento foi maior a partir dos 13 anos, com pico aos 14 e 15 anos e, depois, aos 17. Cerca de dois terços (63,4%) dos pacientes eram meninos, e um terço (36,6%), meninas.
Durante esses três meses, dos 137 atendidos, 118 (86%) precisaram acessar o serviço mais uma vez, 10 reingressaram duas vezes e quatro passaram por reingresso quatro vezes. "Isso nos preocupa muito, porque significa que o primeiro atendimento não foi feito de forma adequada", avalia Pacheco. O motivo da alta em 56 casos foi transferência para outro local para internação.
Grande parte das internações se dá através de compra de leitos na rede privada por parte do município, que possui apenas 450 vagas no Sistema Único de Saúde (SUS). As principais parceiras são a Clínica Gramado, o Hospital Psiquiátrico São Pedro e o Hospital Nossa Senhora da Conceição.
A prefeitura de Porto Alegre pretende melhorar a porta de entrada para casos de saúde mental, organizando uma ala de urgência e emergência no Hospital Materno-Infantil Presidente Vargas.
Outra meta é reduzir o tempo de espera para consultas especializadas de 52 dias para 30 dias e, em casos urgentes, menos de 30 dias, especialmente nos Centros de Atendimento Psicossociais Infantis (Capsi) dos bairros Humaitá, Navegantes e Ilhas.
Conforme a diretora do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), psiquiatra Roberta Rossi Grudtner, 9 em cada 10 óbitos por suicídio poderiam ser evitados através da prevenção. "São necessárias medidas efetivas, para que o adolescente que esteja pensando em suicídio tenha atendimento naquele exato momento, sem esperar, como acontece quando alguém está enfartando. A preocupação deveria ser a mesma", aponta.

25% dos adolescentes gaúchos terão algum transtorno

A taxa global é de 16 suicídios para cada 100 mil habitantes, o que corresponde a uma morte a cada 40 segundos, conforme levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS). Apesar de ainda ter índices considerados baixos, a incidência do suicídio aumentou 29,5% em 26 anos no Brasil. O Rio Grande do Sul tem o dobro em relação à média - no País, são cinco mortes para cada 100 mil habitantes; no Estado, são de 9,5 a 10 mortes para cada 100 mil habitantes.
Berenice Rheinheimer, psiquiatra e membro do Comitê de Prevenção do Suicídio da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS), alerta para a necessidade de traçar um perfil de crianças e adolescentes que passam por depressão e tentativas de suicídio. "Os dados que temos são de adultos, e o perfil das crianças e adolescentes é muito diferente", destaca. Na dissertação de mestrado de Berenice, a psiquiatra identificou, por exemplo, que o pico de tentativas entre crianças é no segundo semestre, enquanto entre adultos é no verão. Entre as crianças, as tentativas são menos recorrentes em épocas como Dia da Criança e Natal. Entre os adultos, as tentativas ocorrem, em sua maioria, em feriados.
De acordo com Roberta Grudtner, psiquiatra do Simers, dos cerca de 2 milhões de adolescentes gaúchos, 25% terão algum problema de saúde mental durante um ano. Desses, 6%, ou 30 mil, terão um problema grave, como depressão, tentativa de suicídio e dependência química. "Precisaríamos de 35 leitos para cada 100 mil habitantes. Hoje, não temos nem quatro leitos para cada 100 mil habitantes", ressalta.
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