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Porto Alegre, quinta-feira, 01 de junho de 2017. Atualizado às 00h48.

Jornal do Comércio

Economia

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Notícia da edição impressa de 01/06/2017. Alterada em 31/05 às 21h17min

Brasil só ganha em ranking de competitividade da Mongólia e da Venezuela

Pelo sétimo ano seguido, o Brasil perdeu posições no ranking mundial de competitividade e, agora, só está à frente de Mongólia e Venezuela na lista de 63 países analisados pelo IMD (International Institute for Management Development) em parceria com a Fundação Dom Cabral.
O País aparece no 61º lugar. No ano passado, ocupava a 57ª colocação. Em seu melhor ano, 2010, o Brasil chegou a ficar na 38ª posição - em sete anos, perdeu 23 posições.
A queda se traduziu em piora de indicadores de desempenho econômico, infraestrutura e eficiência do governo, mas também na percepção menos favorável que os investidores têm do País, afirma Carlos Arruda, professor da Fundação Dom Cabral, responsável pela captação e avaliação dos dados brasileiros para o estudo.
Para ele, foi uma surpresa o País ter caído tanto entre 2016 e 2017, principalmente porque o estudo não capturou as recentes turbulências políticas que colocaram em xeque a aprovação da reforma da Previdência e das mudanças na legislação trabalhista, consideradas essenciais para equilibrar as contas do governo.
"Havia uma expectativa de que as reformas estruturais seriam aprovadas, então a opinião dos investidores deveria ter sido melhor, o que não aconteceu", ressalta.
O País, porém, não corre risco imediato de ocupar as duas últimas colocações, segundo Arruda. Isso porque Mongólia e Venezuela estão muito abaixo do Brasil em competitividade.
O Brasil tem ficado para trás nos quesitos que poderiam garantir posições melhores no ranking. "Vimos uma certa lógica do relatório, pois outros países têm oferecido condições para que as empresas operem, gerem renda para as famílias e melhorias para a sociedade."
Segundo Arruda, o Brasil não conseguiu, nos últimos anos, simplificar seu marco regulatório, que continua burocrático, "com barreiras para as empresas e cheio de regras tributárias complexas". "O marco institucional é o que o Brasil tem historicamente de pior, não tinha como piorar e cair muito mais", indica.
Quando analisados os subfatores de competitividade brasileira, o resultado mostra que houve melhora em eficiência empresarial. "Mas esse ganho foi devido à queda de Peru e Colômbia, que perderam posições nesses indicadores", ressalta Arruda.
O desemprego recorde fez o País perder 23 posições no fator desempenho da economia. Em infraestrutura, o Brasil não soube aproveitar os eventos que sediou nos últimos anos, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. "Houve um movimento do governo de fazer concessões de aeroportos, rodovias, mas, por causa das recentes turbulências políticas, as concessões devem cair muito", diz.
Apesar do retrato pior da competitividade, o Brasil continua atraente para os investidores estrangeiros, seja por tamanho, localização, seja porque vende uma imagem melhor que a que os brasileiros têm do País.
 
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