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Porto Alegre, domingo, 28 de maio de 2017. Atualizado às 22h45.

Jornal do Comércio

Economia

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Negócios

Notícia da edição impressa de 29/05/2017. Alterada em 28/05 às 22h29min

Baixa temporada é desafio para empresas

Público do Itapema Park passa de 8 mil pessoas por dia no verão para menos de 300 nos finais de semana no resto do ano

Público do Itapema Park passa de 8 mil pessoas por dia no verão para menos de 300 nos finais de semana no resto do ano


FREDY VIEIRA/JC
Samuel Lima
O parque temático Itapema Park, localizado às margens da RS-118, no trecho entre Gravataí e Alvorada, recebe até 8 mil pessoas em um dia quente entre novembro e fevereiro. Nessa época, o local abre todos os dias, gerando lucros interessantes nas bilheterias. Mas o ex-publicitário Rolfe Boganski, 72 anos, vê os números com cautela: com a experiência de quem administra o negócio há duas décadas, ele sabe que o lugar não receberá mais de 300 pessoas em um fim de semana normal no resto do ano, fazendo o caixa minguar.
A chegada das baixas temperaturas no Estado, após meses de calor, tem efeitos críticos em empreendimentos como os parques aquáticos. São os chamados negócios sazonais, aqueles que enfrentam grandes flutuações de demandas do consumidor, geralmente ao longo de um ano. A principal origem é mesmo o clima, mas também influenciam fatores como datas comemorativas, eventos periódicos e até mesmo crises.
Para sobreviver nos meses de baixa, o Itapema Park faz reserva financeira no verão e enxuga a estrutura no inverno. A equipe é reduzida de 60 funcionários, em sua maioria terceirizados, para, no máximo, sete em baixa temporada, responsáveis por funções básicas administrativas, manutenção e reforma. O lugar só abre aos fins de semana e feriados - e só porque está localizado próximo à Região Metropolitana e trabalha como clube, oferecendo aos associados churrasqueiras e certas atividades temáticas, como passeio de pedalinho, a cavalo, de charrete. "Abrimos para satisfazer os associados. A maioria dos parques aquáticos nem abre nesta época", conta Boganski. Outra alternativa é apostar em eventos como o do último fim de semana - três shows infantis no anfiteatro do local, que teve venda de ingressos em uma rede de lojas de música da região. "É um mercado difícil, pela sazonalidade, mas acredito que o parque temático também é um nicho, chama gente e ajuda a manter no inverno", opina.
Da mesma forma, o restaurante de comida japonesa Sashiburi, com três unidades em Porto Alegre, enfrenta todos os anos uma queda de 20% no faturamento quando a temperatura na Capital começa a cair. Cristiano Horn, diretor de marketing e um dos sócios da empresa, acredita que o sushi tem mais apelo no verão, por ser uma comida fria, perdendo espaço para massas e pizzas no inverno.
Uma das soluções encontradas pela empresa foi diversificar a oferta nesta época do ano. O cardápio on-line inclui, hoje, por exemplo, três yakisobas como pratos quentes. Preparam agora o lançamento de pokes, prato típico da culinária havaiana, à base de salmão, de olho em novos clientes. Esperam incremento de 15% a 20% nas vendas.
Outra aposta foi chamar o público com eventos gastronômicos, em que sommeliers e mestres cervejeiros harmonizam os pratos do restaurante com vinhos e cervejas. Mas a maior delas certamente tem sido a tele-entrega e o e-commerce - o que fica evidente na gravação que qualquer cliente ouve ao ligar para a unidade no bairro Moinhos de Vento, que sugere o pedido pelo site.
Horn conta que não é somente o perfil de comida que causa a baixa no número de clientes, mas também o próprio frio. "As pessoas saem menos de casa", observa o empresário, que também atribui o menor movimento nas lojas físicas à insegurança e à economia (a tele-entrega seria uma forma do cliente diminuir os gastos). Essa forma de consumo representa hoje 25% do faturamento anual da empresa, resultado de ações de marketing direcionadas, adaptação de cardápio e inovação na embalagem, segundo ele.
Para a loja de fantasias Glow, que opera há 20 anos na capital gaúcha, pouco importa o clima. A diferença entre a loja estar cheia e vazia depende muito mais da proximidade com datas festivas, como Carnaval, Halloween, Réveillon. "A melhor época é o segundo semestre, que tem datas mais fortes. Fora isso, tentamos fazer parcerias com casas de festa", afirma um dos proprietários, André Janicsek, 46 anos.
O empresário conta que até apostou em promoções para atrair clientes em época de baixa, mas ficou desiludido com o retorno. "Não tem muita estratégia hoje, preparamos a loja para a próxima data. Agora, vamos atrás de produtos para festa junina, depois para o Halloween, e assim por diante." Janicsek diz que é obrigado a vender bem nesses períodos para sustentar o negócio. "Nosso caixa é o produto, estamos sentados em cima do caixa."

Empresa de treinamento em veleiros investe em parcerias

Número de clientes da Prime Sail costuma cair 85% nos meses frios

Número de clientes da Prime Sail costuma cair 85% nos meses frios


PRIME SAIL/PRIME SAIL/DIVULGAÇÃO/JC
É a rede de relacionamentos que faz a Prime Sail, empresa de treinamentos de grupos em veleiros, navegar sem sustos durante o inverno, quando o número de clientes apresenta queda de até 85% em relação à alta temporada. Roberto Machado, 26 anos, que administra o negócio ao lado do sócio Cássio Lutz, conta que a saída para evitar meses de prejuízo é ter o menor custo fixo possível, trabalhando sob demanda.
A ideia da empresa é juntar a experiência de velejar com o desenvolvimento de equipes e lideranças. Em grupos de sete pessoas, eles entram em veleiro, recebem uma lista de instruções e precisam trabalhar como um time para navegar em segurança pelas águas do Guaíba. "É análogo ao dia a dia nas empresas", garante Machado.
Somente os barcos usados para as atividades custam em torno de R$ 500 mil cada, custo que eles não estavam dispostos a cobrir. Resolveram então alugar os mesmos com frequentadores do clube Veleiros do Sul, sede da empresa em Porto Alegre, conforme a necessidade e por um valor previamente combinado em contrato. "Temos 12 veleiros disponíveis, que são semiociosos, então nunca falta", afirma Machado. Por conta disso, a Prime Sail tem custo baixo nos períodos de frio, em que as águas do Guaíba não parecem lá muito convidativas para a prática do esporte e os grupos fogem - foram apenas quatro entre junho e julho do ano passado.
O empresário também cita a preocupação em poupar no verão para ter "gordura" no inverno - reserva esta que está em um fundo de renda fixa e já é suficiente para cobrir totalmente de três a cinco meses de custos da empresa. "Temos segurança em não passar perrengue em dias de baixa", diz. A Prime Sail começou em 2012, em Porto Alegre, e opera hoje também nas capitais de Rio de Janeiro e São Paulo.

Restaurante opera só no inverno

O restaurante Rei do Mocotó, em Porto Alegre, é inaugurado todo mês de março. O negócio decidiu investir apenas nas épocas de temperatura mais baixa no Estado, quando há maior procura pela iguaria, tradicional na culinária gaúcha. Quando novembro chega, porém, portas fechadas. "O pessoal associa ao frio, já sabe como funciona", diz o proprietário, Sérgio Bassotti.
O negócio começou em 1996, com a ideia de tele-entrega e mocotó para levar para casa, e logo incluiu o espaço que funciona no inverno desde então. Bassotti até resolveu, ao longo do tempo, diversificar o cardápio, incluindo pratos como dobradinha, feijoada, lentilha e sopa de capeletti, mas nunca arriscou outro voltado ao verão. "Até pensamos em alguma coisa, mas não gostaria, até para não descaracterizar", conta ele. Boa parte das vendas acontece a moradores da região que trazem panelas de casa. Outra fonte de renda está nas redes de supermercados, com a venda do produto congelado - essa flui o ano inteiro.

Foco para enfrentar sazonalidade dos negócios é o planejamento, dizem especialistas

Não existe uma receita infalível para lidar com a sazonalidade dos negócios, mas é consenso entre especialistas que o planejamento é o primeiro passo para qualquer empresa se manter viável nesse cenário. Para a gerente regional da Endeavor no Estado, Milena Dalacorte, o empresário deve saber em detalhes quando o consumo aumenta e cai, diferenciando por produtos, de forma a prever as oscilações de mercado e definir promoções, sugestões de compra e investimentos mais adequados ao momento. "A análise deve ser a mais abrangente possível, com datas precisas para alocar recursos, ter um plano 'b' em períodos de baixa e se preparar bem para quando faltar condições", diz.
Além disso, tão importante quanto a preparação para períodos de baixa seria garantir que não falte matéria-prima - e, consequentemente, produto - na sazonalidade positiva, assim como treinamento adequado de equipe para o atendimento de maior fluxo de clientes, orienta Milena.
Roger Klafke, técnico da gerência setorial de indústria, comércio e serviços do Sebrae-RS, acredita que uma saída é diversificar a oferta quando o clima não ajuda, mas alerta para que os empresários busquem alternativas que não descaracterizem a empresa. "Não pode agir no desespero, tem de ser algo que tenha a ver com o negócio, ou acaba caindo no problema de falta de posicionamento de marca. O cliente não vai saber no que o negócio é bom", sugere Klafke.
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