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Porto Alegre, terça-feira, 02 de maio de 2017. Atualizado às 08h39.

Jornal do Comércio

Economia

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Empreendedorismo

Notícia da edição impressa de 02/05/2017. Alterada em 02/05 às 08h41min

Food trucks passam por teste de sobrevivência

Carvalho se desfez de veículo e diversificou oferta com lanche texano

Carvalho se desfez de veículo e diversificou oferta com lanche texano


MARIANA CARLESSO/MARIANA CARLESSO/JC
Samuel Lima
O casal Aline Nogueira e Marcelo Costa dos Santos era dono de um bar e café, em Capão da Canoa, no início de 2016. Com a debandada geral dos gaúchos da praia no inverno, o movimento diminuiu, e ficou difícil manter o ânimo com o negócio. Resolveram então investir R$ 30 mil em um food truck, o Jack Muller Comida de Rua, para vender hambúrgueres em Porto Alegre e no Litoral. "O investimento foi pago, mas resolvemos colocar à venda", conta Aline, 43 anos. A procura foi menor do que eles imaginavam e, agora, estão de volta a um ponto fixo, o Jornalista's Bar, dessa vez na Capital.
A história ilustra bem o cenário atual dos food trucks em Porto Alegre. O modelo de negócio importado dos Estados Unidos, onde empresários do setor de alimentação há anos deixam restaurantes para ir atrás do público nas ruas, com comida de qualidade e sem custos de aluguel, passa por um teste de fogo com o menor movimento em eventos e vendas na cidade. "Acabou a febre", sentencia o presidente da Associação Porto-alegrense de Food Trucks (Apoaft), Orlando Carvalho.
Há cerca de quatro anos, Carvalho foi convidado por um amigo para oferecer pizzas - ele vendia o produto congelado na época - em um campeonato de skate old school em Viamão. O problema é que o lugar não tinha estrutura para elaborar as pizzas na hora, e o jeito foi improvisar, fazendo hambúrgueres em um tonel. "Foi um sucesso, tive que ir três vezes no mercado comprar mais carne para atender todo mundo", diz. Foi essa experiência que o convenceu de vez a trabalhar sem estar preso a um local fixo e esperar que o cliente apareça, inaugurando o food truck Espírito Radical no verão de 2015, ao lado de um sócio. O hambúrguer era o carro-chefe da empresa.
As filas "de uma hora e meia" para comprar o produto empolgaram o empresário, um dos primeiros a abrir food truck em Porto Alegre, e o fizeram comprar outro veículo, para atender mais de um evento ao mesmo tempo. Só que nessa época outras pessoas também ficaram encantadas pelo negócio e resolveram apostar na ideia, saturando o mercado, que ainda teve o consumidor impactado pela crise econômica.
Enquanto antes a Espírito Radical vendia 400 hambúrgueres por dia, agora não passa de 200 em um bom evento e 50 em um ruim, o que obrigou Carvalho a se desfazer de um truck. Há um ano e meio o empresário diversificou a oferta com o churrasco texano, lançando o nome de Texas Fumaçaria ao lado dos adesivos da Espírito Radical no veículo.
A Apoaft calcula que 80 food trucks operam hoje em Porto Alegre e região. Já a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Porto Alegre informa que 37 negócios do tipo deram entrada em pedidos de alvarás em dezembro do ano passado.
A história dos food trucks no Brasil se assemelha a de outros produtos, como paletas mexicanas, clubes de assinatura e temakerias. Para o coordenador acadêmico de MBA em Empreendedorismo da FGV, Marcus Quintella, esse modelo de negócio está se adaptando à nova realidade, que provavelmente estará restrita a eventos. "Tudo que cresce de maneira astronômica deve ser analisado como modismo. Ou você é um dos primeiros a lançar, ou deve se preparar para ganhar dinheiro rápido e ao declínio do negócio", afirma. Já a coordenadora do Centro de Desenvolvimento de Empreendedorismo da ESPM-SP, Letícia Menegon, acredita que lanchonetes parecidas com trailers que operam há décadas em cidades do interior indicam que existe a capacidade de o modelo ficar. "O food truck não é um modismo, mas não há espaço para tantos. Só sobrevive quem consegue entender o funcionamento desse tipo de negócio", defende ela.

Mercado exige muito fisicamente, conta empresária que deixou setor

FEIRA DO LIVRO 2014 - FOOD TRUCK, MOVIMENTO, FEIRA DO LIVRO  IMAGEM 3 FOTO CLAITON DORNELLES
Eventos atraem público para os negócios com comida ao ar livre
CLAITON DORNELLES/JC
Com quase três anos de atuação, a chef Aline Bavaresco e a irmã administradora do negócio, Jeanny Bavaresco, estão saindo do mercado. Elas são proprietárias do Delicafé Truck, que vende doces, lanches e cafés em parques, ruas e eventos da cidade. Mas o principal motivo não foi financeiro, embora Jeanny reconheça que a procura já não é mais a mesma. "É um mercado que exige muito fisicamente, estamos um pouco cansadas dessa rotina", justifica.
Ela conta que investiram em uma estrutura "muito grande, não condizente com a realidade de hoje", que envolvia uma cozinha de produção alugada onde realizavam o pré-preparo dos alimentos. Jeanny acredita que o Delicafé Truck conseguiu se manter bem no mercado por conta do marketing e por entenderem o setor em que atuam desde 2014. "Não é qualquer evento que vale a pena, nós sabíamos bem quais os horários que funcionavam mais, conseguimos boas parcerias." As irmãs cogitam vender uma franquia da marca, não apenas o veículo. Avaliam ainda a possibilidade de um ponto fixo ou trabalhar os produtos sob demanda.

Chef aposta no sucesso do primeiro yakisoba da cidade

Gino Conte realiza o sonho de 
ser o dono do próprio negócio
Gino Conte realiza o sonho de ser o dono do próprio negócio
MARCO QUINTANA /JC
O cenário aparente de baixa não intimidou o chef Gino Conte e a esposa, Carmen Reis, que lançaram em março o food truck Itamae Yakisoba. "É o primeiro yakisoba de Porto Alegre, então não tem muita concorrência, não é que nem hambúrguer e pizza", afirma o empresário, que trabalha há 19 anos com a culinária japonesa, antes em restaurantes e montando ilhas de sushi para aniversários e festas em geral. A aposta é atrair público com a ideia de um "legítimo yakisoba", certificado pelo Instituto Internacional de Culinária do Japão.
O investimento do casal foi de R$ 160 mil em um veículo novo. Eles compraram o chassi, mandaram fazer o baú e adesivaram o food truck. Conte afirma que frequenta eventos todo fim de semana. As vendas, segundo ele, ainda não são boas, mas a aceitação do público vem motivando.
Para Conte, a baixa na procura pelos food trucks se deve principalmente à "perda da essência" do negócio, que seria trazer "chefs renomados de restaurantes para a rua, para as pessoas não terem muito gasto". Também afirma estar feliz com a empresa. "Estou realizando um sonho, fazendo o que eu gosto, um yakisoba tradicional, legítimo do Japão. Trabalhei a vida inteira em restaurante, hoje sou dono do meu próprio negócio."
 
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