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Porto Alegre, domingo, 21 de maio de 2017. Atualizado às 22h57.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Responsabilidade Social

Notícia da edição impressa de 22/05/2017. Alterada em 21/05 às 18h40min

Bairro Bom Fim, em Porto Alegre, sediará mais uma edição do projeto social The Street Store

Rotaract Bom Fim foi responsável por trazer a ação para a Capital

Rotaract Bom Fim foi responsável por trazer a ação para a Capital


ROTARACT BOM FIM/DIVULGAÇÃO/JC
Samuel Lima
O Parque da Redenção, em Porto Alegre, recebe uma loja de roupas diferente no próximo dia 4 de junho. Em vez de grifes famosas ou marcas específicas, os cabides terão roupas, calçados e acessórios doados ao longo do mês pelos porto-alegrenses. No lugar de atendentes contratados, voluntários. E os clientes não são aqueles que geralmente frequentam esse tipo de comércio: serão essencialmente moradores em situação de rua.
Essa é a proposta da The Street Store (a loja de rua, em tradução livre), iniciativa internacional criada há cerca de cinco anos na Cidade do Cabo, África do Sul, quando um grupo de voluntários juntou doações de todos os tipos e ofereceu as peças em uma loja improvisada na rua, alcançando 3,5 mil sem-tetos. Desde então, a organização divulga o material gráfico on-line e incentiva voluntários de todo o mundo a realizarem a ação em suas comunidades, de forma quase independente - é preciso somente a autorização deles, que também auxiliam na divulgação e dão dicas com base nas experiências anteriores.
Na capital gaúcha, a loja chegou em 2013, por meio dos jovens do Rotaract Porto Alegre Bom Fim - clube que existe há 18 anos e faz parte de outra organização global, a Rotary International, que alia formação de novos líderes com a prestação de serviços humanitários. Uma participante conheceu, naquele ano, a ação em uma viagem a Buenos Aires, sugerindo que o grupo fizesse o mesmo por aqui. "Só havia ocorrido 17 edições em todo o mundo", conta a presidente do clube, a estudante de fisioterapia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (Ufcspa) Betina Foscarini, de 22 anos, que participou de todas as quatro lojas que o grupo montou até hoje, sempre às vésperas do inverno. A edição deste ano é a de número 623, pela contagem global.
A ideia é fazer uma campanha de arrecadação de roupas e, a partir disso, avisar albergues da Capital sobre a loja na Redenção que oferece, de maneira gratuita - as roupas a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Além de ajudar a quem precisa enfrentar o frio rigoroso típico do Estado, os voluntários aproveitam para oferecer uma experiência de vida, resgatando a autoestima. "Não desvalorizamos a doação (na forma tradicional), mas achamos que a tornamos mais humana dessa forma", acrescenta Rodrigo Bins, 24 anos, estudante de engenharia ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e presidente do Rotaract Glória-Teresópolis, pela primeira vez correalizador da ação. Os atendidos também poderiam escolher, assim, as peças que mais lhe agradam e necessitam, no tamanho correto ou o mais próximo disso.
O espaço na Redenção é delimitado por pequenas grades, que também ajudam a separar a loja nas seções masculina, feminina e infantil, com entradas diferentes. Em cada uma delas, um voluntário começa o atendimento exclusivo aos clientes, do início ao fim da loja. O limite de peças que cada um pode escolher é definido no dia, conforme a disponibilidade.
Betina garante que o cliente sai satisfeito da loja. "Todos os anos, recebemos alguém que já foi lá antes. Eles nos mostram o boné que pegaram na outra vez, dizem que foi a gente que deu", conta ela, que tem consigo um vídeo produzido na segunda edição, em 2014, que mostra alguns depoimentos de moradores em situação de rua atendidos. Um senhor que aparenta ter 50 anos, com um boné na cabeça e barba rala, diz feliz à câmera que foi "o mesmo que entrar em uma loja". Outro homem, mais novo, afirma que aquele é um benefício ao morador de rua no momento em que o inverno chega. Bins, do Rotaract Glória-Teresópolis, ainda conta que é comum pessoas aparecerem à procura de uma roupa para uma entrevista de emprego, mesmo que a maior parte busque, de fato, um agasalho mais quente para a estação mais fria do ano.
De acordo com o Rotaract, mais de 400 pessoas foram atendidas pela ação no ano passado, quando foram arrecadadas mais de 3,6 mil peças de roupa. A meta desta edição é pelo menos igualar esses números. As principais demandas são roupas masculinas - homens são, geralmente, o maior público atendido - e infantis. O grupo também aceita novos voluntários para o evento, a fim de ajudarem na montagem da loja, reposição de produtos, atendimento, entre outras atividades. O contato pode ser feito por meio das páginas dos Rotaracts no Facebook ou pelos telefones (51) 99808-0823 e (51) 99229-9044, com Rodrigo e André, respectivamente. Caso chova no dia, o evento é adiado, provavelmente para o domingo seguinte, o que está previamente combinado com os albergues.
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