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Porto Alegre, quinta-feira, 06 de abril de 2017. Atualizado às 00h06.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 06/04/2017. Alterada em 05/04 às 20h57min

A corrupção que se espalha e enlameia o Brasil

Quando se pensava que todos os atos de corrupção já tinham sido desvendados pela Operação Lava Jato e outras investigações, eis que se sabe que até mesmo o Tribunal de Contas do Estado (TCE), no Rio de Janeiro, também foi atingido, com cinco dos seus sete integrantes acusados. Da mesma forma, é noticiado que no Mato Grosso, para indicar conselheiro ao TCE, mesadas espúrias foram pagas a deputados estaduais.
É triste a constatação, mesmo se sabendo que a corrupção existe em todas as partes do mundo, mas a que nos machuca a consciência e atormenta a vida é aquela que ocorre no Brasil. Ao contrário do que se imagina, quanto mais burocratizada uma área pública visando acabar com desvios de conduta, aí mesmo parece que ela, a corrupção, enraíza-se e fica mais fácil. Isso desanima a autoestima coletiva. Julga-se, então, que a corrupção está na cultura brasileira.
Entre nós, vamos criando instâncias para fiscalizar, superpondo umas às outras. Tribunais de Contas dos estados e da União, corregedorias, procuradorias, secretarias de acompanhamento de despesas, comissões disso e daquilo, e a corrupção campeia.
Mas o Ministério Público da Suíça, em ação conjunta com setores de fiscalização bancária dos Estados Unidos e do Brasil, anunciou o bloqueio de € 1 bilhão, o equivalente a cerca de R$ 3 bilhões, em contas de envolvidos na Operação Lava Jato, onde desponta, irremediavelmente, a empreiteira Odebrecht.
O que também escandaliza é a opinião de alguns de que o trabalho da Justiça Federal do Paraná, com o apoio do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, além da Procuradoria-Geral da República, seria o motivo da estagnação econômica do País. Ou seja, a simplificação infeliz poderá ser traduzida como a corrupção, em nome da economia, deveria ser tolerada. Um relativismo ético que beira a um pensamento de cumplicidade criminosa.
Temos a tendência de julgar que esta ou aquela instituição é corrupta. Mas não é bem assim, pois nem no Executivo, no Legislativo ou no Judiciário há estruturas corruptas, mas sim pessoas corruptas. Corruptos há em qualquer lugar. Nas famílias, na vizinhança do bairro em que moramos, em atividades de todos os setores e até nas universidades, como foi noticiado, aqui no Rio Grande do Sul e, agora, no Paraná.
Nenhum de nós está livre de desvio de conduta, o que nos protege são os exemplos sadios da família, da boa educação no amplo sentido da palavra, da punição aos que agem de má-fé e, principalmente, aos que desviam o dinheiro público, que é do povo em geral, que paga imposto de renda alto e muito tributo sobre o consumo, não sobre a renda.
No entanto, há certos setores em que saber de malfeitos nos desanima e leva ao desalento, ficando alguns, como dizia Ruy Barbosa, com vergonha de serem honestos. Entende-se bem a sensação de impotência que o cidadão comum sente diante de tantas denúncias de corrupção ou de total falta de ética no trato da coisa pública.
Porém, temos que começar a raciocinar sobre quem compõe, elege e mantém essas instituições e que somos nós todos, a população. O povo, enfim. Reclamar de certos políticos e, incoerentemente e de maneira absurda, votar neles nas próximas eleições é um desses descalabros da cidadania que é a base de desmandos que são noticiados semanalmente.
Então, que se acabe com o foro privilegiado e com o caixa-2, ações que têm respaldo popular agora. E não se crie lei sobre abuso de autoridade que irá cercear o trabalho de juízes e promotores.
 
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