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Porto Alegre, quinta-feira, 06 de abril de 2017. Atualizado às 00h06.

Jornal do Comércio

Opinião

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artigo

Notícia da edição impressa de 06/04/2017. Alterada em 05/04 às 19h30min

As ilusões com a terceirização

Judite Sanson de Bem
A discussão da terceirização de atividades, no Brasil, remonta ao início dos anos de 1990, quando do primeiro surto de abertura econômica. À época, a terceirização visava à redução de custos, pois era corrente a falta de competitividade de nossos produtos frente ao mercado externo. A mão de obra e seus custos eram tidos como os principais entraves, logo a terceirização de determinadas atividades, ao longo de um processo produtivo, era um caminho recomendável. Muito foi efetuada a partir deste período, pois em determinados setores as empresas permaneceram apenas com as atividades-fim.
Trinta anos após, ressuscita-se a discussão, mas não se questiona se, ao longo deste período, os objetivos anteriores foram alcançados. Para os trabalhadores, a problemática é superior, pois, ao longo destes 30 anos, houve uma brutal perda de capacidade de negociação dos sindicatos, dado seu esvaziamento após 1990. Assim, em 2017, a retomada do debate e do projeto, embora encontre suporte teórico, custa em evidenciar os benefícios e a simpatia à classe trabalhadora. Se, de um lado a terceirização seria um fator que propiciaria a oxigenação do mercado de trabalho, privilegiando a retomada dos investimentos externos, dados os atuais entraves legais e exigências, entre outros, do lado dos trabalhadores seria, no mínimo, uma reversão de parte dos direitos obtidos. A discussão também poderia se encaminhar, nesta breve reflexão, para algumas questões que ainda não estão claramente visíveis. Seria esta via suficiente para a entrada do capital externo e o fortalecimento do capital nacional? Qual a produtividade resultante em um ambiente de redução do nível de satisfação dos trabalhadores?
E para finalizar este artigo: todas as atividades são passíveis de terceirização? Vou tentar responder à última questão: creio não serem todas as atividades passíveis de terceirização, e cito como exemplo a gestão executiva das empresas. Ela deve ser internalizada, nunca terceirizada.
Professora universitária/Unilasalle
 
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