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Porto Alegre, quarta-feira, 12 de abril de 2017. Atualizado às 23h11.

Jornal do Comércio

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Jaime Cimenti

Livros

Notícia da edição impressa de 13/04/2017. Alterada em 12/04 às 17h10min

Vinte anos essenciais da vida brasileira

Quase Diário: 1980 - 1999 (L&PM Editores, 416 páginas,R$ 64,00) do grande poeta, cronista, professor e administrador cultural Affonso Romano de Sant'Anna, em forma de diário cultural, político, histórico e de costumes, traz centenas de textos sobre acontecimentos e pessoas dessas duas décadas que marcaram de modo essencial a vida brasileira e modificaram o mundo.
Sant'Anna nasceu em Belo Horizonte, em 1937, estudou Letras e Filosofia e participou do movimento de vanguarda literária. Foi presidente da Biblioteca Nacional de 1990 a 1996 e colaborou como cronista por décadas nos jornais O Globo, Jornal do Brasil, Estado de Minas e Correio Brasiliense. Escreveu poemas fundamentais como Que país é este? e mais de 60 livros envolvendo poesia, crônica e ensaio, entre os quais Como andar no labirinto, Tempo de delicadeza e Intervalo amoroso.
Neste Quase Diário, em ordem cronológica, a partir de anotações que principiaram em 1980, Sant'Anna, que foi protagonista de muitos acontecimentos políticos e culturais, descreve o clima fantástico e a euforia e a perplexidade de sair de uma ditadura, em meio a muita ebulição cultural e política. Entre Paris, Rio de Janeiro, Berlim e Moscou, o leitor vai encontrar Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Oscar Niemeyer, João Cabral de Melo Neto, João Ubaldo, Gilberto Freyre, Otto Lara Resende, Ferreira Gullar, Glauber Rocha e muitos outros artistas e intelectuais que marcaram de modo definitivo a cultura brasileira.
A volta de Gabeira, o assassinato de John Lennon, Juruna, as experiência do autor na Rede Globo, a Biblioteca Nacional, Ella Fitzgerald em Nova Iorque, Roberto Marinho, a loucura de Brasília, Picasso, Sartre, a campanha das Diretas Já, a morte de Tancredo, o governo Sarney, os sucessivos planos para derrubar a inflação, a derrocada da União Soviética, o Plano Real e os primeiros anos de FHC, entre outras centenas de temas, estão na obra do escritor, que resolveu pôr em prosa seu diário, antes feito com poesia.
Mesclando acontecimentos pessoais com fatos públicos, narrando encontros com personalidades e momentos históricos, o autor pinta um painel imenso e rico de um período em que ele e nós todos amadurecemos os sonhos, esperanças e frustrações.
As primeiras páginas do livro falam da morte de Vinicius de Moraes, as últimas tratam do dia 30 de dezembro de 1999, quando a Globo apresentou as "100 melhores músicas do século" e Sant'Anna prestou um depoimento. Ele votou em Carinhoso, Garota de Ipanema e Aquarela do Brasil. Foram exatamente as três finalistas.

lançamentos

  • Guia de Arquitetura de Porto Alegre (Escritos, 230 páginas), dos arquitetos, urbanistas e consultores Rodrigo Poltosi e Vlademir Roman, apresenta 100 prédios históricos, em belos textos e fotos, muitos projetados por arquitetos italianos, alemães e espanhóis. Ótimo presente para a cidade e seus habitantes.
  • Salve Paris - Pátria das Almas (Editora Pradense, 202 páginas), do consagrado Luiz de Miranda, que há 50 anos vive da e para a poesia, apresentado por Perfecto Quadrado, traz 100 belos e longos poemas sobre a Cidade Luz, como "Estou em Paris/me cubro de veno/e ganho novo destino, onde sempre afirmo meu novo cantar..."
  • Seja o herói de sua vida - 30 lições de liderança de grandes personagens das séries de TV (Benvirá, 184 páginas), da consultora de marketing, coach e jornalista francesa Yaël Gabison, fala de Tony Soprano, Dr. House e outros heróis da TV, e mostra como as cenas deles podem nos ajudar a enfrentar desafios.

Páscoa, Pessach, passagem para o renascimento

Páscoa é o melhor momento do ano para pensar em vida, morte, renascimento, renovação e futuro. Tirando os suicidas foras de si, alguns atletas de esportes radicais, algumas pessoas com doenças terminais, homens e mulheres abandonados por seus amores e os que se metem com mulher de atleta de FC, fundo ninguém quer a morte, só saúde e sorte, como está na eterna canção do Gonzaguinha.
Melhor nem pensar na morte. Ficar tipo menino assustado assobiando no escuro para disfarçar e espantar o medo. A ressurreição de Cristo é a eterna, milenar inspiração para a gente sacudir a poeira e dar a volta por cima, todos os dias, se for preciso.
Para os hebreus, a Páscoa Judaica, o Pessach, está profundamente ligada com a saída dos escravos judeus do Egito, e seu significado maior é de passagem. O pão sem fermento, o osso de cordeiro, o ovo, as ervas amargas, o vinho e outros alimentos altamente simbólicos são utilizados para venerar os antigos e a história. Neste ano, em Porto Alegre, a celebração do Pessach, na cripta da Catedral Metropolitana, vai ficar na história. Bonita ideia e que se repita, com todos os povos e religiões.
Para os católicos, os ramos de palmeira, o cordeiro, o círio pascal, o peixe, os ovos e o coelho, especialmente, simbolizam com força a ressurreição de Jesus Cristo, e nos dão a ideia da eternidade e da circularidade da vida, especialmente pela natureza e formato do ovo.
Neste mundinho em que estamos obrigados a estar e nesta vida-barca onde estamos juntos e misturados, queiramos ou não, pensar em passagem e renovação é questão de sobrevivência, mas deve ser, também, na medida do possível, razão de esperança e alegria.
Nós morremos e vivemos toda hora, todo dia. Quintana disse "minha morte nasceu quando eu nasci" e versejou que não sabia qual o dia do encontro definitivo com ela. A graça triste que é a vida, dor e prazer, alegria e tristeza, derrotas e vitórias, caminhos e descaminhos, mortes e vidas, perdas e ganhos e o infinito, principalmente na Páscoa, nos mostram que o presente, o momento e o aproveitamento dele com amor, alegria e esperança, é o que temos de melhor para fazer nessa passagem. Passagem que, para muitos, infelizmente, é muito rápida. Mesmo os de 90 ou 100 anos acham que a vida é bela, mas que a passagem, ainda assim, é rápida.
Pois é, tudo e todos merecem renascer, reflorir, principalmente o Internacional, o grande colorado campeão de tudo e mais umas outras coisas. Acho até que ele é vermelho em homenagem ao Mar Vermelho, que os hebreus atravessaram para deixar para trás a escravidão no Egito. Digo isso pois acho que o jornalista e cronista Paulo Sant'Ana registrou com propriedade a renovação do Inter. Ele disse que o Inter é uma entidade judaico-otomana. É verdade. Esse fato mostra que o Inter é ecumênico e que é um exemplo de união e paz.

a propósito...

A feliz ideia do jantar do Pessach na cripta da Catedral Metropolitana é um ótimo exemplo a ser imitado e mostra como Porto Alegre, a açoriana ainda meio tímida, mas ousada - como são os tímidos de vez em quando - é palco para novidades boas. Diálogo, respeito, solidariedade, amor, igualdade, liberdade, fraternidade, ovos e peixes, disso precisamos nos alimentar, mesmo que a passagem seja curta e que não tenhamos a menor certeza se existe outros mundos e outras vidas. Se ninguém voltou de lá para contar, acho até que é melhor assim. Boa Páscoa, a guite Pessach, paz, shalom e chocolate para todos, é o que desejo, aos meus renascentes leitores e aos que moram, renascidos, na memória do meu coração. 
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