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Porto Alegre, domingo, 02 de abril de 2017. Atualizado às 22h35.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 03/04/2017. Alterada em 02/04 às 21h14min

Saneamento básico e a saúde pública em Porto Alegre

Em um ano, foram 172 toneladas de resíduos que deixaram de chegar ao Guaíba, graças à implementação da Ecobarreira, em 30 de março de 2016, instalada por iniciativa da empresa privada Safeweb, na foz do popular Arroio Dilúvio. Com ela, foi possível a retirada do lixo flutuante que desembocaria no Guaíba. O equipamento impede o escoamento de milhares de garrafas plásticas, sacos, madeiras, móveis e animais mortos. Quem joga lixo no Dilúvio e, em consequência e inevitavelmente, no Guaíba, somos nós, os porto-alegrenses.
Mas, o Dilúvio, oficialmente Riacho Ipiranga, teve projeto de revitalização em 2011, quando a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs) - ambas com instalações de ensino situadas na avenida Ipiranga, às margens do arroio - decidiram propor junto à prefeitura uma parceria para a sua revitalização.
Para tanto, as duas universidades pretendiam adotar o modelo utilizado para recuperar o arroio Cheonggyecheon, em Seul, capital da Coreia do Sul. Assim como o Dilúvio, este arroio coreano corta grande área urbanizada de sua cidade, tendo sido bastante poluído no passado. Desde sua recuperação, finalizada em 2002, o Cheonggyecheon tem apresentado águas limpas, à beira das quais a população local encontra áreas de lazer arborizadas.
Este é, então, o sonho dos porto-alegrenses, mas que, de fato, não tem passado de um sonho. Ufrgs e Pucrs criaram até um portal onde o projeto seria gerenciado, com a publicação de um marco conceitual do programa, seguido de um Plano de Ação. Tudo bonito e bem intencionado, até que, no ano passado, o projeto parou, por falta de recursos da prefeitura.
Pois quando há tanta preocupação com os cuidados com a saúde e a carência dos serviços públicos no setor, foi divulgado que mais de uma em cada quatro mortes de crianças menores de cinco anos em todo o mundo é atribuída a ambientes considerados insalubres. Todos os anos a poluição do ar, água não tratada, falta de saneamento e higiene inadequada matam 1,7 milhão de crianças nessa faixa etária, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O Dilúvio desaguava na Ponta da Cadeia, ao lado da Usina do Gasômetro, e antes de chegar ali passava embaixo da Ponte de Pedra. Com o crescimento da cidade, foi recanalizado para o curso atual. A obra que mudou o traçado do manancial, incluindo a construção das pistas da avenida Ipiranga, iniciou-se em 1940, durante a primeira administração do prefeito José Loureiro da Silva, entre 1937 e 1943, nomeado que foi pelo presidente Getulio Vargas.
Loureiro da Silva voltaria a ser prefeito, desta feita eleito, de 1959 a 1963, sendo a obra concluída, depois de 20 anos. Na execução, o município contou com o auxílio do governo federal, por meio do extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS), cujo titular, à época de Loureiro da Silva, em 1962, era o engenheiro Telmo Thompson Flores, que viria a ser também prefeito nomeado de Porto Alegre, entre 1969 e 1975.
O Arroio Dilúvio, conhecido, originalmente, como Arroio Sabão, nasce na Represa da Lomba do Sabão, localizada no Parque Saint-Hilaire em Viamão. É difícil de acreditar, mas, até a década de 1950, o Dilúvio apresentava águas muito limpas, e ganhou este nome porque costumava inundar os bairros vizinhos, como Menino Deus ou Cidade Baixa, em dias de chuva forte.
Enfim, a mobilização de todos, com certeza fará com que o arroio Cheonggyecheon, em Seul, seja exemplo seguido aqui. Mas, todos têm que cooperar. É um cuidado coletivo da cidadania de Porto Alegre.
 
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