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Porto Alegre, quarta-feira, 15 de março de 2017. Atualizado às 10h48.

Jornal do Comércio

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Saneamento

Notícia da edição impressa de 15/03/2017. Alterada em 15/03 às 10h54min

Água de Porto Alegre é potável, reforça Dmae

Dmae garante que não há problema com a água, mas ainda vai apresentar estudos

Dmae garante que não há problema com a água, mas ainda vai apresentar estudos


VERA PETERSEN/PMPA/JC
Igor Natusch
O gosto ruim e o cheiro desagradável que a população de Porto Alegre tem sentido na água da torneira ainda precisam ser explicados. A previsão é que o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) divulgue, ainda nesta semana, os resultados de exames, feitos em São Paulo, que tentam esclarecer os motivos para as alterações. A situação foi debatida ontem, em reunião na Câmara de Porto Alegre, reunindo representantes de órgãos públicos e entidades ambientais e da sociedade civil.
Presente à reunião, o diretor de tratamento e meio ambiente do Dmae, Marcelo Faccin, garantiu que a água fornecida na Capital atende, na íntegra, à Portaria nº 2.914, editada em 2011 pelo Ministério da Saúde. "Não ignoramos a percepção do consumidor. Eu também fico incomodado quando o padrão de excelência não é atingido. Mas os patamares ainda estão seguros", reforça.
De acordo com Faccin, episódios de superdesenvolvimento de micro-organismos no Guaíba, que podem ter efeito sobre as condições da água, são registrados, pelo menos, desde os anos 1970. Um quadro que, garante, difere completamente do verificado no ano passado, quando a empresa Cettraliq foi responsabilizada pelo cheiro e pelo gosto da água da Capital. Hoje, argumenta Faccin, o panorama climático e a época do ano coincidem com o histórico de alterações, ao contrário de 2016, quando o problema surgiu fora dos meses de verão e micro-organismos não foram encontrados nas amostras.
Diretor da seção gaúcha da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes-RS), Sidnei Agra reforça, a partir da fiscalização do órgão, que a água que sai das torneiras da Capital não é imprópria para consumo, apesar das características desagradáveis.
"Eu diria que o Dmae opera bem, dentro dos limites da tecnologia disponível", acentua. Para ele, seria necessário investir mais em sistemas de previsão climática e meteorológica, como forma de antecipar fenômenos que afetam a água e, assim, minimizar seus efeitos. No entanto, Agra admite que o tema é "polêmico", na medida em que pode refletir nos valores da tarifa.
Na opinião de Maurício Fernandes, da Comissão de Direito Ambiental da seccional gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS), é preciso refletir sobre a origem da água que abastece a Capital. "O Guaíba é o delta de cinco rios, sendo que três deles (Caí, Gravataí e dos Sinos) estão entre os mais poluídos do País", lembra. "Estamos discutindo o fim do tubo, a água que sai da torneira, mas não há reflexão sobre a água que chega à captação do Dmae."
Fernandes cita dados do Ministério das Cidades, que mostram o Estado com apenas 37% do seu esgoto efetivamente tratado. "Essa é a maior chaga que temos. Porto Alegre está em situação melhor, graças ao Programa Integrado Socioambiental (Pisa), mas adianta a cidade tratar e o resto do Rio Grande do Sul não?", questiona.
Manoel Salvaterra, presidente do Comitê do Lago Guaíba, aponta a necessidade de um plano de segurança hídrica. "O lago é o nosso único suprimento de água, e está muito vulnerável a incidentes e acidentes. Casos como o atual têm sido recorrentes. A natureza tem dado avisos, e nós temos que estar atentos", argumenta.
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