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Porto Alegre, domingo, 12 de março de 2017. Atualizado às 11h13.

Jornal do Comércio

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Futebol

Alterada em 12/03 às 11h19min

A exemplo do Grenal, MP estuda adoção de setor com torcida mista nos clássicos paulistas

Área de torcida mista, usada no Grenal, pode ser adotada nos clássicos de São Paulo

Área de torcida mista, usada no Grenal, pode ser adotada nos clássicos de São Paulo


JONATHAN HECKLER/JC
A adoção da torcida única nos clássicos do futebol paulista como maneira de evitar a violência das torcidas organizadas completa um ano no próximo mês, sem data para acabar - inicialmente, a medida iria vigorar até dezembro passado, mas foi prorrogada até o fim de 2017. No entanto, surge uma possibilidade de flexibilização. Está sendo formulada, em fase inicial, proposta para a introdução da torcida mista, nos moldes do que ocorre no Rio Grande do Sul no clássico Grenal.
Adotada em 4 de abril de 2016, dia seguinte à morte de um senhor de 60 anos em uma praça do bairro de São Miguel horas antes de um Corinthians e Palmeiras disputado no Pacaembu - era transeunte e levou um tiro durante briga entre organizados -, a torcida única tem "aprovação constrangida" de autoridades e dirigentes. A medida é considerada necessária para conter a violência. Mas também há concordância de que tira o brilho dos estádios e vai contra a cultura do futebol.
A iniciativa de propor a criação de espaço nos estádios a ser dividido por torcedores de duas equipes é do Ministério Público, órgão que bancou, junto com a secretaria de Segurança Pública de São Paulo, a introdução da torcida única. "Estamos estudando como buscar alternativa para trazer o torcedor de volta e poder ter duas torcidas nos estádios", revelou ao Estado o promotor do Juizado Especial Criminal, Paulo Castilho.
Ele afirmou que "em breve" vai se reunir com o secretário de Segurança Pública, Mágino Barbosa Filho, com o presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos, e com dirigentes, e sugerir que se crie essa "zona mista". O encontro, ainda sem data, pode ser o primeiro passo para a flexibilização.
Os defensores da torcida única encaram a restrição como um mal necessário. Citam números positivos, como a melhora do público. De acordo com Castilho, após a medida aumentou em 11% a presença de mulheres e crianças nos clássicos, em 20% a média de público e o efetivo policial envolvido nos jogos foi reduzido em 150 homens. A secretaria de Segurança Pública, em nota, afirmou que foi observado queda de 75% nos embates de torcidas.
A restrição também visou mexer no caixa das torcidas. "As pessoas analisam a torcida única como o simples fato de ter apenas uma torcida em um estádio e não como um todo", queixa-se Castilho. "Só a torcida única não resolve o problema, mas tem outras implicações: num dia de clássico a torcida visitante ganha muito dinheiro com a caravana, com os ingressos que ela pega mais barato ou até ganha do clube, com camisas que vende... Então primeiro já se penaliza eles no bolso."
Ele considera que, hoje, a situação está "favorável, controlada", pois os confrontos entre os organizados passaram a ser esporádicos. Uma morte por briga entre torcedores foi registrada em setembro: um corintiano foi espancado por palmeirenses. O crime foi em Itapevi, 60 quilômetros distante do Itaquerão, onde os dois times jogaram.
Para Castilho, o grande problema é o esgotamento do modelo atual de torcida organizada. "O modelo sucumbiu. Eles estão ligados à violência. Tem gente do crime organizado infiltrada em torcida. Não dá para defender o indefensável."
A FPF, porém, diz aceitar a determinação a contragosto. "A Federação Paulista de Futebol não enxerga na aplicação de torcida única a solução para o problema da violência no futebol", posicionou-se por nota, em que informa ter pedido ao MP a revisão da medida, "sem sucesso".
Os clubes mordem e assopram. "O fato positivo é que de imediato parece que resolve", diz o diretor de futebol do Corinthians, Flávio Adauto. "Mas o que importa é o longo prazo, aí vem o negativo. Não se está plantando para o futuro algo que vai dar estabilidade. Acho que deveria ter as torcidas juntas."
Para o presidente do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, a medida "acabou sendo uma solução que a segurança (pública) encontrou para tentar equacionar a problemática da violência". No entanto, define a situação como "lamentável" e gostaria de jogos com duas torcidas. Maurício Galiotte, presidente do Palmeiras, diz ser "esportivamente contra a torcida única", mas que "é muito difícil argumentar contra os números que apontam queda importante da violência".
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