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Porto Alegre, domingo, 12 de março de 2017. Atualizado às 22h16.

Jornal do Comércio

Expodireto 2017

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Tecnologia

Notícia da edição impressa de 13/03/2017. Alterada em 12/03 às 20h19min

Como o campo vai dominar o bigdata

Informações são coletadas em diversas plataformas e redes, e só precisam ser aplicadas para dar retorno ao campo

Comandos da máquina reduzem cada vez mais a ação do operador, mas geram mais dados


MARCO QUINTANA/JC
Patrícia Comunello
"As máquinas e soluções que estão no campo têm mais tecnologia que um iPhone de última geração", avisa o consultor e agrônomo Dirceu Gassen. "O desafio é como usar todo esse potencial para melhorar a produtividade, que não é só máquina, tem o cuidado com o solo", adverte o especialista. O alerta de Gassen, feito em um dos painéis que debateram os rumos da cultura de soja, a principal divisa agrícola do País - maior fonte de receita das exportações gaúchas -, colocou na pauta a capacidade de agricultores e produtores e a rede de assistência de fazer a gestão do bigdata do campo.
Informações hoje são coletadas ou geradas em diversas plataformas e redes - na lavoura, dentro da empresa, nos centros de pesquisa e no mercado - e precisam ser aplicadas para dar o melhor retorno ao campo. O instrutor do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RS) Marcos Haerter reforça que esse ambiente reflete "mudanças incríveis". "Os anos 2000 marcaram a chegada de uma nova geração de máquinas mecânicas. Em 2015, as máquinas são totalmente autônomas. Algumas já não precisam de operador", diz Haerter. Para ele, o novo ciclo, pós-agricultura de precisão, é a agricultura do conhecimento.
"Produtor tem informação muito diversa, pode controlar tudo e interpretar. Ele pode ter domínio completíssimo da propriedade. Mas o gargalo hoje é a mão de obra para usar isso", adverte o instrutor do Senar-RS. "Você pode ter um celular supermoderno, mas quanto o dono usa dele?", reforça a comparação de Dirceu Gassen. Haerter foca o fator humano não só de operador, mas do lugar do produtor, e provoca: "Há muita coisa sobre agricultura de precisão, mas saber digerir os dados e aplicá-los é outra coisa".
Máquinas que vão rodar sozinhas ainda não são realidade no Brasil, mas os fabricantes que estavam na Expodireto garantem que isso está bem perto. Dentro de laboratórios industriais de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), protótipos já estariam em teste. Antes mesmo disso, as maravilhas da tecnologia facilitam a vida de operadores. Soluções com monitores a bordo exigem que o motorista fique atento e só manobre a cada fim de linha de uma pulverização ou plantio.
André Pavilak, especialista PLM (sigla em inglês de Precision Land Management, um gerente de agricultura de precisão) da New Holland, aponta que os painéis estão mais interativos, e que mesmo quem é analfabeto consegue operar por meio de desenhos ambientados no campo. "O operador indica o começo e o final da linha. Aproveita terrenos sem amassar a cultura. Ele é o comandante de uma aeronave", compara o especialista em PLM. Mas o pulo do gato está mais ainda na telemetria, que virou a solução da moda desde 2016, e que permite que os dados capturados no campo cheguem a qualquer lugar, e que exigem uma gestão e decisões dos donos das propriedades.
É aí que ganha força outra frente que deve se tornar, em pouco tempo, uma fonte farta de receita para fabricantes e revendedores. As empresas vão vender o serviço de como processar e orientar as aplicações da tecnologia da máquina ou software embarcado. Grasielle Silva, especialista de marketing em tecnologias em agricultura de precisão da New Holland, diz que tudo começou por treinamentos.
Primeiro, estavam incluídos no pacote de venda do equipamento. Depois, passaram a ser cobrados, mas mais no uso da máquina. Com a telemetria, a tendência é lançar serviços de uso dos dados para agir no negócio. "Vamos lançar uma solução na Agrishow, em Ribeirão Preto. O negócio principal é fazer o produtor extrair o que precisa do campo", adianta Grasielle.
 

Fabricantes de máquinas ampliam serviços para apoiar clientes no campo

Nos estandes do setor de máquinas da Expodireto, várias pistas foram dadas sobre como o serviço de analisar e aplicar conhecimento poderá se transformar em negócio com alto poder de gerar valor às empresas. Algo como se viu nas gigantes de tecnologia, em que muitas migraram de fabricantes de computadores para venda de soluções. Na Massey Ferguson, uma das primeiras iniciativas é o Fuse, montado desde 2016, que reproduz uma central de monitoramento, instalado até agora em três concessionárias no Rio Grande do Sul. Neste ano, será implantado em mais quatro (em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás), diz Dener Jaime, coordenador de marketing de produto Fuse.
O movimento da máquina é captado em tempo real pelo especialista na central, que dá alertas de eventuais ajustes. "Muitos produtores não estão no campo, precisam de um suporte para as máquinas", diz Jaime. Para fechar o cerco, o Fieldstar II entra em cena, aí sim para gerir bigdata. Na concessionária, o especialista em tecnologia terá a função de agrupar os dados e auxiliar nas decisões sobre cada etapa do cultivo. "O custo disso é uma negociação em cada concessionária com o cliente", observa o coordenador. "A ideia é auxiliar de forma imediata o produtor, orientando a fazer o ajuste no momento certo. Queremos que o produtor extraia 100% da máquina naquele momento", traduz Jaime. O casal Jovana e Gleber Minuzzi, de Segredo, ficou surpreso com a visualização da máquina na tela do Fuse. Minuzzi disse que foi à feira atrás de uma nova colheitadeira, e quer que a máquina ajude a elevar a produtividade na área de 200 hectares. "O que interessa é o rendimento. E a fábrica oferece cursos", diz o agricultor.
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