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Porto Alegre, sexta-feira, 31 de março de 2017. Atualizado às 10h24.

Jornal do Comércio

Economia

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Sistema Financeiro

Notícia da edição impressa de 31/03/2017. Alterada em 31/03 às 10h28min

Lucro do BRDE foi de R$ 117,6 milhões em 2016

Conta da incapacidade de pagamento de repasses feitos no biênio 2012/2013 está chegando agora, diz Klein

Conta da incapacidade de pagamento de repasses feitos no biênio 2012/2013 está chegando agora, diz Klein


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Guilherme Daroit
O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) fechou 2016 com um lucro líquido de R$ 117,6 milhões. Mesmo representando queda de 55,3% em relação ao resultado recorde de 2015, o desempenho é classificado como "satisfatório" pelo diretor-presidente da entidade, Odacir Klein. O principal motivo é que, em um ano marcado pela inadimplência, o resultado foi impactado pela necessidade de mais recursos para cobrir os pagamentos em atraso.
As chamadas "Provisões para créditos de liquidação duvidosa" - valores que o banco destina, em seu balanço, como espécie de garantia para as parcelas não quitadas pelos seus clientes - representaram R$ 392,3 milhões em 2016. Um ano antes, por exemplo, esse montante havia ficado em R$ 152,7 milhões. Os recursos recuperados também cresceram, mas não o suficiente para neutralizar o movimento. Em todo o ano, o banco conseguiu retomar R$ 150,6 milhões de atrasos passados, valor bem acima dos R$ 67 milhões recuperados em 2015.
"O lucro líquido caiu, é verdade, mas praticamente todo o valor perdido vem da diferença entre as provisões que fizemos e o que foi recuperado", argumenta Klein. Outro diferencial é que, extraordinariamente em 2015, o BRDE conseguiu reaver quase R$ 50 milhões graças à adesão ao chamado Refis da Copa.
Além da recessão da economia brasileira, o diretor-presidente ainda credita os problemas à expansão do crédito no biênio 2012/2013, período em que empréstimos teriam sido feitos com parâmetros menos conservadores do que os atuais. Como os repasses possuem anos de carência, a conta da incapacidade de pagamento estaria chegando agora. Ao longo do ano, 275 contratos, que totalizam R$ 229 milhões, tiveram de ser reestruturados. A expectativa é de que a situação retorne à normalidade já em 2017. Um bom sinal é que a inadimplência de 90 dias fechou 2016 em 2,81%, índice inclusive abaixo dos 3,11% registrados no fim de 2015.
Outra expectativa do BRDE para 2017 é conseguir repetir o nível de contratações de 2016, quando o banco repassou R$ 3,008 bilhões em 7,2 mil contratos. "Temos interesse do BRDE e demanda para igualar os empréstimos, mas ainda estamos em discussão dos limites com o Bndes", conta Klein. A definição do banco federal é relevante porque o Bndes é responsável por quase toda a carteira de crédito do BRDE. O banco regional tenta, porém, diminuir a sua dependência quanto ao parceiro, e espera concretizar pelo menos duas operações com entes internacionais já em 2017.
Em negociação avançada, uma linha de cerca de US$ 50 milhões junto à Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) pode ser liberada na metade do ano, segundo o diretor de planejamento do BRDE, Luiz Corrêa Noronha. O recurso será tomado com taxa de 2% ao ano, chegando às empresas até cinco p.p. abaixo das linhas via Bndes, embora envolvam risco cambial. Outro contrato de mesma monta com o Banco Europeu de Investimento (BEI) também pode ser fechado em 2017.
Com os contratos, o total de operações em divisas do banco sairá do zero, mas ainda não chegará a 1% da carteira. A ideia é que representem, no futuro, 10%. "Novos contratos estão em nosso radar, mas iremos passo a passo, vendo se esses primeiros terão interesse e se darão resultado", projeta Noronha. Empresas exportadoras, na visão do diretor, seriam naturais demandadoras, já que possuiriam riscos menores com a variação cambial.
O patrimônio líquido do BRDE cresceu 4,2% em 2016, chegando aos R$ 2,4 bilhões. A carteira de crédito também cresceu, na ordem de 9%, para R$ 13,4 bilhões. O banco possui 36 mil clientes ativos em 1.095 municípios da região.

Agência gaúcha registrou crescimento de empréstimos

Quando analisados apenas os empréstimos concedidos no Rio Grande do Sul pelo BRDE, o montante cresceu em 2016. A agência gaúcha assinou 2.016 contratos, com R$ 1,017 bilhão em repasses, alta de 26% em relação a 2015, quando foram repassados R$ 804 milhões.
Os empréstimos foram destinados à indústria (35%), ao comércio e serviços (29%), à infraestrutura (22%) e à agropecuária (15%). Apenas às cooperativas as contratações chegaram a R$ 465 milhões, e R$ 123 milhões foram repassados à agricultura familiar. "Há uma visão de que o BRDE seria um banco elitista, mas é a pulverização dos repasses que permite esses números", diz o diretor-presidente do BRDE, Odacir Klein. O banco estima que as operações com pequenos e médios negócios tenham respondido a 98% dos contratos no Estado.
Para 2017, um dos destaques deve ser a área de energia renovável. A atividade teve R$ 192,3 milhões contratados no Estado em 2016, quase a totalidade dos R$ 217 milhões repassados para obras de infraestrutura. Apenas um contrato de geração eólica, cuja assinatura é esperada para as próximas semanas, deve igualar sozinho o total contratado pelo setor em 2016.
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