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Porto Alegre, quinta-feira, 23 de março de 2017. Atualizado às 08h02.

Jornal do Comércio

Economia

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Notícia da edição impressa de 23/03/2017. Alterada em 23/03 às 08h07min

Opinião econômica: K. J. Arrow

Delfim Netto foi ministro, embaixador e deputado federal

Delfim Netto foi ministro, embaixador e deputado federal


VALTER CAMPANATO/ABR/JC
Delfim Netto
Nos deixou, no mês de fevereiro, quem, na minha opinião, foi o mais completo economista da segunda metade do século XX, Kenneth Joseph Arrow (1921-2017).
Frequentou as mais altas nuvens da economia matematizada, viajando comodamente entre as difíceis condições da agregação (na escolha social), as mais abstratas condições exigidas pela teoria do equilíbrio geral, e as limitações impostas pela qualidade das informações e os efeitos da incerteza, sem nunca perder o "fio terra"!
Os seus "Collected Papers", juntamente com os de P. A. Samuelson, são, certamente, a grande herança das aventuras da teoria econômica depois da Segunda Guerra Mundial.
Em 1951, surpreendeu o mundo acadêmico, político e econômico com o livro "Social Choice and Social Values", ampliado numa segunda edição em 1963, para superar algumas críticas.
As características de Arrow foram o rigor lógico com a teoria e a abertura pragmática nas análises factuais - por exemplo, nas falhas do mercado produzidas por questões éticas (como a doação de órgãos) ou nas dificuldades de coordenar as atividades econômicas na ausência dos mercados, sem pôr em risco a liberdade individual, para ele o maior valor da sociedade civilizada.
A grande contribuição de Arrow foi retomar um velho problema da escolha democrática majoritária, explorado por Borda e Condorcet no século XVIII, usando novos instrumentos lógicos.
Propôs-se a resolver um problema fundamental: se todos os indivíduos de uma sociedade souberem ordenar suas preferências, será possível encontrar um mecanismo de escolha, isto é, uma regra de votação que, necessariamente, encontre o resultado preferido?
Ele demonstrou que, com três eleitores e três alternativas, a regra majoritária leva a um impasse. A demonstração é mais geral, porque o resultado não decorre da escolha majoritária.
Qualquer outro método (exceto uma ditadura) não produzirá o resultado desejado. Este teorema da "impossibilidade" foi escrutinado por milhares de estudos críticos, mas resistiu bravamente, porque é resultado da lógica interna do modelo.
Uma outra contribuição importante de Arrow (juntamente com G. Debreu) foi demonstrar que o equilíbrio geral em condições de competição perfeita requer a existência de mercados "futuros" em todos os bens e serviços, o que lhe tira importância prática. Em outro trabalho (com R. Kahn), relativizou essa conclusão.
Foi-se um gigante, cuja modéstia e aguçada lógica enriqueceram os conhecimentos de como funciona a economia, mas deixou um problema insolúvel para a política.
Economista, ex-deputado federal e ex-ministro da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura
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