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Porto Alegre, quarta-feira, 22 de março de 2017. Atualizado às 12h53.

Jornal do Comércio

Economia

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Fraude

Notícia da edição impressa de 22/03/2017. Alterada em 22/03 às 12h54min

Ministério quer encerrar investigação em frigoríficos em até três semanas

Ministro levou grupo de jornalistas para conhecer a planta frigorífica da Seara, na cidade de Lapa, no Paraná

Ministro levou grupo de jornalistas para conhecer a planta frigorífica da Seara, na cidade de Lapa, no Paraná


RODRIGO FONSECA/AFP/JC
Atualizada às 12h50min
O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou ontem que pretende encerrar em até três semanas as investigações nos 21 frigoríficos pegos pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal (PF). A prioridade é liberar as seis unidades (dentro do grupo de 21) que realizaram exportações nos últimos 60 dias. O ministério informou ainda que há três unidades sob investigação que estão proibidas de vender inclusive para o mercado brasileiro. São duas da Peccin no Paraná e uma da BRF em Goiás.
Nesta quarta-feira (22), o México anunciou a suspensão de importações. Também adotam restrições a União Europeia (UE), China, Hong Kong, Suíça, Jamaica, Japão e Chile. A Coreia do Sul suspendeu e depois voltou atrás.
"Acreditamos que o autoembargo será suficiente para resolver o problema", disse o ministro durante uma visita ao frigorífico da Seara na cidade de Lapa, no interior do Paraná. Controlado pelo grupo JBS, o frigorífico não teve desvios sanitários. O problema na unidade, segundo o ministro, foram os supostos casos de corrupção envolvendo fiscais do Ministério da Agricultura e a empresa na expedição dos certificados de exportação. A unidade de Lapa só processa frangos, produz anualmente cerca de 140 mil toneladas e exportou em 2016 cerca de 60 mil toneladas para a China. A China é um dos maiores importadores de carne brasileira. No ano passado, o país respondeu por cerca de 12% das vendas externas nacionais, que totalizaram US$ 14 bilhões.
O secretário de Agropecuária do ministério, Luiz Rangel, afirmou que enviará os documentos e esclarecimentos solicitados pelas autoridades chinesas para que as mercadorias que hoje estão barradas nos portos daquele país sejam liberadas. Segundo Rangel, o governo chinês quer saber quais são os lotes de produtos exportados para a China a que se referem os casos relatados pela PF.
Das 58 fábricas que exportam para a China, somente a de Lapa foi suspensa pelo governo. No entanto, a unidade continua liberada para as vendas locais. "Não há risco sanitário", disse Blairo Maggi. O ministro afirmou que o bloqueio dessas 21 unidades para exportações é uma forma de mostrar aos importadores que existe "cautela" e "responsabilidade".
"Para nós, não há diferença entre consumidores, brasileiros ou estrangeiros. Mas não precisamos suspender as vendas internas, porque não há problemas sanitários", disse Maggi. O ministro reforçou que as medidas de autoembargo são uma forma de evitar as suspensões automáticas dos importadores.
A visita do ministro ao frigorífico de frangos da Seara com os secretários e fiscais do Ministério da Agricultura foi uma forma de mostrar que "não há risco de saúde e de qualidade da carne produzida naquela unidade". Maggi fez questão de reforçar que, na área de embutidos, era impossível misturar papelão na carne processada para fazer linguiça. A empresa está sob fiscalização, que deve ser concluída até o final desta semana.

Governo mobiliza diplomacia para tentar frear suspensão de carne brasileira no exterior

Diante da proliferação de países que passam a adotar embargos contra a carne nacional, o governo mobiliza o Itamaraty para explicar aos principais parceiros comerciais a situação da Operação Carne Fraca e convencer de que o que é exportado é seguro.
Hoje, o governo brasileiro tomará a iniciativa de ir à Organização Mundial do Comércio (OMC) para esclarecer a crise e tentar conter embargos. Serão apresentados dados do total envolvido na operação e uma explicação de que a ação da PF era sobre corrupção, e não sobre a qualidade da carne. Um documento também será enviado a todos os 165 países, na esperança de evitar novas barreiras.
Uma circular foi enviada pela chancelaria aos principais postos da diplomacia brasileira pelo mundo com dados do Ministério da Agricultura para que embaixadores entrem em contato com o governo local para tentar impedir qualquer tipo de medida considerada como exagerada. Ações e reuniões ainda foram agendadas para ocorrer em Berna, Pequim, Bruxelas e outras capitais.
Após a União Europeia (UE), China, Hong Kong, Suíça, Jamaica e Japão se tornaram os mais recentes países a proibir a importação de carne brasileira. Hong Kong liderou as importações de carnes e derivados brasileiros em 2016, com compras de US$ 1,849 bilhão. O Brasil pretende enviar informações e dialogar.
No exterior, deputados europeus pressionam a Comissão Europeia para que freie as negociações com o Mercosul diante da fraude na carne brasileira, enquanto autoridades veterinárias de Bruxelas criticam de forma dura a gestão do governo de Michel Temer em relação à crise e fazem até novas ameaças.
Ontem, a Comissão Europeia se reuniu com deputados do bloco e indicou que poderá ampliar o embargo contra produtos brasileiros. Em todos os portos do continente, autoridades estão colhendo amostras de carnes brasileiras e outros produtos que estejam entrando no mercado europeu. Se ficar provado que existem problemas de saúde nesses carregamentos, a UE deixou claro que "não hesitará em tomar novas medidas".
"Se o Brasil não nos der garantias, e se virmos que o problema é sistêmico, haverá consequência", disse Michael Scannell, chefe do escritório de Veterinária da Comissão Europeia. Segundo ele, Bruxelas pediu que todos os governos do bloco elevassem os controles sobre todos os alimentos de origem animal importados do Brasil. "Pedimos maiores controles físicos e a inclusão de controles de higiene", disse, indicando que o resultado desse esforço será conhecido na sexta-feira.

Auditores farão ato em frente ao Ministério da Agricultura hoje

Os auditores fiscais agropecuários vão realizar, hoje, às 15h, um ato público em frente ao Ministério da Agricultura, em Brasília. O movimento foi convocado pelo Sindicato Nacional da categoria (Anffa Sindical) e tem o objetivo de prestar esclarecimentos à sociedade sobre a importância do trabalho de fiscalização.
"É o trabalho do auditor fiscal federal agropecuário que certifica a qualidade do pescado, da carne, do frango, do produto orgânico que chega à mesa das famílias", afirmou o presidente da entidade, Maurício Porto, em nota. Sobre as críticas que a categoria vem sofrendo, Porto disse que a fiscalização atende aos padrões estabelecidos pela legislação. "A categoria tem todo o compromisso com a saúde do brasileiro e com o desenvolvimento da economia nacional."
Segundo Porto, os cargos de chefia e superintendência devem ser preenchidos por profissionais de carreira, submetidos a provas de títulos e que conheçam a região onde atuam, não por indicação política.
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