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Porto Alegre, quinta-feira, 02 de março de 2017. Atualizado às 23h47.

Jornal do Comércio

Economia

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Negócios Corporativos

Notícia da edição impressa de 03/03/2017. Alterada em 02/03 às 23h19min

Saint-Gobain quer ampliar a rede de lojas Tumelero

Corrêa celebra compra da empresa gaúcha e diz que marca será mantida

Corrêa celebra compra da empresa gaúcha e diz que marca será mantida


MARCO QUINTANA/JC
Guilherme Kolling
O relacionamento de fornecedor-distribuidor era antigo, há algumas décadas que a Tumelero vendia produtos fabricados pela Saint-Gobain. O namoro para uma possível aquisição também não é novo, já dura 10 anos. Ficou mais sério em 2016. Mas somente nesta quinta-feira o grupo francês Saint-Gobain, gigante do setor de materiais para construção, oficializou a aquisição da empresa gaúcha Tumelero Materiais de Construção. O valor do negócio não foi revelado.
Criada 1967, a Tumelero tem 29 lojas, cerca de mil funcionários e é líder no varejo de materiais de construção no Estado. O negócio foi encaminhado no ano passado, mas faltava a análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e trâmites burocráticos, que agora chegaram ao fim.
A Saint-Gobain já decidiu manter a bandeira Tumelero. Quer fortalecer a marca e expandir o número de lojas, o que, por consequência, ampliará vagas de trabalho. O Estado é o quarto em que o grupo ingressa no setor de varejo - com a bandeira Telhanorte, tem 41 lojas em São Paulo, Minas Gerais e Paraná. A aquisição da Tumelero faz com que a Saint-Gobain some 70 lojas em 46 cidades: passa a ser o maior varejista do setor em número de lojas no País.
O grupo francês também tem forte atuação na fabricação de materiais de construção e para a indústria. Conta com 17 mil funcionários no País e 170 mil no mundo. Em 2015, suas vendas no Brasil totalizaram R$ 8,7 bilhões. A empresa é líder mundial no mercado de materiais para a construção e a número 1 na Europa em distribuição.
Entre as principais marcas do portfólio da Saint-Gobain estão Brasilit, Norton, Sekurit, Weber Quartzolit e Telhanorte. No Brasil, tem 57 fábricas (cinco no Rio Grande do Sul), 43 centros de distribuição, 23 escritórios comerciais e um centro de pesquisa e desenvolvimento.
O diretor-geral da Saint-Gobain Distribuição Brasil, o paulista Manuel Corrêa, 32 anos no grupo, explica, nesta entrevista ao Jornal do Comércio, que a expansão da Tumelero passa por novas lojas e investimentos em e-commerce. E ressalta que o avanço do grupo é planejado a longo prazo, independentemente da conjuntura.
Jornal do Comércio - O grupo Saint-Gobain tem 80 anos de atuação no Brasil...
Manuel Corrêa - A celebração será durante o mês de março. E o grupo completou 351 anos em outubro do ano passado, é um dos mais antigos em atividade...
JC - Nesses 80 anos no País, a atuação no Rio Grande do Sul foi através de suas marcas próprias. Mas não tinha ainda uma estrutura de varejo...
Corrêa - A entrada da Saint-Gobain no varejo do Rio Grande do Sul é através da aquisição de 100% das ações da Tumelero, uma porta de entrada espetacular, pela tradição da marca, a qualidade da equipe, pessoas com 20, 30 anos de varejo em material de construção. É uma oportunidade única, maravilhosa, de chegar ao Rio Grande do Sul através de uma marca tão consolidada e que, pelos valores éticos, pelo atendimento ao cliente, é muito próxima do nosso jeito de pensar. As coisas demoraram um pouco por causa dos processos. No Cade, a aprovação foi no dia 30 de dezembro de 2016, às 17h30min. O processo durou sete meses.
JC - Foi oficializado apenas nesta quinta-feira?
Corrêa - Às 14h foi comunicada na França essa aquisição. E agora (nesta quinta-feira à tarde), aqui no Brasil.
JC - Desde quando o grupo Saint-Gobain pensava em vir para o Rio Grande do Sul?
Corrêa - Há muitos anos que tem esse, vamos dizer, "namoro". E um relacionamento sempre muito bom, correto (com a Tumelero), então deu muita tranquilidade a ambos os lados.
JC - Os valores do negócio não serão revelados?
Corrêa - Não.
JC - Vai ser mantida a bandeira Tumelero?
Corrêa - Vai ser mantida a bandeira Tumelero. Queremos expandir a rede, com a abertura de novas lojas, hoje são 29.
JC - Tem alguma meta para este ano?
Corrêa - Não, a gente ainda está no processo de integração, é a nossa prioridade agora, entender o funcionamento da empresa e ver as oportunidades que vão aparecer ao longo dos próximos meses. Mas o objetivo é, sim, a manutenção e geração de novos empregos.
JC - Hoje, são cerca de mil colaboradores na Tumelero. Seriam contratados mais a partir das novas lojas...
Corrêa - São cerca de mil colaboradores, com mais lojas e a expansão... Temos que desenvolver novos negócios. A gente quer, por exemplo, entrar no comércio eletrônico, o e-commerce, também isso vai gerar mais postos de trabalho, tem a abertura de novas lojas. Então tem bastante coisa a fazer.
JC - E os pontos de venda vão ser os mesmos, ou haverá alguma análise, alguma sinergia possível com outra operação do grupo?
Corrêa - Sinergia não existe, porque as atividades industriais da Saint-Gobain (no Rio Grande do Sul) têm localização em distritos industriais. E no varejo é completamente diferente, o ponto é uma das chaves do negócio, boa localização, em avenidas de tráfego intenso. Então não existe nenhuma possibilidade de sinergia com a Saint-Gobain. Sobre os pontos comerciais, o varejo é dinâmico. Tem que ver o crescimento da cidade, para onde está se desenvolvendo, e procurar se estabelecer nessas regiões de maior crescimento populacional.
JC - O grupo atua no varejo com a Telhanorte em São Paulo, Minas Gerais e Paraná. No Rio Grande do Sul, agora com a Tumelero. Existe a possibilidade de expandir para o Rio de Janeiro com a Telhanorte e para Santa Catarina com a Tumelero?
Corrêa - É um pouco cedo para projetar. Por enquanto, a gente quer fazer um bom processo de integração, fortalecer a marca e dar continuidade ao plano, já iniciado há cinco anos, de modernização das lojas, em que a empresa foi duplamente pioneira. Primeiro, trouxe o conceito de autosserviço para a região. Antigamente, no material de construção, era a venda de balcão. O autosserviço é quando se abre a loja e o consumidor vai até o produto, como é o supermercado. A Tumelero trouxe isso e também o conceito do home center, uma loja mais ampla, com maior variedade de produtos, desde a construção ao acabamento, e também um pouco de organização da casa e de decoração. Então a gente quer melhorar esse modelo e ampliá-lo.
JC - E qual é a importância de expandir a atuação no varejo no País?
Corrêa - O varejo representa hoje, praticamente, a metade das vendas mundiais da Saint-Gobain. O grupo faturou, em 2015, € 39,6 bilhões. É o líder na distribuição de materiais de construção na Europa.
JC - A vinda para o Rio Grande do Sul foi uma questão estratégica, ou pesou a oportunidade de comprar um grupo consolidado, como a Tumelero?
Corrêa - Um pouco dos dois. Em primeiro lugar, a questão de ter um grupo sólido, com marca, boa governança, isso é importante para uma boa aquisição. O segundo é que o Rio Grande do Sul é um estado espetacular, um dos maiores mercados do País, muito estável, que tem consumidor exigente. E a Tumelero tem tradição de excelência de serviço e atendimento.
JC - Ter uma rede de distribuição no Rio Grande do Sul pode ajudar a atrair, futuramente, algum investimento industrial do grupo Saint-Gobain?
Corrêa - Já existem operações industriais no Rio Grande do Sul: a Brasilit tem fábrica em Esteio; a Weber Quartzolit tem planta em Viamão; a Sekurit fabrica vidros automotivos em Gravataí (ao lado da General Motors); a Poli Tape (de fitas adesivas), em Canoas; e temos uma operação de mineração no Interior. Acreditamos no potencial do Estado e estamos honrados de começar uma atividade de varejo através da marca Tumelero, com 50 anos história.
JC - A Saint-Gobain recentemente comprou a SG Plásticos. O momento é bom para aquisições, ou o grupo antevê uma retomada da economia no Brasil?
Corrêa - A empresa é longeva, tem 351 anos, então tem um planejamento. A gente está no Brasil há 80 anos e com todas as divisões de negócios representadas aqui. Então é mais uma estratégia de longo prazo, de crescimento, de solidificação de uma base industrial e comercial relevante do que uma coisa de oportunidade. Mesmo porque negociações demoram um ano, dois anos. E a construção de uma unidade industrial grande, entre conceber e inaugurar, leva anos. Então é um pouco imune aos ciclos econômicos. É um olhar de longo prazo, evitar se contaminar pela euforia que a gente viveu há alguns anos ou pelo pessimismo, até exagerado, que a gente está vivendo agora.
JC - Como a empresa sentiu a crise?
Corrêa - Os dois últimos anos, principalmente para a indústria da construção, que representa muito para a Saint-Gobain, foram muito difíceis. Então não dá para dizer que a gente não sofreu. Teve que ajustar o nível de atividade, mas nada drástico. A gente espera que o pior já tenha passado, mas não espero nada de extraordinário em termos de crescimento (em 2017). O varejo está sofrendo muito: fechou mais de 200 mil lojas no Brasil nos últimos anos, só o varejo de material de construção fechou 22 mil lojas. É um ajuste brutal em pouquíssimo tempo.
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