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Porto Alegre, sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017. Atualizado às 14h52.

Jornal do Comércio

Economia

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Varejo

Notícia da edição impressa de 24/02/2017. Alterada em 24/02 às 09h30min

M.Grupo perde controle do shopping de Gravataí

Faturamento das 48 lojas ativas (na imagem, a praça de alimentação) caiu 70% devido ao calor no ambiente

Faturamento das 48 lojas ativas (na imagem, a praça de alimentação) caiu 70% devido ao calor no ambiente


Lojistas Shopping Gravataí/Divulgação/JC
Guilherme Daroit
A Justiça afastou o M.Grupo do comando do Shopping Gravataí na tarde desta quinta-feira. Inaugurado com pompa e promessas no fim de 2013 pelo M.Grupo, o Shopping Gravataí se transformou em dor de cabeça para os lojistas. Segundo os empresários locais, a energia elétrica do centro comercial não é paga desde agosto pelo gestor, envolto em falências e abandonos de obras nos últimos meses. Compradores, que investiram dinheiro e sonhos nas obras inacabadas, tomaram posse de três empreendimentos (dois em Gravataí e um Porto Alegre) em 2016. O grupo de empresários paulistas teve uma ascensão vertiginosa em pouca tempo, mas também decaiu rapidamente.  
Desde o dia 10 deste mês, quando teve a luz cortada, o shopping funciona com geradores que não garantem o funcionamento normal. A solução, na visão dos empresários, dependia do afastamento dos acionistas do M.Grupo, que operavam o empreendimento por meio da Gravataí Shopping e da Globalmalls, da administração do shopping.
Uma ação judicial nesse sentido, impetrada pela Ápice Securitizadora, credora do grupo, no Tribunal de Justiça (TJ-RS), acabou sendo deferida nesta quinta-feira. A Justiça nomeou a empresa Pro Overseas, de Porto Alegre, para administrar o empreendimento. A companhia já exerce a administração de outros três shopping do M.Grupo em situação idêntica. O superintendente do Shopping Total, Eduardo Oltramari, ligado a Overseas, será o gestor.
Segundo a advogada Eliane Fontoura Soster, que representa os lojistas, o corte na energia elétrica no início do mês pegou a todos de surpresa. Naquele dia, a administração os chamou para uma reunião, quando teria admitido ter contas em atraso. "Eles afirmaram que pagariam as contas e a luz voltaria em quatro horas, o que não ocorreu", conta Eliane. A solução do shopping foi instalar geradores, que funcionaram apenas no sábado, único dia em que as lojas conseguiram abrir no fim de semana seguinte. No domingo, o centro de compras não abriu.
Na segunda-feira, novos geradores, mais potentes, foram colocados no local. "Melhorou um pouco, mas os geradores, na prática, servem apenas para ligar as lâmpadas, não suportam o ar-condicionado, por exemplo", conta a advogada. Preocupados com a situação, os lojistas procuraram a RGE, concessionária responsável, e descobriram que as contas não eram pagas desde agosto. Segundo Eliane, o M.Grupo havia conseguido renegociar a dívida com a concessionária, mas deixou de pagar a primeira parcela do acordo, o que motivou o corte. Somados todos os meses em atraso de 2016 mais janeiro e fevereiro de 2017, a dívida total chega a R$ 1,790 milhão.
Um dos lojistas, que prefere não ser identificado, descreve o ambiente no shopping como um "calor infernal". A situação, aliada a buracos que se abriram na entrada do estabelecimento e não foram arrumados, levou o fluxo quase a zero. O faturamento das 48 lojas ativas caiu 70% desde o corte da energia, assegura a fonte. "Muitos dos lojistas ainda conseguiriam abrir outro negócio se o shopping fechar, mas o que fazer com os mil empregados diretos e indiretos?", questiona o lojista, que vê o centro comercial "morrendo aos poucos".
Em nota, o M.Grupo afirma que está fazendo um relatório financeiro com todos os pagamentos por loja até hoje, que será apresentado à Justiça, à imprensa e aos lojistas "em assembleia a ser marcada com urgência". "O que se sabe, e vai ser provado, é que muitos lojistas estão inadimplentes", afirma a nota.
Eliane rebate a acusação do grupo, argumentando que a inadimplência está em níveis normais. "E quem paga em dia como fica?", indaga a advogada. "Dizem que vão lançar a lista dos inadimplentes, mas não dizem quando vão restabelecer a energia e quando o shopping vai funcionar normalmente", continua Eliane. Os lojistas também criticam a falta de comunicação dos administradores, que não teriam informado até hoje por quanto tempo os geradores seguirão funcionando, por exemplo. "Nos venderam um sonho de um anel de diamantes, e nos entregaram uma pedra", lamenta o empresário.

Em Lajeado, lojistas se cotizaram e pagaram a conta para evitar corte de energia elétrica

No auge da expansão de suas atuações, o M.Grupo chegou a ter participação ou controle de cinco shoppings no Estado. Além do Gravataí, o Shopping Lajeado (na cidade do Vale do Taquari), o Max Shopping (em Santa Cruz do Sul), o Shopping Bento Gonçalves (na cidade da Serra) e o Aldeia Praia Shopping (em Xangri-lá) integravam a carteira. Os três últimos foram a leilão em setembro, mas não apareceram compradores. Já em Lajeado, a situação é muito parecida com a de Gravataí.
Por lá, segundo o advogado César Walmor Bublitz, que representa a Associação dos Lojistas do Shopping Lajeado, já há mais de um ano os aluguéis dos espaços deixaram de ser revertidos ao M.Grupo. As locações foram dadas como garantia a credores, que executaram a ação. A administradora também possui um acordo de renegociação de contas de energia elétrica atrasadas, que não teria sido honrado. A luz só não foi cortada, porque os lojistas pagaram as parcelas. "O M.Grupo renegociou, mas, na hora de pagar, foram os lojistas que se mexeram", argumenta o advogado.
A solução definitiva, na visão do advogado, passa também pela destituição do M.Grupo da administração do Shopping Lajeado. Os lojistas já conseguiram judicialmente a gestão sobre o fundo de promoção e propaganda (ferramenta de marketing do shopping), e agora esperam decisão que troque de mãos a gestão do centro de compras.
"Trabalhamos no sentido de que haja soluções mais definitivas, como um síndico ou interventor, de forma que os valores passem a ser direcionados às despesas", comenta Bublitz. A reclamação dos empresários locais é de que as quantias que ainda são pagas ao M.Grupo têm suas finalidades desviadas, não sendo investidas no próprio shopping. Outra ação, impetrada pela RB securitizadora, também credora do M.Grupo, tenta executar o prédio, e já estaria na fase de avaliação do imóvel.
Um lojista, que pediu para não ser identificado, argumenta que a situação não chegou ao ponto de Gravataí, porque a associação foi reativada ainda em 2015. "Percebemos que havia irregularidades, pois não prestavam contas dos valores do condomínio", conta. O lojista afirma que a água, contratada de poços artesianos, também não estaria sendo paga há dois anos. Apesar de tudo, o fluxo é visto como bom. "O movimento neste ano até deu uma reagida, estamos conseguindo segurar, pois mostramos que não somos nós o problema", afirma.
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Comentários
Sergio Moro 24/02/2017 14h43min
E os sócios da M. desfilando em carros de mais de R$ 1 Milhão, às custas do dinheiro dos empresários e trabalhadores honestos. Espero que a justiça haja e puna esses bandidos.