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Porto Alegre, domingo, 19 de fevereiro de 2017. Atualizado às 21h10.

Jornal do Comércio

Panorama

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Cinema

Notícia da edição impressa de 20/02/2017. Alterada em 19/02 às 15h34min

Moonlight é estreia da semana nos cinemas

Inspirado em peça inédita, Moonlight retrata história de menino em busca de sua identidade

Inspirado em peça inédita, Moonlight retrata história de menino em busca de sua identidade


DIAMOND FILMS/DIVULGAÇÃO/JC
Luiza Fritzen
Com oito indicações ao Oscar e vencedor do Globo de Ouro de melhor drama, estreia na quinta-feira Moonlight: sob a luz do luar. Retratando uma história triste e, ao mesmo tempo, revoltante, o longa traz para o cinema uma jornada que é deixada à margem e que não é comum em Hollywood.
A obra foi inspirada em um projeto de faculdade do dramaturgo Tarell Alvin McCraney, In Moonlight Black Boys Look Blue, e faz uma crítica social ao abordar clichês como o jovem negro, o traficante e a mãe viciada. O roteiro foi adaptado por Barry Jenkins, que também dirige o filme, e expõe a importância do meio e das pessoas que nos cercam em nossa construção como indivíduo.
O drama mostra que, apesar da doçura e bondade que carrega em si, um ambiente hostil e a falta de assistência durante o desenvolvimento de um ser implicam no caminho que ele irá seguir. E é através de muitas surras que a essência pura de um menino é roubada.
Quase como fases da lua, a narrativa é dividida em três tempos para contar a trajetória de Chiron: quando criança, Little; já na adolescência, Chiron; e chegando a vida adulta, Black. Os três atores escolhidos para registrar esses diferentes momentos, Alex R. Hibbert (infância), Ashton Sanders (adolescência) e Trevante Rhodes (adulto), conseguem passar toda a dor reprimida e o vazio interno de quem se sente só no mundo e consigo mesmo.
Negro e pobre, filho de uma mãe drogada que se prostitui para sustentar o vício, o desfecho do filme pode parecer esperado, não fosse outro estigma que o jovem carrega. Rotulado como diferente, mesmo quando sua idade e maturidade não permitiam compreender em que sentido, Chiron não se adequa ao padrão de menino robusto que vive atrás de meninas. Seu único amigo, Kevin, é quem lhe guia na saga em busca de seu autoconhecimento e também dá início a outra decepção.
Estigmatizado em diversos níveis, sexualidade, raça e classe multiplicam as opressões e a fragilidade dos laços afetivos começa já em casa. Sua mãe, Paula (Naomi Harris), o trata de forma indiferente, sem zelo e sem amor, e é mais uma a lhe reprimir por sua sexualidade e comportamento fora do comum.
Estranhamente, é na figura de desconhecidos que o menino encontra refúgio. Fugindo de uma surra preparada por colegas, Chiron se esconde próximo a boca de fumo do traficante Juan, com quem começa uma amizade. Indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante, Mahershala Ali, conhecido por suas atuações em séries como House of Cards e Luke Cage, é quem interpreta a pseudofigura paterna e ensina ao menino alguns conceitos sobre a vida.
É com Juan que o personagem vive uma de suas poucas e mais felizes cenas ao conhecer o mar e aprender a nadar. No entanto, a relação entre os dois causa outra ruptura no menino quando ele liga os fatos e descobre que o vício da mãe é alimentado pelo traficante. Teresa (Janelle Monáe), namorada de Juan, é quem faz a vez de figura materna e se mostra preocupada com o menino apesar da ausência de laços sanguíneos. A soma da violência simbólica, física, psicológica e cultural que o personagem sofre resulta em um homem solitário e quieto, que não se abre e nem confia nas pessoas ao seu redor.
Moonlight concorre ainda nas categorias de melhor diretor, trilha sonora original, atriz coadjuvante, roteiro adaptado, fotografia e melhor montagem. A fotografia merece destaque pois valoriza o luar, o azul, o tom da pele dos atores e utiliza diferentes cores para registrar cada passagem da vida de Chiron. Outro aspecto que chama a atenção, sendo fiel à peça, é a ausência de personagens brancos, o que dá o tom de protagonismo negro à trama e permite que a questão da sexualidade se sobressaia à racial.
Sem reviravoltas e um ápice redentor, o filme faz um estudo do personagem em busca de aceitação e do quão solitário é descobrir quem se é com as influências externas. É uma história pessoal e, ao mesmo tempo, universal que permite o exercício da empatia a quem é capaz de entender a vivência e as dificuldades do outro.
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