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Porto Alegre, domingo, 26 de fevereiro de 2017. Atualizado às 21h01.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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inovação

Notícia da edição impressa de 27/02/2017. Alterada em 24/02 às 17h15min

Startups brasileiras disputam o próprio quintal com globais

FREEPIK.COM/DIVULGAÇÃO/JC
Uma batalha de cupons de descontos tomou de assalto a internet em dezembro de 2016. O confronto opunha dois rivais: o serviço brasileiro Spoonrocket - irmão mais novo do iFood - e o recém-chegado Uber Eats, braço "de comida" da gigante, avaliada em US$ 62,5 bilhões. Ambos fazem entrega de pratos de restaurantes gourmet. O embate também ganhou as ruas: antes da estreia do Uber Eats no País, motoboys eram disputados um a um pelas empresas.
Dois meses depois, o conflito direto deu lugar a uma guerra fria. "Ainda vai levar tempo para a rivalidade ficar forte", avalia Roberto Gandolfo, presidente executivo do Spoonrocket, que estreou em São Paulo em setembro. De lá para cá, a empresa chegou a Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília - além de fazer testes em Porto Alegre. Seu rival está apenas na capital paulista.
Principal receio que a chegada de um rival de porte pode trazer, a desaceleração no crescimento não chegou à Spoonrocket. No primeiro mês após a estreia, a empresa teve 20 mil pedidos - em dezembro, chegou a 60 mil. Segundo apurou o Estado, a empresa fatura cerca de R$ 2 milhões por mês. O Uber Eats não revela números, mas vê um mercado amplo para explorar. "Todos que têm um celular são possíveis usuários do Uber Eats", diz um porta-voz da empresa.
Até mesmo empresas mais consolidadas sofrem com rivais que vêm de fora. É o que ocorreu com os apps de transportes: após unir taxistas e passageiros, as startups Easy e 99 (ainda com o sobrenome "Táxi") sentiram o golpe quando o Uber chegou ao País, em 2014. Além de ser mais barato, o Uber elevou o padrão de atendimento: água e balas nos carros viraram regra.
Sem muito dinheiro no bolso, Easy e 99 demoraram para reagir. As duas empresas lançaram seus serviços de carros particulares (Easy Go e 99 POP) em meados de 2016, apenas em São Paulo. "Foi um período modesto em investimentos", diz Paulo Veras, cofundador e presidente do conselho da 99. "É difícil concorrer em pé de igualdade com os estrangeiros em investimentos."
A sorte da 99 mudou em dezembro de 2016, quando recebeu um aporte de mais de US$ 100 milhões, liderado pela chinesa Didi Chuxing. "Temos 250 vagas abertas para dobrar nossa equipe. Vamos lançar o 99 POP em pelo menos 10 cidades até o fim do ano", diz Veras. Além de dinheiro, os chineses também trazem conhecimento à 99 - não só tecnológico, mas também sobre como frear o Uber. Em junho de 2016, a Didi comprou a operação chinesa do Uber, se tornando a primeira empresa a desbancar a rival norte-americana.
Ainda sem uma grande parceria definida, a Easy passou 2016 tentando equilibrar as contas. "Em setembro, tivemos nosso primeiro mês de lucro em todos os países onde estamos", diz o venezuelano Jorge Pilo, copresidente executivo da startup, que está em 30 países.
Para 2017, o plano é voltar a investir para não ficar para trás. A empresa pretende expandir sua equipe de tecnologia e vai apostar em novas fontes de receita, como usar o app para medir a qualidade do sinal de banda larga móvel (3G/4G) - e vender os dados para as operadoras. "Posso subsidiar o negócio e chegar ao ponto de não cobrar uma corrida para conquistar usuários", exemplifica Pilo.
No passado, a falta de capital para investir matou negócios antes mesmo de ameaças estrangeiras chegarem no País. Em 2012, o serviço de streaming de música Sonora, do portal Terra, enfrentava apenas o finado Rdio - nomes como Deezer e Spotify ainda não estavam no País. Na época, o Sonora tinha 500 mil usuários, e os executivos anteviam a vinda dos "gringos".
"Precisávamos investir no catálogo e na experiência do usuário para crescer", lembra o executivo Flávio Sousa, que trabalhou no serviço. No entanto, faltava dinheiro, e o Sonora acabou desligando toda a equipe no final de 2012. Dois anos depois, vendeu sua base de usuários ao norte-americano Napster.

Trunfo para o sucesso é conhecer a economia local

Dinheiro na mão nem sempre é suficiente. Conhecer a cultura local e investir em atendimento podem ajudar empresas brasileiras. É no que crê a Easy, que elevou a barra para recrutar motoristas: "O Uber teve crescimento importante, mas há queda na qualidade", diz Jorge Pilo, copresidente executivo da Easy.
Estar próximo do governo também pode ser útil - a 99 aposta em boas relações com prefeituras para diversificar seus negócios. Questionado, o Uber não revela planos, mas diz estar "sempre em busca de novos mercados para seus produtos".
Às vezes, porém, é preciso trocar de pele para bater a concorrência. O Peixe Urbano fez isso: o site de compras coletivas disputou o mercado com o gigante Groupon, mas os dois cresceram rápido demais e tiveram problemas com fornecedores.
Em 2013, o Peixe se transformou em um site de venda de serviços - sem número mínimo de compradores para ativar uma oferta. O movimento chamou a atenção da chinesa Baidu, que comprou uma fatia majoritária da empresa - o valor da transação não foi divulgado. Com dinheiro em caixa, a empresa voltou a crescer. Em 2016, registrou o maior faturamento da história.

Vantagem está na facilidade de mudar

Matos entende que é preciso se preparar para enfrentar 'ameaças estrangeiras'
Matos entende que é preciso se preparar para enfrentar 'ameaças estrangeiras'
START-UP BRASIL/DIVULGAÇÃO/JC
"Nem sempre a vinda de um 'grandalhão de fora' é uma sentença de morte. Só significa que haverá muito trabalho pela frente", avalia Felipe Matos. Sua fala tem conhecimento de causa: hoje, ele é um dos principais nomes da cena de startups do Brasil, depois de ter cuidado de programas como o Startup Weekend, que deu origem à Easy, e o Startup Brasil, do governo federal.
No entanto, seu maior feito é ter fundado a Startup Farm, uma das maiores aceleradoras da América Latina - lá, ele tem papel duplo: além de investir nas empresas, seu papel é orientá-las para seguir adiante.
Para Matos, as empresas brasileiras precisam se preparar atentamente para enfrentar "ameaças estrangeiras". "Há um risco grande no mercado: validar uma hipótese e ver um rival tomar seu espaço. O melhor a fazer é focar em crescer rapidamente." Acompanhe os principais trechos da entrevista:
Que tipo de negócios estão mais sujeitos a uma "invasão estrangeira"?
Esse tipo de situação entre empresas brasileiras e grupos estrangeiros acontece especialmente em negócios que têm barreira de entrada baixa, com pouca regulamentação e questões mais simples do ponto de vista tecnológico. Quanto mais regulado é o setor, maior vantagem competitiva tem a empresa nacional. Setores muito regulados, como a área de saúde ou de finanças, são normalmente mais difíceis para empresas estrangeiras. A Totvs, por exemplo, é um caso de sucesso de empresa voltada ao mercado corporativo que conseguiu se estabelecer há muito tempo, porque focou um setor bem regulado e cheio de idiossincrasias, o de pagamento de impostos.
Como uma startup brasileira pode se preparar?
O melhor que a empresa pode fazer é pensar dois passos adiante e focar em crescer rapidamente. Em muitos casos, as startups começam com negócios interessantes, provam eles dentro de um protótipo e demoram para ganhar mercado. Há um risco muito grande: o de validar uma hipótese e ver um grupo rival, com maior capacidade de investimento, entender aquele mesmo modelo e tomar o seu espaço. Se a startup consegue crescer rápido, ela também pode fazer rodadas de investimentos maiores. O Nubank é um bom exemplo: quando ele começou a incomodar os bancos, eles já tinham se capitalizado bastante.
Concorrer contra uma empresa estrangeira, capitalizada, significa a morte de uma startup?
Não necessariamente. A empresa estrangeira também precisa trabalhar para ser bem-sucedida: não basta só ter investimento, é preciso também ter equipe local, velocidade de resposta maior e flexibilidade para atender os clientes brasileiros. Às vezes, ideias que funcionam bem lá fora não se encaixam bem no Brasil. A vantagem de uma startup é sua facilidade de mudar. Nem sempre a vinda de um "grandalhão de fora" é uma sentença de morte. Só significa que haverá muito trabalho pela frente.
Como investidor, situações de concorrência acirrada tornam as empresas mais interessantes?
Se o negócio chama atenção a ponto de ter mercado para um estrangeiro entrar no Brasil, há duas opções: a empresa brasileira vai crescer, ou pode haver uma consolidação. Em mercados em que há esse tipo de disputa, como os de aplicativos de transporte, o principal caminho é a consolidação.

InovAtiva auxilia na captação de R$ 39 milhões em investimentos no Brasil

Participar de programas de aceleração pode ser a estratégia ideal para que empresas inovadoras iniciantes possam aprimorar seu modelo de negócios e atingir rapidamente a atenção de investidores, conquistar mais consumidores e um maior faturamento. Dois terços das startups aceleradas pelo InovAtiva Brasil afirmam que aumentaram seu valor de mercado em pelo menos 50% depois de passarem pelo programa.
Os dados são de uma pesquisa do Sebrae sobre o programa de aceleração InovAtiva Brasil, que foi divulgada na Campus Party, no início de fevereiro. O estudo entrevistou 114 empresas que participaram do programa entre 2013 e 2015, 61% das 186 aceleradas nesse período. Nesse grupo, que teve ao menos um ano de evolução após a aceleração, o estudo mostrou uma valorização média das startups no mercado de 228%.
O InovAtiva é realizado desde 2013 pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) e, desde 2016, conta com a correalização do Sebrae. Nesses quatro anos, foram 415 startups aceleradas de 23 estados em todas as regiões do País, espalhadas em 101 municípios. Todas essas empresas passaram por quatro meses de capacitação on-line, mentorias individuais e eventos presenciais de treinamento e conexão com potenciais investidores, clientes e parceiros.
Um dos destaques da pesquisa é em relação aos investimentos recebidos pelas startups aceleradas entre 2013 e 2015. Quase metade das empresas desse grupo conseguiu captar recursos de aceleradoras privadas, investidores anjo, fundos de investimento e linhas de fomento e subvenção. No total foram R$ 39,1 milhões de reais captados, valor quase oito vezes maior que os R$ 5,1 milhões investidos pelo Mdic no programa no mesmo período.
As empresas aceleradas também têm maior índice de contratação. Mesmo em um momento de recessão da economia brasileira e desemprego recorde, conforme divulgado pelo IBGE no dia 31 de janeiro, as startups do InovAtiva aumentaram em média 71% o quadro de funcionários - em média, cada empresa acelerada contratou 2,8 funcionários desde a passagem pelo programa.
Desempenho semelhante foi verificado em relação ao faturamento das startups aceleradas. A pesquisa mostra que 43% das empresas entraram no programa sem registrar faturamento, e apenas 18% tinham vendas anuais acima de R$ 200 mil. Em 2016, 14% fecharam o ano sem vendas, e 43% faturaram mais de R$ 200 mil - quase 15% delas acima de R$ 1 milhão anual.
O secretário de Inovação e Novos Negócios do Mdic, Marcos Vinícius de Souza, afirmou na apresentação que o foco do programa é quem comparece à Campus Party. "Quem está aqui e é da área de tecnologia tem ideias fantásticas, mas falta o conhecimento de mercado. O InovAtiva vai prepará-los para o ambiente de negócios e colocá-los em contato com investidores nacionais e internacionais." Ele lembrou que as inscrições para a primeira edição deste ano estão abertas até 20 de fevereiro.
A Diretora Técnica do Sebrae, Heloisa Menezes, também participou da apresentação da pesquisa e destacou que há grandes talentos na Campus Party e é de extrema importância para o Sebrae transformar os serviços e produtos em soluções de negócios. "Para nós a parceria com o InovAtiva é fundamental, pois podemos somar nossas forças com empreendimentos incríveis para promover o crescimento digital", comentou Heloisa.
Incluindo as empresas participantes da primeira edição do InovAtiva 2016, a pesquisa mostra a avaliação que os empreendedores fazem do programa. Mais de 78% afirmam que recomendam o InovAtiva Brasil a outros empreendedores, resultando em um Net Promoter Score de 75. O estudo ainda traça ainda um perfil dos empreendedores, que na maioria são homens (87%), de 25 a 44 anos (79%) e têm curso superior completo (43%) ou pós-graduação (44%).
O segmento de Tecnologia da Informação e Comunicação é o que se destaca entre as empresas ouvidas (38%), seguido por educação (10%), agronegócios (8%) serviços (7%) e saúde (7%). Do total, 86% são voltadas para atender outras empresas (B2B), 37% o consumidor final (B2C) e 22% o governo (B2G).
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