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Porto Alegre, terça-feira, 17 de janeiro de 2017. Atualizado às 12h13.

Jornal do Comércio

Política

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Reestruturação do Estado

08/01/2017 - 21h16min. Alterada em 08/01 às 21h38min

Intelectuais, artistas e cientistas pedem que Sartori suspenda extinção de fundações

Assembleia aprovou as extinções mesmo sob pressão de servidores ligados às fundações

Assembleia aprovou as extinções mesmo sob pressão de servidores ligados às fundações


Juarez Junior/Agência ALRS/JC
Patrícia Comunello
A extinção de fundações públicas no Rio Grande do Sul provocou a reação de um grupo eclético e que poucas vezes se uniu por uma mesma causa na história recente. Intelectuais, artistas, pesquisadores ligados a universidades e academias de ciência e ex-secretários de Estado lançam, nesta segunda-feira (9) às 18h no Chalé da Praça XV, Centro Histórico de Porto Alegre, a Carta Aberta ao Governo do Estado que apela para que o governador José Ivo Sartori (PMDB) suspenda o processo que levará ao fim das atividades de nove instituições.
A iniciativa, menos de 20 dias após a Assembleia Legislativa aprovar as extinções, reúne nomes de projeção em suas áreas como os escritores Luiz Fernando Verissimo, Martha Medeiros, Sérgio Faraco e Armindo Trevisan, o cineasta Jorge Furtado, o ator Zé Victor Castiel, os músicos Yamandu Costa e Nei Lisboa, o publicitário Alfredo Fedrizzi, o médico e pesquisador Ivan Izquierdo e ex-reitores da Ufrgs, como Hélgio Trindade e Carlos Alexandre Netto. São 65 personalidades no movimento.
Para justificar a ação, o documento previne que "sem diálogo não há futuro". Os participantes propõem que se crie "um fórum de diálogo e negociação", com representantes das organizações da sociedade civil e especialistas das áreas de conhecimento científico, tecnológico e cultural. O grupo entregará ainda nesta segunda a carta a um representante do governo.
Proposta por Sartori dentro do pacote de reestruturação do Estado e justificada para reduzir gastos, a extinção, que ainda depende de sanção do Palácio Piratini, também foi alvo nas últimas duas semanas de decisões da Justiça do Trabalho suspendendo os desligamentos. No total, o governo projeta 1,2 mil demissões. Liminares impedem cortes na Fundação Piratini (TVE e FM Cultura), Fundação de Economia e Estatística (FEE), Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec), Fundação para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (FDRH), Fundação de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan) e Fundação Zoobotânica (FZB). O quadro da Corag, que não é citada na carta, conseguiu liminar adiando as rescisões. Fepagro, Fepps e Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (FIGTF) são as outras a serem extintas.        
O grupo defende uma negociação com todos os segmentos que "expressem a diversidade de posições existentes para formular alternativas exequíveis e profícuas para a superação da crise do Estado e o desenvolvimento do Rio Grande do Sul". "Extinguir fundações de pesquisa, planejamento e cultura significa muito mais do que fechar 1,2 mil postos de trabalho e, assim, diminuir despesas. Os senhores (governo) e a população bem informada sabem que, com essas fundações se vai parte fundamental da possibilidade de desenvolvimento científico, tecnológico e cultural do Estado", argumentam os apoiadores.
O documento ressalta que os motivos financeiros para fechar as instituições, que representam 0,69% do orçamento, são frágeis devido ao baixo impacto. O grupo lembra ainda que o governo terá de contratar e gastar com serviços privados para atender suas necessidades. Os idealizadores da carta cobram transparência na divulgação de beneficiários de incentivos fiscais. A 7ª Vara da Fazenda Pública determinou que sejam repassados os dados de isenções. O pacote estadual prevê redução em 30% no crédito fiscal presumido, que é concedido a empresas em diversos setores econômicos.  
"A grandeza e a biografia dos senhores como gestores públicos, neste momento, estão na aceitação do lado justo e democrático da equação política – o lado das informações transparentes, do debate público qualificado e da negociação das decisões que se mostrarem melhores para o Rio Grande do Sul”, conclui o documento. 

Quem assina a Carta Aberta ao Governo do Estado:

  • Abrão Slavutzky (psicanalista)
  • Alfredo Fedrizzi (jornalista e publicitário, ex-diretor executivo da TVE)
  • Alfredo Gui Ferreira (botânico, professor aposentado da Ufrgs, ex-presidente da Agapan)
  • Alfredo Jerusalinsky (psicanalista e diretor do Centro Lydia Coriat, de Porto Alegre e Buenos Aires)
  • Armindo Trevisan (poeta, crítico de arte e ensaísta)
  • Bagre Fagundes (folclorista e compositor)
  • Benedito Tadeu César (cientista político, ex-coordenador do Labors/Ufrgs e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política (PGCP)/Ufrgs)
  • Carlos Alexandre Netto (médico, neurocientista e ex-reitor da Ufrgs)
  • Celso Loureiro Chaves (pianista, compositor e professor da Ufrgs)
  • Cíntia Moscovich (escritora e patronesse da Feira do Livro de Porto Alegre)
  • Cláudio Accurso (economista e ex-secretário do Planejamento do Estado)
  • Deborah Finocchiaro (atriz, diretora e produtora teatral)
  • Edgar Vasques (cartunista e ilustrador)
  • Enéas de Souza (economista, psicanalista, crítico de cinema e ex-secretário de Ciência e Tecnologia do Estado)
  • Ernesto Fagundes (cantor)
  • Esther Pillar Grossi (educadora e coordenadora de pesquisa do Geempa)
  • Fernanda Carvalho (jornalista e apresentadora de TV)
  • Flávio Kapczinski (médico psiquiatra, professor da Ufrgs e membro da Academica Brasileira de Ciências)
  • Flávio Tavares (jornalista e escritor)
  • Francisco Marshall (historiador, professor da Ufrgs e produtor cultural)
  • Gilberto Perin (jornalista, fotógrafo e diretor de cena)
  • Hélgio Trindade (cientista político e ex-reitor da Ufrgs e ex-reitor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana/Unila)
  • Hique Gomez (músico e ator)
  • Horácio Dottori (astrônomo e professor emérito da Ufrgs)
  • Ivan Izquierdo (neurocientista e coordenador do Centro de Memória e de Altos Estudos do Instituto do Cérebro da Pucrs)
  • Jefferson Cardia Simões (professor titular da Ufrgs, membro da Academia Brasileira de Ciências)
  • Jorge Furtado - cineasta, fundador e membro da Casa de Cinema de PoA
  • Kathrin Rosenfield - crítica literária e professora da UFRGS
  • Katia Suman (radialista)
  • Leonardo Melgarejo (engenheiro agrônomo e presidente da Associação Gaúcha de Proteção do Ambiente Natural/Agapan)
  • Luís Augusto Fischer (escritor, professor da Ufrgs e ex-patrono da Feira do Livro de Porto Alegre)
  • Luis Fernando Verissimo (escritor, cartunista, roteirista de TV e autor de teatro)
  • Luiz Antônio de Assis Brasil (escritor, professor da Pucrs e ex-secretário de Cultura do Estado)
  • Luiz Osvaldo Leite (professor de filosofia, ex-diretor do Instituto de Psicologia da Ufrgs e ex-presidente da Ospa)
  • Luiz Paulo Vasconcellos (ator, diretor teatral)
  • Márcia C. Barbosa (professora de física da Ufrgs e membro da diretoria da Academia Brasileira de Ciências)
  • Maria Amélia Bulhões (historiadora da arte e presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte)
  • Maria Aparecida Grendene de Souza (economista e ex-presidente do Conselho Regional de Economia-RS)
  • Maria Beatriz Luce (educadora, ex-reitora da Unipampa e ex-secretária de Educação Básica do Ministério da Educação)
  • Maria Benetti (economista, especialista em economia agrícola)
  • Martha Medeiros (jornalista e escritora)
  • Moisés Mendes (jornalista)
  • Nei Lisboa (músico e compositor)
  • Néstor Monasterio (diretor e produtor teatral)
  • Paula Ramos (historiadora da arte e professora do Instituto de Artes da Ufrgs)
  • Paulo Fagundes Visentini (historiador e ex-coordenador do PPG de Relações Internacionais da Ufrgs)
  • Paulo Flores (ator e membro da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz)
  • Paulo Romeu Deodoro (professor de música e diretor musical Afrosul/Odomode)
  • Pedro Dutra Fonseca (economista e ex-vice reitor da Ufrgs)
  • Rafael Pavan dos Passos (arquiteto, presidente da IAB-RS)
  • Regina Zilberman (crítica literária e professora do Instituto de Letras da Ufrgs)
  • Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo (sociólogo e coordenador do PPG de Ciências Sociais da Pucrs)
  • Rogério Beretta (ator)
  • Rualdo Menegat (geólogo, professor do Igeo/Ufrgs e coordenador-geral do Atlas Ambiental de Porto Alegre)
  • Ruben G. Oliven (antropólogo, ex-presidente da Associação Brasileira de Antropologia e da Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais)
  • Ruy Carlos Ostermann (jornalista, ex-secretário de Ciência e Tecnologia e ex-secretário de Educação do Estado)
  • Sandra Dani (atriz e ex-professora do Departamento de Artes Dramáticas da Ufrgs)
  • Santiago (cartunista)
  • Sérgio Faraco (escritor)
  • Tiago Holzmann da Silva (arquiteto e ex-presidente do IAB-RS)
  • Vitor Ramil (cantor, compositor e escritor)
  • Yamandu Costa (violonista e compositor)
  • Zé Adão Barbosa (ator e diretor teatral)
  • Zé Victor Castiel (ator e produtor)
  • Zoravia Bettiol (artista visual, designer e arte educadora)
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Comentários
ADRIANO 17/01/2017 10h56min
Boa iniciativa; porém NADA fará o gringo da colônia recuar. É ele o dono da verdade e ponto.
Rodrigos Santos 09/01/2017 14h36min
Parabéns pela iniciativa por esse ato relevante à sociedade!nNão podemos entregar de bandagem ao "amigos" do governo e de todos seu "apadrinhados" a cultura, o desenvolvimento, a arte, tecnologia, dessa forma! nJá é hora de sociedade acordar ao fato de que todos os gaúchos e gaúchas sofrerão e pagarão por esses serviços privatizados, de baixa qualidade depois.n