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Porto Alegre, sexta-feira, 27 de janeiro de 2017. Atualizado às 01h40.

Jornal do Comércio

Opinião

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Editorial

Notícia da edição impressa de 27/01/2017. Alterada em 27/01 às 02h32min

Donald Trump confirma recuo no comércio exterior

Apesar dos protestos até mesmo em Washington, no dia da sua posse, o novo presidente dos Estados Unidos da América (EUA) está cumprindo com suas promessas que deixaram muitos líderes mundiais na defensiva. E a primeira delas foi retumbante, quando, por decreto, Donald Trump retirou o país da Parceria Transpacífico (TPP, na sigla em inglês).
A decisão de Trump de abandonar o TPP é, até certo ponto, apenas uma formalidade, uma vez que dificilmente o tratado seria ratificado pelo Senado, controlado pelos republicanos. Especialistas em comércio exterior duvidam que a medida deva conter perdas de postos de trabalho dentro dos Estados Unidos. Donald Trump, no entanto, chamou o decreto de "uma grande coisa para os trabalhadores americanos".
O acordo visa eliminar a maioria das tarifas e outras barreiras comerciais entre EUA, Japão, Canadá, México, Austrália, Vietnã, Malásia, Peru, Chile, Brunei, Cingapura e Nova Zelândia. A China não faz parte da iniciativa.
Ainda assim, a decisão de Trump de enterrar o acordo de Barack Obama em sua primeira semana mostra que mudará mesmo a política comercial norte-americana, após décadas de neoliberalismo, privilegiando um estilo de mais confrontação com a China e outros parceiros comerciais, com potenciais grandes tarifas para países que não se mostrarem dispostos a fazer concessões.
Ao assinar o decreto, Trump realçou que "vinha falando sobre isso há um longo tempo". Realmente, há quem critique um acordo comercial com transparência zero e uma linguagem jurídica elaborada pelas corporações multinacionais.
Trump agora confirmou a construção de um novo muro na fronteira com o México, com 3.200 quilômetros, um custo estimado de
US$ 8 bilhões, dizendo que a conta será apresentada ao México, algo que os mexicanos rechaçam.
Na campanha, Trump disse que o custo deveria ser bancado pelo governo do vizinho país, o que, decididamente, não entra nas contas do governo mexicano. Com o impasse, o presidente do México, Enrique Peña Nieto, cancelou viagem aos EUA.
O presidente que assinou o TPP, Barack Obama, que engloba cerca de 80% do comércio mundial, esperava que suas regras comerciais pressionassem Pequim a reduzir vantagens dadas às suas empresas estatais, respeitando a propriedade intelectual e reduzindo tarifas para além dos níveis exigidos quando o país entrou na Organização Mundial de Comércio (OMC), há 15 anos. Porém, Trump vê com ressalvas os blocos comerciais multilaterais e prefere outros métodos, como a busca por acordos bilaterais.
Na campanha, o presidente criticou o acordo Nafta, na sigla em inglês, e a entrada da China na OMC. Por isso, uma renegociação do Nafta, com o México e o Canadá, será o próximo passo na mudança do comércio exterior do novo presidente dos EUA.
Também Trump determinou o congelamento das contratações em todo o governo federal, com ordem que afetará o funcionalismo público, "com exceção da área militar". Durante sua campanha, Trump havia prometido suspender as contratações, algo que ele diz considerar parte de um grande esforço para "limpar a corrupção e os interesses especiais em Washington".
Plano apresentado durante a corrida eleitoral havia deixado como exceções as áreas de segurança e saúde pública, o que não foi mantido no decreto. Decididamente, a Casa Branca tem um forte nacionalista no comando desde o dia 20 de janeiro.
 
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