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Porto Alegre, segunda-feira, 30 de janeiro de 2017. Atualizado às 15h45.

Jornal do Comércio

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Clima

Notícia da edição impressa de 30/01/2017. Alterada em 30/01 às 00h12min

Um ano depois, temporal mantém cicatrizes

Isabella Sander
Um temporal de aproximadamente 20 minutos deixou cicatrizes em Porto Alegre percebidas até hoje, um ano depois, por seus moradores. Às 22h do dia 29 de janeiro de 2016, uma forte chuva acompanhada de vento de 120 km/h causou inúmeros estragos na cidade. A tempestade causou a queda de 3 mil árvores e um prejuízo de cerca de R$ 50 milhões aos cofres públicos municipais.
Moradora da rua Gonçalo de Carvalho por toda a sua vida, Maria Leonor Carpes acompanhou a construção do túnel verde que garantiu ao logradouro o apelido de "rua mais bonita do mundo". Em 29 de janeiro do ano passado, foi com tristeza que a servidora pública aposentada viu o temporal deixar um cenário de caos no local. "Foi um horror. O meu edifício alagou, o apartamento de cima foi totalmente danificado. Quando eu olhei para a rua no dia seguinte, não acreditei no que estava vendo. Uma árvore em cima do estacionamento, o muro de um edifício caído, as copas das árvores todas no chão. A tristeza estava instaurada na Gonçalo", define.
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A Gonçalo de Carvalho foi decretada Patrimônio Histórico, Cultural, Ecológico e Ambiental do município em junho de 2006 e possui um histórico de luta pela sua preservação por parte dos moradores do logradouro. "Não tinha um morador que não consolasse o outro naquele dia", recorda Maria Leonor. Um ano depois, a copa se mantém mais aberta do que de costume. "Mas, para nós, continua sendo a rua mais bonita do mundo."
A recuperação se deu aos poucos, com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) retirando os tocos de árvore e o edifício afetado refazendo o muro. "Espero que Porto Alegre não sofra mais uma intempérie como sofreu naquela oportunidade. Que a natureza se refaça e as árvores sejam mantidas", observa a aposentada.
A praça Júlio Mesquita (conhecida como Praça do Aeromóvel), revitalizada no final do ano passado, o Parque da Redenção e o Parque Marinha também sofreram diversas avarias naqueles 20 minutos. O vendaval foi tão forte que, mesmo as áreas onde o vento não costuma penetrar, devido à grande concentração de árvores, foram afetadas. O efeito dominó foi devastador - a queda de um tronco levou à queda de outros tantos, abrindo clareiras ainda estranhadas pelos frequentadores dos locais.
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"Esse espaço era bem verde, tinha bastante sombra, era bem fechado. Depois do temporal, nada mais foi plantado e as árvores ainda estão se adaptando. A diferença é grande, antes não existia raio de sol que entrasse aqui dentro", relata o professor estadual Julio Haag, que costuma caminhar e correr na Redenção. Ele ainda tem viva em sua memória a lembrança da tempestade. "Foi impressionante. É inimaginável pensar em como era antes e como está agora", afirma.
Outra imagem inesquecível do temporal foi no Posto Shell da avenida Borges de Medeiros, que teve seu telhado derrubado pelo vento. Um funcionário que preferiu não se identificar estava no local com outros dois colegas. Lembra que tudo aconteceu muito rápido. "O teto desabou em uns dez segundos. Rapidamente umas 50 pessoas se aglomeraram aqui para perguntar o que tinha acontecido", recorda. O estabelecimento precisou fechar por cerca de quatro meses até recuperar os danos.
O Ginásio Tesourinha teve seu telhado arrancado pelo vendaval. O município dispendeu R$ 312 mil para fazer a restauração, ocorrida entre maio e julho do ano passado.

Ao menos metade das árvores derrubadas pelo vento foi replantada

Das 3 mil árvores que caíram com o temporal, a prefeitura replantou 1,5 mil em parques, segundo o secretário adjunto da Defesa Civil de Porto Alegre, Hélio Oliveira. "Em outras regiões, como a zona Leste, nos canteiros centrais, plantamos mais uma grande quantidade que não sei definir exatamente. Já temos um plantio acentuado", assegura.
O secretário adjunto revela que o plantio é permanente e não ocorre somente para repor as árvores caídas no temporal, mas também para arborizar vias novas. "Não trabalhamos apenas na reposição, mas também na continuidade da arborização da cidade. Nossa cidade é muito arborizada", destaca.
Oliveira aponta que algumas árvores que caíram atrapalhavam a circulação de pedestres e cadeirantes, pois estavam no meio de calçadas, quebravam o asfalto e dificultavam a circulação. "Cuidamos para que, durante o replantio, colocássemos as árvores em lugares seguros para os vegetais e para as pessoas. Aproveitamos a desgraça para corrigir isso", revela.
As 1,5 mil árvores foram replantadas, de acordo com o secretário adjunto, em parques como o Marinha, a Redenção e o Harmonia, além de ruas da zona Leste. "Essas foram em medida de urgência graças às perdas devido ao temporal, mas não há compromisso de atingir as 3 mil e parar. A cidade continua sendo arborizada constantemente. É difícil achar em Porto Alegre uma calçada sem alguma muda ou alguma árvore. Atualmente, por exemplo, estamos fazendo a arborização das avenidas Chuí e Wenceslau Escobar, na zona Sul", salienta.
Oliveira relembra que Porto Alegre é uma das cidades mais arborizadas do Brasil e garante que continuará sendo. "Isso pode trazer uma incomodação em casos de temporais, mas é uma marca da nossa Capital. Não podemos descaracterizar a cidade", avalia. Já não há, de acordo com o secretário adjunto, reparos a serem feitos. "Os mais emergenciais foram realizados em 15 dias. Não temos mais resquícios daquele episódio", assegura.

Centro de Comando da Capital qualificou atendimento após intempérie

O Centro Integrado de Comando (Ceic) de Porto Alegre nunca foi tão requisitado quanto nos dias que se seguiram à tempestade. Desde então, o serviço foi qualificado. "Nos dias seguintes, foi organizado aqui um centro de comando em que houve todo um trabalho com o prefeito, o vice-prefeito e todos os secretários e órgãos municipais. Aqui surgiram as operações para que novamente se pudesse reorganizar a cidade", conta a coordenadora do Ceic, Silvana Rechden.
A prefeitura conta com o sistema Metroclima, que possui dez estações meteorológicas instaladas em Porto Alegre. "Nós podemos analisar a situação climática e as cheias de cada região e da cidade como um todo. Isso ajuda, porque verificamos as diferenças entre um lugar e outro", pontua Silvana.
Duas coisas podem ser feitas para prevenir maiores danos durante as intempéries. Uma delas é a análise diária da situação meteorológica, realizada pelo Metroclima. "As informações ficam no nosso site. Temos a previsão da semana e de como está naquele momento", ressalta. Além disso, quando há uma alteração na previsão, os profissionais lançam um alerta climatológico pelo Twitter. Qualquer pessoa que tiver uma conta na rede social pode entrar em https://twitter.com/CEIC_POA pelo computador e se inscrever para receber os alertas pelo aplicativo do Twitter ou por SMS no celular. "Mas só soltamos o alerta em situações extremas, para não apavorar a comunidade sem necessidade", explica Silvana.
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Comentários
Paulo Tavares 30/01/2017 10h26min
Tragicômico mesmo é ver o remendo que foi feito no telhado do Shopping Praia de Belas e que continua lá, mesmo após 1 ano do temporal!