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Porto Alegre, sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017. Atualizado às 13h32.

Jornal do Comércio

Economia

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Mercado Externo

Notícia da edição impressa de 30/01/2017. Alterada em 24/02 às 13h38min

Paraguai tenta atrair indústrias brasileiras

Parques industriais crescem no entorno de Assunção (foto) e Cidade do Leste, na divisa com o Brasil

Parques industriais crescem no entorno de Assunção (foto) e Cidade do Leste, na divisa com o Brasil


SENATUR/DIVULGAÇÃO/JC
Thiago Copetti
Energia barata, impostos reduzidos e menos encargos trabalhistas estão entre os sonhos de consumo de 10 entre 10 empresários brasileiros. E é isso que o Paraguai está oferecendo para indústrias que se estabelecem por lá. Traduzindo em números: o custo da energia é cerca de 70% mais barato do que no Brasil, exportações e importações de matérias-primas e equipamentos são isentas de qualquer taxa e os impostos e encargos sobre os salários oneram em apenas cerca de 30% a folha de pagamento (ante até 110% em solo brasileiro).
O esforço deu resultados significativos nas exportações do país, que em 2016 atingiu recorde, sobretudo a partir de operações industrias instaladas recentemente, principalmente no entorno de Assunção, capital do país, e Cidade do Leste. As vendas internacionais crescem continuamente: nos últimos dois anos a alta foi de 25% com o faturamento atingindo US$ 313 milhões. Tudo isso graças ao conjunto de benefícios englobado na Lei de Maquila, que existe desde 1997 e ganhou força com a crise brasileira. Nos últimos três anos, cerca de 80 empresas do Brasil cruzaram a fronteira. O número de companhias gaúchas que passou para o outro lado ainda não é representativo, mas o governo de Horacio Cartes está de olho no Estado.
"O volume de indústrias do Rio Grande do Sul ainda fica atrás de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e mesmo do Mato Grosso. Mas estivemos no Rio Grande do Sul em 2016 em mais de um encontro de negócios e já temos duas missões de empresários do Estado desembarcado aqui até o final de fevereiro", comemora o diretor de promoção de investimento do Ministério de Indústria e Comércio, Carlos Paredes Astigarraga.
Um vídeo que circula pelo WhatsApp e nas redes sociais mostrando a investidores as benesses paraguaias "viralizou" entre empresários e passou inclusive pelo celular do presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), Heitor Müller, retratando bem as armas paraguaias nesta batalha econômica. Para Müller, um dos números paraguaios mais significativos é a limitadíssima mordida tributária. Para exportações há isenção de qualquer imposto e, nas vendas internas, há uma taxa única de 10%. A disparidade da realidade nacional em relação à apresentada no vídeo paraguaio derruba ânimos por aqui e seduz empresários a pensar na migração.
"No Estado, apenas o ICMS é de 18%. E há mais 9,25% de PIS/Cofins. A burocracia e os custos por aqui são absurdos. As empresas realmente ficam atraídas pelo que veem. O receio é que, dando certo, acabem gostando do ambiente e ficando apenas por lá", alerta o presidente da Fiergs.
Apesar de acreditar que o caso deveria servir de alerta ao governo brasileiro, Müller não tem muitas esperanças de mudanças no cenário local em pouco tempo. Inicialmente, algumas empresas manteriam unidades no Paraguai e no Brasil e, depois, estariam optando por manter uma só. Esse alerta é feito por Reomar Slaviero, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs).
"Isso acaba sendo um dilema para a indústria, infelizmente. Tentamos reduzir custos e melhorar a produção, mas chega uma hora em que a empresa não vence mais o sistema tributário e de custos do Brasil e acaba migrando mesmo", lamenta o presidente do Simecs.
A entidade, por sinal, recebeu no ano passado uma missão paraguaia na Serra. Questionado sobre as razões da visita, já que obviamente o sindicato não tem a intenção de promover a fuga de indústrias do Estado, Slaviero ressalta que a ideia principal é abrir mercados. O que não quer dizer que a entidade não ignore o assédio.
"Claro que para nós é ruim e ninguém quer que nossas empresas vão embora. Mas também não podemos negar ao empresário conhecer as oportunidades de mercado e de negócios", pondera Slaviero.

Consultoria ganha mercado aose especializar na Lei de Maquila

Advogado Rodrigo Zanettini dá apoio a interessados em migrar
Advogado Rodrigo Zanettini dá apoio a interessados em migrar
PANCONSULT/DIVULGAÇÃO/JC
Rodrigo Zanettini, advogado gaúcho especializado em direito internacional e sócio da Panamericana Consultores Associados (Panconsult), com sede no Paraná e com escritório em Caxias do Sul, tem feito a ponte aérea entre Brasil e Paraguai cada vez mais seguido. A consultoria de Zanettini embarca e desembarca com frequência sempre maior em Assunção, onde mantém escritório e dá andamento nos trâmites de diferentes empresas interessadas em se beneficiar da Lei de Maquila. "Entre 2015 e 2016 atendemos entre 15 e 20 empresários gaúchos interessados em ir para lá. A procura se intensificou muito com o aumento da crise no Brasil", ressalta Zanettini.
 

Sediado em Porto Alegre, NBCBank oferece financiamento

Banco paraguaio pode ajudar empresas gaúchas a mudar de endereço
Banco paraguaio pode ajudar empresas gaúchas a mudar de endereço
CLAITON DORNELLES/JC
Uma das maiores instituições financeiras do Paraguai, o Banco Continental está entre as apostas do governo do país para atrair companhias gaúchas. Com sede em Porto Alegre, o braço brasileiro da instituição, o Novo Banco Continental (NBCBank), tem como um dos focos de trabalho ajudar empresários do Estado a obter financiamento para abrir unidades do Paraguai. E, ao que parece, interessados não estão faltando.
Gerente-geral do NBCBank em Porto Alegre, Karen Lopes ingressou na instituição paraguaia logo após a aquisição do Banco Comercial do Uruguai pelo Banco Continental, em 2013. Karen assegura que a busca de empresários gaúchos por informações sobre linhas de financiamento para investir no Paraguai começou a aumentar no segundo semestre de 2016. E vem em um crescente.
"Ajudamos empresários gaúchos a mostrar as garantias para conseguir financiamentos no Paraguai. Assim como em qualquer lugar, para obter financiamento é preciso oferecer garantia, o que não é fácil para quem está chegando em um novo país sem qualquer bem ou recebíveis, porque sequer começou a produzir. Apoiamos a integração do patrimônio que a empresa tem no Brasil com as exigências locais do Banco Continental no Paraguai", explica a executiva da instituição, que também conta com filiais em Caxias do Sul e Joinville.
Desde que o interesse se intensificou, diz Karen, três empresas gaúchas já assinaram contratos com o Banco Continental e investiram no Paraguai.

Indústrias evitam confessar que estão cruzando a fronteira

Entre os empresários gaúchos que estão em negociações adiantadas com o governo paraguaio está Pierre Labatut, da IBC Borrachas, de Caxias do Sul. Em fevereiro, ele e um grupo de investidores, incluindo a Fábrica Nacional de Amortecedores (FNA), também da Serra, desembarcam no país para registrar a cidadania empresarial, iniciar conversar com fornecedores e para olhar pavilhões à implantação da unidade.
"Inicialmente vamos, em grupo, locar um espaço antes de construirmos. A ideia é observar melhor como as coisas vão funcionar. Estamos esperando também o ok para enquadramento na Lei de Maquilas. Não podemos divulgar maiores informações, ainda, por questões estratégicas", explica Labatut.
O empresário Pierre Labatut não é exceção no lista de gaúchos interessados em investir no Paraguai, mas é raridade entre aqueles que falam abertamente sobre o assunto. Saber o nome das empresas que estão indo, interessadas ou que já foram para o outro lado da fronteira é para poucos ouvidos.
Entidades empresarias procurados pela reportagem não revelam os nomes de quem migrou ou está migrando. Temem estimular outras empresas a fazerem o mesmo. Boa parte das empresas também tem outro motivo para ficar no anonimato: não querem aparecer como uma indústria que deixou de investir no Rio Grande do Sul para gerar empregos no Paraguai. Também existe certo receio com o fato de serem ligados à produção de baixa qualidade, estigma que ainda hoje marca os artigos paraguaios.
Uma das empresas que já teria produção no país é a Masiero Calçados, de acordo com o que informou ao Jornal do Comércio o diretor de promoção de investimento do Ministério de Indústria e Comércio do Paraguai, Carlos Paredes Astigarraga. A empresa, que produzia calçados em Três Coroas, fechou as portas na cidade há cerca de três anos e seus representantes não foram localizados pela reportagem para confirmar a informação.
Muitas das empresas que migram do Brasil para o Paraguai também pedem sigilo no negócio porque não querem que seus concorrentes saibam quais estratégias estão adotando para vencer as barreiras de custos brasileiros, explica Wagner Weber, sócio-diretor da consultoria Braspar - Centro de Negócios Brasil-Paraguai.
"O que eu posso dizer é que temos cada vez mais empresas gaúchas interessadas e vindo para cá. Desde o ano passado, recebemos uma indústria do setor de construções empresariais, uma calçadista e uma moveleira. A calçadista, aqui (no Paraguai), adota o nome de Bordeaux Calzados, está abrindo ainda neste início de ano, gerando inicialmente 100 vagas de trabalho, que é o principal objetivo do governo paraguaio com essa ação", diz Weber.
Para o consultor, o país tem uma vantagem indireta a ser oferecida aos fabricantes brasileiros: a forma de competir com a invasão de produtos chineses, queixa de nove entre 10 empresários e executivos. "É uma forma de muitas empresas competirem com a produção asiática e manter seus mercados", opina Weber.

Governo gaúcho minimiza potencial atrativo dos benefícios ofertados

O governo gaúcho minimiza o potencial de atração dos incentivos paraguaios, apesar do crescente interesse pala Lei de Maquila por aqui. O assessor técnico da Secretaria de Desenvolvimento e Promoção de Investimento do Estado, Adriano Boff, alega que antes de sair do Rio Grande do Sul uma empresa pleitearia benefícios no Estado. Boff diz que não chegou ao governo, nos últimos anos, nenhuma sinalização desta migração para o Paraguai.
"Dificilmente uma empresa faria esse caminho sem que soubéssemos ou sem que nos apresentasse a proposta recebida. E também não abrira mão do mercado brasileiro, e mandar do Paraguai para cá teria mais custos", alega Boff, ainda que a sinalização das empresas aponte para o outro lado da fronteira.
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Comentários
Alexandre 30/01/2017 13h33min
Pois é Fábio, mas o problema é que o Rio Grande do Sul é um dos piores estados para empreender no Brasil. Se nos separássemos ficaríamos mais para a Bolívia do que Paraguai.
Fabio 30/01/2017 09h09min
O Paraguai e mais um exemplo de que nao ser parte do Brasil e muito melhor. O Brasil e um projeto que nao deu certo e so arruina a vida das pessoas. Podemos muit bem ser um pais e ser como o Paraguai, livres e independents. E so fazer. Ninguem disse que vai ser facil. Mas o Brasil ja era. Noa consegue nem conter pacificar favela. Ja era.