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Porto Alegre, quarta-feira, 25 de janeiro de 2017. Atualizado às 23h00.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 26/01/2017. Alterada em 25/01 às 21h44min

País colhe soja beneficiado pela quebra na Argentina devido às chuvas

Airton de Jesus, da Fazenda Jotabasso, espera colher 1,6 milhão de sacas

Airton de Jesus, da Fazenda Jotabasso, espera colher 1,6 milhão de sacas


AGROPASTORIL JOTABASSO/DIVULGAÇÃO/JC
Thiago Copetti
O início oficial da colheita de soja no País, hoje, em Ponta Porã (MS), na Fazenda Jotabasso, dá a largada a um dos períodos de maior incerteza sobre a cotação do grão nos últimos anos. Apesar de os preços terem crescido nas últimas semanas, a cotação da moeda norte-americana no Brasil traz um cenário de instabilidade sobre os lucros possíveis. No Rio Grande do Sul, a maior parte do trabalho terá início apenas em março.
Para Luiz Fernando Gutierrez, consultor da Safras & Mercado especializado no grão, o excesso de chuva na Argentina é o maior responsável pelo recente movimento de alta na cotação internacional. Mas, mesmo com as perdas previstas para a safra hermana, os gaúchos não devem se basear nos valores obtidos no ano passado para negociar o grão.
"No Rio Grande do Sul, o preço FOB (na fazenda) hoje é de cerca de R$ 74,00 a saca. Em 2016, no mesmo período, estava em torno de R$ 83,00. O produtor não deve esperar obter esse mesmo valor. E, ao que parece, é o que o produtor está fazendo", diz Gutierrez.
O especialista avalia ser este um ano especialmente difícil para projeções devido ao cenário político nacional e também às incertezas advindas do governo de Donald Trump nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo em que a moeda norte-americana tende a cair no Brasil (que aparentemente está deixando a crise para trás), o componente Trump pode alterar a qualquer momento a valorização da moeda nos quatro cantos do mundo. De acordo com Gutierrez, o sinal de que há muito agricultor segurando os negócios em vez de diluir as vendas para conseguir um preço médio melhor é o percentual retraído de venda antecipada. Em geral, o produtor gaúcho já iniciou a lavoura com 20% dela negociada e deve avançar ao longo da colheita. No Brasil, normalmente, 40% da produção já estaria vendida nestes últimos dias de janeiro, mas não é o que ocorre agora, de acordo com o consultor.
"O índice, hoje, é de apenas 34% da safra nacional já comercializada. Os produtores estão tomando como base, em alguns casos, o valor de até R$ 100,00 por saca em 2016, porque a cotação da moeda norte-americana estava na casa dos R$ 3,80, e a cotação em Chicago estava em alta. O produtor se capitalizou, acredita que pode esperar e conseguir algo semelhante, sem pressa. Mas isso dificilmente ocorrerá", pondera o consultor da Safras & Mercado.
Na Fazenda Jotabasso, fundada por gaúchos em Ponta Porã nos anos 1970, o percentual de vendas já efetuadas é de 50%, revela o diretor-superintendente da empresa, Airton Francisco de Jesus. A empresa prevê colher 1,6 milhão de sacas em duas propriedades. Além de Ponta Porã, há outra fazenda destinada à lavoura de soja em Rondonópolis (MT).
"Só não negociamos um percentual maior da lavoura porque o clima aqui ainda gera incertezas sobre a produtividade devido à ocorrência muito irregular de chuva", diz o administrador da propriedade. Economista da Farsul, Antonio da Luz repete o alerta de Gutierrez para que os produtores não alimentem falsas esperança de vender a safra pelos mesmos valores do ciclo 2015/2016. Apesar da alta crescente no consumo do grão, especialmente na China, o melhor é não tomar a safra passada como referência de valor, alerta o representante da Farsul.
"Mesmo com queda projetada para a safra norte-americana e da redução prevista para a Argentina, o mundo produziu muita soja nos últimos anos. A demanda chinesa cresce entre 8% e 9% por ano, mas a oferta mundial vem atingido patamares ainda maiores. E isso, claro, tem reflexo no preço. Tivemos um pico de US$ 11 o bushel na semana passa, mas está em queda, e hoje gira em torno de US$ 10,50 para vencimento em maio", alerta o economista.
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