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Porto Alegre, terça-feira, 24 de janeiro de 2017. Atualizado às 21h33.

Jornal do Comércio

Economia

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Varejo

Notícia da edição impressa de 25/01/2017. Alterada em 24/01 às 21h47min

Lojistas querem melhorar relação com shoppings

Empresários e entidades do setor buscam alternativas para a situação

Empresários e entidades do setor buscam alternativas para a situação


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Adriana Lampert
Em 2017, a meta do varejo gaúcho é mudar a relação dos empresários do comércio com as administrações dos shoppings centers no Estado, de forma que os custos de ocupação não ultrapassem 15% do faturamento das lojas. Atualmente, estes custos variam, dependendo do lojista, de 12% a 28% do faturamento das empresas, que também precisam arcar com custos operacionais e folha de pagamento, agravados pelo impacto da inflação. E a dificuldade de manter unidades abertas em shoppings tem mobilizado comerciantes e entidades do setor, que desde o ano passado reclamam de valores abusivos tanto de aluguel mínimo (que também é corrigido pela inflação) quanto do 13º aluguel.
Em outubro de 2016 foi criado um fórum permanente de relacionamento e negociação focado na potencialização de resultados. "A reclamação geral é em vista do custo de ocupação que subiu em torno de 30% nos últimos três anos, enquanto as vendas registraram queda de 20% em média no varejo", resume o presidente do Sindilojas Porto Alegre, Paulo Kruse. Nos últimos meses, várias reuniões entre lojistas e entidades representativas do comércio vêm ocorrendo para buscar alternativas de negociação com os empreendimentos.
Ontem pela manhã, foi a vez do Sindilojas Porto Alegre realizar um encontro com cerca de 100 associados, para debater e ofertar maior entendimento ao assunto que envolve o custo de ocupação das lojas de shoppings centers, bem como às relações jurídicas que norteiam estes contratos. Também a Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL-POA) vem escutando o setor de forma periódica, visando criar estratégias de ações representativas que resolvam o impasse.
"Apenas o Shopping Total tem viabilizado que as negociações sejam satisfatórias", comenta o sócio-proprietário das lojas Maria da Praia e também proprietário das lojas Thithãs, Antônio Gomes. Ambas as redes mantêm unidades em mais de um dos centros de compras. A cada três meses, Gomes precisa negociar descontos no aluguel com todos os locadores, para poder seguir trabalhando com as unidades em shoppings. "Muitas vezes, pensamos em fechar. E sempre corremos o risco de isso acontecer", comenta Gomes, destacando que outras empresas estão na mesma situação. "Não tem como sobreviver com o custo de ocupação atual." Desde 2014, esse vem sendo um problema comum entre lojistas locatários de shoppings, principalmente os pequenos.
A insatisfação é geral, destaca o dirigente do Sindilojas Porto Alegre, alertando que se "continuar como está, muito lojista irá sucumbir". As ações do sindicato, muitas delas conjuntas com a CDL-POA, têm sido no sentido de intermediar a relação dos comerciantes com os empreendimentos. "Temos mantido contatos individuais com os lojistas, e temos conseguido avançar em algumas ações", resume Kruse. Segundo ele, em dezembro quase nenhum lojista conseguiu atingir o dobro de vendas, que possibilitasse pagar o aluguel mínimo cobrado pelos shoppings.
"O Sindilojas tem todos os mecanismos - a exemplo de assessoria jurídica - para viabilizar um resultado positivo para ambas as partes", avalia o consultor de negócios, Leonel Taffarel. "A entidade acredita que está dando mais um passo importante em direção da flexibilização das relações comerciais que envolvem locatários e locadores", afirma. Na opinião do representante das Lojas Trópico, Luiz Henrique Silva, seria necessário mudar a lei que rege a locação de shoppings, para melhorar a discussão. "Outro ponto que deve ser revisto é a transparência e valores referentes aos condomínios de shoppings, cujo valor muitas vezes chega ao mesmo patamar do preço de aluguel mínimo, que não é baixo."
O diretor da rede de lojas Multisom, Cesar Camargo, observa que na década de 1980, quando foi moldado o formato de negociação do aluguel por percentual, a "realidade era outra". "Hoje, esse cálculo não faz mais sentido."
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