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Porto Alegre, terça-feira, 17 de janeiro de 2017. Atualizado às 17h44.

Jornal do Comércio

Economia

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Tecnologia

Notícia da edição impressa de 17/01/2017. Alterada em 17/01 às 18h45min

Aplicativos abusam dos pedidos de permissões

Sistema do Sintáxi, por exemplo, pede acesso ao banco de imagens

Sistema do Sintáxi, por exemplo, pede acesso ao banco de imagens


Claiton Dornelles/JC
Patricia Knebel
Milhares de aplicativos diferentes são baixados todos os dias pelos usuários em seus dispositivos móveis. Games, redes sociais, ferramentas de produtividade e plataformas para pedidos de comida ou transporte se tornaram uma forma de facilitar a vida das pessoas ou, simplesmente, entretê-las.
Mas uma questão deveria estar recebendo mais atenção dos usuários: a segurança. Os desenvolvedores estão abusando cada vez mais das permissões solicitadas. Para um aplicativo de mobilidade cumprir com a sua função básica, faz todo sentido pedir acesso à localização do usuário. Mas qual o motivo de exigir também permissão para ver as imagens pessoais? Ou o que explica que um app de calculadora precise que o internauta esteja conectado quando estiver fazendo contas?
Para acirrar a competição com empresas como Uber e Cabify, o Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi) lançou, na semana passada, um aplicativo e está dando desconto de 50% no valor das corridas até o dia 28 de fevereiro. Muitos correram para baixar o app, mas se preocuparam com o fato de o sistema pedir acesso, entre outras coisas, ao banco de imagens.
Rafael Fanganito, um dos desenvolvedores do app, explica que entre as permissões está a dos contatos, sistema de localização e chamada telefônica e SMS - essas duas últimas para permitir que o usuário possa ligar para o taxista de dentro da plataforma. No caso das imagens, ele comenta que não sabia que essa funcionalidade estava visível para o passageiro, pois foi criada para o taxista poder enviar documentações pelo app. "Ainda assim, isso não nos dá acesso, por exemplo, à galeria de fotos do usuário final. E nem teria razão mesmo", garante.
O analista sênior de segurança da Kaspersky Lab, Fábio Assolini, explica que a principal explicação por trás das exigências feitas por muitos aplicativos está o fato de que as informações pessoais dos usuários valem ouro.
A pesquisa "O perfil dos aplicativos no Brasil", encomendada pelo PayPal à BigData Corp., mostra que 86,64% dos apps baixados no Brasil são gratuitos. Na lista dos aplicativos com mais de 10 milhões de downloads, nenhum é pago. Para compensar isso, os desenvolvedores buscam dados pessoais que possam se converter em receitas no futuro.
Assim, ao solicitar a um usuário que está fazendo o download de uma calculadora a sua localização, o app conseguirá descobrir a sua nacionalidade e, dessa forma, vincular publicidade no idioma correto, sendo mais certeiro. "Para não pagar pelo aplicativo, as pessoas preferem entregar a sua própria privacidade. E isso pode levar a riscos muito maiores", alerta, destacando que dados coletados de e-mails, fotos ou senhas poderão ser vendidos ou perdidos, o que acarretará prejuízos.
Assolini comenta que, infelizmente para os usuários, não há muito a ser feito. O aconselhável é evitar instalar o aplicativo quando as permissões solicitadas não fizerem sentido e quando colocarem em xeque, desnecessariamente, a segurança.
Quem utiliza o sistema operacional iOS, da Apple, tem um pouco mais de liberdade. Isso porque as permissões não são feitas no momento do download e, sim, quando a pessoa começar a usar o serviço. Dessa forma, aumentam as chances de ela negar algumas das solicitações e, ainda assim, conseguir se beneficiar do app. Já no caso do Android, isso é feito no momento da instalação e, se o internauta disser não para algumas das exigências, nem conseguirá finalizar o download.
O especialista relata uma experiência pessoal que viveu. Ao instalar o app do seu banco, estranhou que uma das solicitações era a de visualização do banco de imagens do celular. "Depois eu descobri que uma das funcionalidades do software, a de fazer depósito com cheque, tornava necessário tirar uma foto para enviar ao sistema. Porém, em casos em que essas demandas não se explicam, é preciso ter cuidado redobrado", comenta.
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