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Porto Alegre, quarta-feira, 14 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Política

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reestruturação do estado

22/12/2016 - 14h03min. Alterada em 14/03 às 09h56min

Extinção da FEE é perda irreparável para o Rio Grande do Sul, avalia diretor do IBGE

'O IBGE trabalha com a Fundação porque quem conhece o Rio Grande do Sul é a FEE'. diz Olinto

'O IBGE trabalha com a Fundação porque quem conhece o Rio Grande do Sul é a FEE'. diz Olinto


MARCO QUINTANA/JC
Bruna Oliveira
A extinção da Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser (FEE), aprovada na madrugada da última quarta-feira (21) pela Assembleia Legislativa, é "uma perda irreparável" ao Rio Grande do Sul, na avaliação do Diretor de Pesquisa do IBGE, Roberto Olinto. Previsto no pacote de reestruturação do governador José Ivo Sartori, o fechamento da Fundação foi aprovado no projeto 246/16, juntamente com outras cinco fundações estaduais. Para o Executivo, a extinção da FEE deve gerar uma economia de aproximadamente R$ 29 milhões anuais, enquanto a fundação alega um custo de manutenção bem menor, de R$ 18,4 milhões.
A redução da máquina pública aprovada pelos projetos, segundo o governo, trará uma economia de R$ 137,1 milhões por ano ao Estado, que vive situação financeira crítica. A perda na produção de conhecimento, no entanto, é um dano muito maior ao Rio Grande do Sul, defendem os críticos do pacote. Em entrevista ao Jornal do Comércio, Olinto afirma que a extinção da FEE pode trazer um grande prejuízo para o Estado. Confira a entrevista:
Jornal do Comércio - Como o senhor avalia a extinção da Fundação de Economia e Estatística?
Roberto Olinto - Desde ontem eu estou tristíssimo com essa notícia. Primeiro por questões pessoais, por todos os amigos que eu tenho na FEE, de muitos e muitos anos. Em relação à Fundação, eu estou chocado como se considerou terminar não com um órgão público de serviço qualquer, administrativo, mas um enorme patrimônio do Estado. A Fundação possui um histórico de produção de conhecimento que não pode ser ignorado. A Fundação é um patrimônio, um investimento absolutamente exemplar para os Estados e municípios. Falando como Diretor de Pesquisa do IBGE, a Fundação, junto com algumas poucas outras, representa exatamente o que nós, ligados à área de produção de informação para a política pública, vemos um exemplo de fornecimento detalhado de informações para o Estado. Isto é uma perda irreparável, porque, hoje, nós lutamos para que todos os estados tenham o seu órgão de estatística, geografia e geociência estruturado, exatamente para que junto com o IBGE se possa ter informações sobre um país tão problemático. 
JC - A FEE e o IBGE são parceiros na divulgação de diversos dados, como o PIB dos municípios e o PIB consolidado. Com a extinção da FEE, como fica esta lacuna?
Roberto - Eu ainda estou meio catatônico para saber o que nós vamos fazer. Obviamente, eu não estou nem um pouco satisfeito em pensar em mudar. Nós trabalhamos com estas equipes há anos. Isso vai ter que ser pensado, não se pode jogar fora não apenas a produção futura da informação do Estado, mas também o histórico. É uma quantidade de informação que vai se perder. O IBGE forneceu e desenvolveu junto com os técnicos da FEE um conhecimento comum que não pode se perder.
JC - Quais são as parcerias em convênio pelos dois órgãos?
Roberto - Nós temos o sistema de contas, a estimativa populacional e todas as discussões sobre metodologia e a troca de informações. O Rio Grande do Sul dispunha de uma condição invejável, que era uma fundação própria de estatística. Só para ilustrar, a ONU tem a agenda de desenvolvimento sustentável 2030 que exige que as informações sejam cada vez mais desagregadas em níveis de estado e município. Quem vai fazer isso? Quem conhece o Rio Grande do Sul? Não somos nós do IBGE. O IBGE trabalha com a Fundação porque quem conhece o Rio Grande do Sul é a FEE. 
JC - Existe a possibilidade de algum movimento por parte do IBGE para reverter a extinção?
Roberto - Com certeza o IBGE está profundamente entristecido e a nossa posição, se existir, de fato, é de que se reflita um pouco mais sobre essa decisão, no impacto que isso tem na imagem do Estado, na destruição do conhecimento e que se pense numa reversão dessa situação. O que vai se perder não se recupera e o que vai se deixar de fazer também não vai se recuperar. A perda é muito grande. É o tipo de economia que vai dar um tiro no pé porque o prejuízo é muito maior para o Estado. Isto é uma questão básica de contabilidade. O que se destrói de conhecimento... e hoje o mundo inteiro respeita o capital humano. A Fundação tem doutores! Como é que você abre mão dos seus doutores? São doutores que o Brasil financiou a formação. Como é que você perde este ativo? Se gasta uma fortuna para formar, e não se considera isso.
JC - O governo do Estado afirmou que pretende contratar externamente os estudos econômicos que eram realizados pela FEE. Isto é viável?
Roberto - A produção de estatística é, por definição e por princípios fundamentais, feita por órgãos públicos. Não se contrata estimativa de população, não se contrata contas, não se contrata pesquisas sociais por educação e saúde. Isso não existe. O que se pode contratar é uma empresa para ajudar na coleta de dados. O núcleo de um sistema de informações estatísticas e geográficas é um bem público. Existem questões de transparência que estão nos fundamentos da Estatística, nós temos um código de ética. Não existe contratação de serviço para produção de estatísticas para um estado. Não é solução e não funciona. Além do fato que é muito mais caro do que manter uma Fundação.
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Comentários
Luis 24/12/2016 07h30min
A questão é que a FEE, com toda importância que tem, custa só 0,07% do orçamento do estado...
Luis 23/12/2016 22h20min
Calby, a maioria dos estados tem fundações ou superintendências equivalentes à FEE. SP tem duas (a FIPE) é uma delas, MS, RJ (se o argumento for a conveniente "calamidade financeira"), entre outras. Por que não são extintas? Para contestares o diretor do IBGE, ou tem muita autoridade na área, ou está muito mal informado, ou muito mal intencionado.
Luis 23/12/2016 19h38min
Calby, então vamos fechar os outras fundações e superintendências dos outros estados também. SP tem duas (a FIPE é uma delas), RJ também (se o argumento for a conveniente "calamidade financeira") e várias outras de outros estados. Impor venda de patrimônio científico sem debate é no mínimo incompetência. Estou aceitando argumentos...
Luis 23/12/2016 15h45min
Eu acredito mais neste senhor do que nos políticos. Por que não justificam a extinção com argumentação técnica? 1,2% do orçamento, todas as fundações, sem NENHUMA argumentação técnica...
Calby 22/12/2016 16h03min
Ou fecha a FEE ou fecha o IBGE, serviço DOBRADO não é EFICIENTE em lugar nenhum no mundo. Quem sabe o IBGE assume os CUSTOS da FEE?