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Porto Alegre, domingo, 25 de dezembro de 2016. Atualizado às 10h17.

Jornal do Comércio

Política

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Governo do estado

14/12/2016 - 19h21min. Alterada em 14/12 às 21h41min

Áudio do secretário da Fazenda de Sartori aponta uso de caixa-2 em campanhas

Bruna Suptitz
O secretário estadual da Fazenda, Giovani Feltes (PMDB), reconheceu a disseminação do uso de caixa-2 em campanhas eleitorais durante evento com empresários na Serra Gaúcha que tratava do pacote de medidas do governo. "Vamos ser francos entre nós (em off pessoal): anjo não se elege nem vereador em Carlos Barbosa." As declarações foram feitas na noite de segunda-feira (12), em palestra promovida pela Associação do Comércio, Indústria e Serviços (ACI) de Carlos Barbosa, na Serra Gaúcha.
Áudios das declarações de Feltes foram transcritos pelo site do jornal Contexto. O Jornal do Comércio obteve um dos trechos e apresenta a seguir (a transcrição completa está no final da matéria):
Feltes cita que já se elegeu para vereador, prefeito e deputado estadual e descreve situações recorrentes do recebimento de "recursos não declarados" em campanhas eleitorais. O secretário pede "off" aos jornalistas presentes ao evento que era aberto ao público. Feltes descreve o que seria um possível diálogo com algum doador de campanha: “‘Me dá uma mão para a campanha?' 'Eu tenho R$ 5 mil, R$ 10 mil, R$ 50 mil, mas não coloca meu nome na tua prestação de contas’. Quem dizia que não?'”, indaga ele.
Feltes ainda menciona possíveis maneiras de conseguir recursos para o financiamento de campanhas via caixa-2: “Quem tem dinheiro de caixa-2 que não contabiliza nunca? Jogou no bicho. Então eles podem eleger vocês; igrejas, de qualquer credo; tráfico, já pensaram nisso?”, exemplifica, criticando a hipocrisia da sociedade e concluindo que a prática é problema de todos.
Durante a palestra, o secretário fala ainda da situação do governo e do receio em não aprovar o pacote de medidas que pretende extinguir fundações e acabar com a obrigatoriedade de plebiscito para a venda de companhias estaduais, além de ajustes econômicos e trabalhistas.

Confira a transcrição da declaração de Giovani Feltes:

“Vamos ser francos entre nós em casa (em off pessoal): anjo não se elege nem vereador em Carlos Barbosa. A gente tem que tirar e afastar essa hipocrisia. Pessoal, eu tenho dez eleições nas costas, 12 anos de vereador, desde os meus 18 anos. Não perdi uma eleição, sou filho de peão de fábrica. Não falo isso para me jactar, falo isso porque conquistei, a cada dois ou quatro anos tô fazendo um baita dum concurso. Então, fui 12 anos vereador, fui 12 anos prefeito, fui 12 anos deputado estadual, se bobear deputado federal. Em off: ‘Me dá uma mão para a campanha? Eu tenho R$ 5 mil, R$ 10 mil, R$ 50 mil, mas ... não coloca meu nome na tua prestação de conta’. Quem dizia que não? 'Tá bom'. Porque precisa. Tinha que acabar um pouco com essa hipocrisia. Essa [última] campanha foi mais barata, joia, foi menos suja, joia, essa campanha foi melhor, sim, mas ela beneficia quem é mais conhecido. Um novo para se eleger agora é mais difícil. Já tem um certo desequilíbrio, a relação já fica mais difícil. E vou dar um outro exemplo para vocês, esse é aquela dor que a gente não para pra pensar e muitas vezes vai o anzol com a chumbada. Vou depor contra mim. Quem tem dinheiro de caixa dois que não contabiliza nunca? Jogou no bicho. Então eles podem eleger vocês; igrejas, de qualquer credo. Tráfico, já pensaram nisso? Em off: em Novo Hamburgo elegeram um traficante para a Câmara de Vereadores, e também conheço outras cidades que elegeram. Lá é dos Manos, mas deve ter alguém dos Bala na Cara eleitos para vereador em alguma cidade. E a gente não quer saber de política. Desculpa a provocação, mas nós todos temos um pouco de culpa. Desculpa.”

Secretaria da Fazenda divulga nota sobre o caso

"Na última segunda-feira (12), a convite da ACI (Associação Comercial e Industrial) de Carlos Barbosa, o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, realizou palestra abordando a situação das finanças públicas e os desafios para colocar o Rio Grande do Sul em um patamar de equilíbrio fiscal. Falando por quase duas horas para uma plateia formada por empresários da cidade, o secretário tratou dos problemas estruturais do Estado, traçou uma retrospectiva histórica sobre as medidas já adotadas por diferentes governos e destacou os projetos que buscam a reforma do Estado ora em análise pela Assembleia Legislativa.
Como tratou-se de uma explanação longa, o secretário lamenta que frases esparsas e sem vinculação com o tema principal acabaram ganhando repercussão após publicadas por um jornal local, mesmo com o alerta preliminar de que se tratavam de manifestações em caráter reservado. São expressões que o secretário se utilizou de maneira genérica, sem vinculação a um fato objetivo e específico. O secretário reconhece que foram colocações fora do contexto e infelizes.
Porto Alegre, 14 de Dezembro de 2016."
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Comentários
Alexandre Ughini 24/12/2016 16h10min
FDP!!!nHonestidade vem de berço! Eu jamais faria o que esse canalha afirma ser normal!nNOJO!!!
Leandro Schmitt 15/12/2016 07h57min
É triste, mas o mérito da fala está na sinceridade.