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Porto Alegre, quinta-feira, 22 de dezembro de 2016. Atualizado às 23h41.

Jornal do Comércio

Perspectivas 2017

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Tecnologia

Notícia da edição impressa de 23/12/2016. Alterada em 22/12 às 14h36min

Inovação é chave para Estado mudar matriz econômica e avançar

Rio Grande do Sul precisa melhorar ambiente de negócios para a economia digital

Rio Grande do Sul precisa melhorar ambiente de negócios para a economia digital


KIM DONG-HYUN/AFP/JC
Patricia Knebel
São tempos difíceis para o Rio Grande do Sul. A mesma crise financeira que deixa cada vez menos recursos para investir em áreas básicas, como educação, saúde e segurança, também afeta em cheio os projetos de tecnologia e inovação. Um problema e tanto, já que se tratam de setores decisivos para o próprio futuro do Estado.
Faltam investimentos em novos projetos nessa área e, como se não bastasse, instituições tradicionais enfrentam dificuldades. É o caso da Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec), que poderá ser extinta. Já a Companhia de Processamento de Dados do Rio Grande do Sul (Procergs), que presta serviços de TI para o governo, enfrenta sérios problemas orçamentários. Para tentar contornar isso, tomou algumas ações internas. "Parte dos gestores estão dedicados a administrar o que sempre foi o nosso core, que são os serviços prestados, e parte está dedicada a compreender o impacto das novas tecnologias no governo e na sociedade", conta o presidente da empresa, Antônio Ramos Gomes.
Nesse segundo aspecto, a expectativa é que, em 2017, possam ser melhor desenhadas algumas soluções que, inclusive, se reflitam em um apoio ao desenvolvimento das empresas gaúchas. "Queremos ampliar a oferta de dados abertos para que as companhias possam usar isso para desenvolver soluções criativas para a sociedade", diz. No futuro, isso pode até se tornar uma nova forma de obter recursos por parte da Procergs.
Em Porto Alegre, o prefeito eleito, Nelson Marchezan Júnior, afirma que o foco será usar a tecnologia para melhorar a qualidade de serviços como educação, saúde e transporte. Além disso, a situação da Procempa será, de fato, revista. "A empresa é um ativo da cidade, pois tem uma grande rede de cabeamento e capacidade de armazenamento. Mas é cara e está subutilizada, cenário que terá que mudar", aponta.
Especialistas acreditam que o Estado precisa urgentemente se voltar para o futuro. "O Rio Grande do Sul precisa administrar o seu déficit fiscal, mas, do ponto de vista estrutural, isso não vai adiantar nada se não ocorrer um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) regional, o que só vai acontecer se mudarmos a nossa base econômica para se tornar intensiva em conhecimento", defende o secretário substituto da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Renato de Oliveira. Ele acredita que o Estado tem condições de dar esse salto, já que possui uma excelente estrutura de Ensino Superior e pesquisa, parques tecnológicos que estão avançando e novos segmentos empresariais surgindo.
"O ecossistema de base tecnológica está amadurecendo rapidamente no Estado, mas é importante que o governo também levante esta bandeira. Esse é um dos poucos caminhos viáveis para dinamizar a economia", diz o diretor executivo da Wow Aceleradora, Andre Ghignatti.
A expectativa é que, em médio prazo, essa visão forme uma nova matriz econômica, o que também vai beneficiar setores tradicionais, que irão incorporar novos processos e, assim, ganhar competitividade. "Investir em inovação é uma forma de o Estado iniciar a retomada e começar a construir uma nova matriz econômica, tendo por base os novos paradigmas que sustentam o desenvolvimento econômico e social", afirma Jorge Audy, assessor da reitoria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Pucrs.
Audy acredita que a crise que o Rio Grande do Sul está vivendo está relacionada à manutenção, ao longo das últimas décadas, de uma matriz de desenvolvimento ligada a uma economia do século XIX. "Nos desconectamos dos avanços propiciados pela sociedade do conhecimento e pela economia digital. Perdemos o trem da história e não nos posicionamos adequadamente no novo cenário econômico e social do mundo", avalia.

Abrir novos mercados é desafio para players dos segmentos tecnológicos

Como continuar avançando sem recursos para investir na economia do futuro? Desenvolvendo novos mercados, sugere o secretário substituto da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Renato de Oliveira. Uma das perspectivas que a secretaria está trabalhando é a de estreitar relações com a Argentina, para trabalhar em conjunto em áreas como biotecnologia, nanotecnologia e indústria 4.0. O mesmo esforço será feito junto a outros países.
Outra ação que deve avançar em 2017 é a formação do cluster da saúde no Rio Grande do Sul, a partir da parceria do governo, Badesul, universidades, empresas tradicionais e startups. Oliveira comenta que a estrutura de governança já está montada, e a fase agora é de profissionalização. "O vínculo com o Medical Valley (um dos principais centros de pesquisa e tecnologia em saúde da Alemanha) traz novas exigências de desempenho", comenta.
O governo contratou a instituição para ganhar expertise em questões mais específicas, como fomento às startups nessa área e identificação de setores em que o Estado tenha competência acadêmica e industrial para desenvolver novos produtos. São pelo menos quatro polos regionais com alta capacidade de desenvolvimento nessa área: Região Metropolitana, Passo Fundo, Pelotas e Caxias do Sul.
"Em 2016, criamos as bases e agora teremos mais projetos que gerem resultados e possam atrair investimentos privados em setores estruturantes", aposta o secretário. Entre os setores prioritários estão energia, tecnologias de saúde, mobilidade urbana, transporte, logística, agroindústria, alimentos e defesa.

Gestores de TI dizem que empresas precisam de oportunidades

Considerada estratégica, justamente por ser transversal a todos os setores econômicos, a Tecnologia da Informação (TI) não precisa mais ser fomentada, e sim apresentada a novas oportunidades de negócios, acredita o secretário substituto da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Renato de Oliveira. "A TI gaúcha é muito competente, mas precisamos desenvolver setores demandantes das soluções criadas pelas nossas empresas", diz. Gestores de três entidades gaúchas dessa área falam o que esperam para 2017.
"O Estado pode criar oportunidades para as empresas sem precisar investir. Um exemplo é a disponibilização de dados abertos para a comunidade criar aplicações e estudos baseados nestes dados. Isso não gera custo para o Estado e gera insumos de serviço para a criação de produtos e, consequentemente, geração de impostos." Daniel Luis Costa Scherer, presidente da Sucesu-RS
"Se o espírito é de transformação, como o mercado e os políticos vêm apresentando, talvez seja a hora de construir uma nova realidade, com claros e reais serviços que atendam os cidadãos de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul através de uma modernização da cidade e do Estado com o uso de novas tecnologias, mudando também a forma de comunicação e interação do governo com a sociedade." Diogo Rossato, presidente do Seprorgs
"A TI é um segmento importante para tornar as nossas cidades mais atrativas aos investidores. O setor tem muitos destaques individuais, e estamos confiantes de que a união de todos vai melhorar o nosso cenário. A TI gaúcha nunca passou por um período tão complexo. De um lado está a crise e, do outro, as mudanças tecnológicas disruptivas, como software como serviço, nuvem, aplicativos móveis e computação cognitiva." Alex Hermann, presidente da Assespro-RS
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