Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, segunda-feira, 26 de dezembro de 2016. Atualizado às 21h34.

Jornal do Comércio

Economia

COMENTAR | CORRIGIR

artigo

Notícia da edição impressa de 27/12/2016. Alterada em 26/12 às 21h26min

Opinião econômica: Big Smoke

Benjamin Steinbruch é diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa

Benjamin Steinbruch é diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa


Folhapress/Arquivo/JC
Benjamin Steinbruch
Há exatos 64 anos, em dezembro de 1952, ocorreu em Londres o que os ingleses chamaram de Big Smoke, o Grande Nevoeiro, que levou à morte cerca de 12 mil pessoas. O nevoeiro durou cinco dias e reduziu a visibilidade na área urbana para apenas um metro. Carros, trens e metrôs pararam de circular. A vida da cidade virou um caos.
O nevoeiro era uma mistura de nevoa natural e muita fumaça advinda da queima de carvão mineral. Com o esforço para pagar os custos da Segunda Guerra, os britânicos passaram a exportar o carvão de melhor qualidade e a usar internamente o pior, com maior quantidade de enxofre e outros poluentes.
O resultado foi a acumulação desses poluentes, que não se dispersaram em razão da inversão térmica provocada por uma frente fria incomum. Os hospitais ficaram cheios de pessoas com problemas respiratórios e não tinham capacidade de atendimento para todos.
O primeiro-ministro do Reino Unido era Winston Churchill. Já velho e rabugento, Churchill não deu grande importância ao Big Smoke nem direcionou recursos para socorrer os cidadãos. "Fog is fog", dizia, decorrente de "atos de Deus, e temos assuntos mais urgentes para nos preocupar".
A gravidade da crise e as críticas que começou a sofrer o fizeram mudar rapidamente de opinião. Churchill visitou hospitais, deu entrevistas à imprensa sobre seu plano de ajuda às pessoas doentes e anunciou um grande investimento de recursos públicos para equipar hospitais e clínicas. Com isso, recuperou a popularidade que havia perdido por causa de sua omissão inicial.
Fatos como esse deixam lições. Governos não podem se omitir nem titubear em momentos de graves crises, sejam elas de qualquer natureza. A atual crise brasileira é básica, porque atinge gravemente há pelo menos três anos a capacidade de produção do País. Três contrações seguidas do PIB, sendo duas de 3%, e 12 milhões de desempregados foram necessários para que, pela primeira vez, surgissem medidas de estímulo ao crescimento econômico.
Não sei se as medidas anunciadas a partir do dia 15 terão força para inverter a tendência recessiva já no próximo ano, até porque algumas são simples declarações de intenção e outras só terão efeito no longo prazo. Mas o importante é que estão na direção certa: ajudam empresas e pessoas físicas a renegociarem dívidas, abrem caminho para a regularização de tributos atrasados, liberam recursos do FGTS para trabalhadores, combatem os elevados "spreads" bancários e tentam melhorar o ambiente de negócios com redução de burocracias.
Caiu a ficha do governo brasileiro para a necessidade de agir para reanimar a economia. Antes tarde do que nunca. A desculpa de que primeiro era preciso aprovar a emenda constitucional que limita os gastos públicos não cola. As duas coisas poderiam ter sido feitas ao mesmo tempo.
Falta ainda, porém, cair mais uma ficha: a dos juros. Quem sabe tenhamos uma surpresa agradável nessa área no início do ano com um corte drástico na taxa básica, a Selic - quem pediu isso como presente de Natal ao Papai Noel já sofreu uma decepção.
Que o nosso nevoeiro recessivo comece enfim a se dissipar. Nunca precisamos tanto de um feliz Ano-Novo.
Diretor-presidente da CSN e presidente do conselho de administração da empresa.
 
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia