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Porto Alegre, domingo, 25 de dezembro de 2016. Atualizado às 21h21.

Jornal do Comércio

Economia

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Negócios corporativos

Notícia da edição impressa de 26/12/2016. Alterada em 25/12 às 21h32min

Fundo dos EUA compra faculdade no Estado

Negócio com instituição de ensino de Cachoeirinha está estimado em cerca de R$ 50 milhões

Negócio com instituição de ensino de Cachoeirinha está estimado em cerca de R$ 50 milhões


CESUCA/DIVULGAÇÃO/JC
Após acertar sua volta ao setor de educação em 2015, dois anos depois de deixar de ser sócio da Kroton, líder de mercado no País, o fundo Advent está se preparando para dar passos mais ousados a partir do ano que vem. A compra da faculdade gaúcha Cesuca, anunciada na sexta-feira passada, é só uma "amostra" de um apetite que deve ser bem maior em 2017. O fundo, segundo fontes de mercado, está disposto a investir até R$ 900 milhões para ficar com ativos que a Kroton terá de vender para aprovar a fusão com a Estácio no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
O fundo norte-americano voltou ao setor de educação, mas ainda de forma tímida. Comprou, em março de 2015, o Centro Universitário da Serra Gaúcha, de Caxias do Sul, que serviu de gênese para um novo grupo educacional, o FSG. Agora, adquiriu a Cesuca, de Cachoeirinha, por cerca de R$ 50 milhões, de acordo com fontes. Juntos, os dois negócios somam 13 mil alunos. Neste momento, o Advent estaria em negociações com instituições de outras regiões, incluindo conversas avançadas com um grupo nordestino.
Embora não confirme os valores que o fundo estaria disposto a investir, o executivo Newton Maia, diretor do Advent, confirmou que os ativos da Kroton estão sendo vistos por todo o setor de educação como uma plataforma interessante de crescimento. Segundo ele, em razão do porte da Kroton, as instituições podem ser adquiridas e depois adaptadas à "filosofia" da FSG, que é concentrar faculdades que tenham notas altas nas avaliações do Ministério da Educação (MEC).
A FSG está tentando se firmar com base em um discurso de qualidade de ensino. "A ideia é que, ao fazer um curso nas nossas instituições, o jovem consiga encontrar um bom emprego e tenha o retorno do investimento. Assim, ele vai nos indicar no futuro", diz Maia. Hoje, as duas empresas no portfólio da FSG cobram mensalidade média de R$ 1.000,00 - acima do que é considerado um preço "popular" no mercado.
Mesmo com a crise e o aperto no orçamento do governo, que resultaram em cortes profundos nos repasses ao programa oficial de financiamento estudantil, o Fies, a avaliação do Advent é que o setor continua atrativo. "No Brasil, só 11% das pessoas estão no ensino superior, enquanto no México, um país semelhante, a média é de 30%. Existe muito mercado", diz o diretor do fundo, que é responsável pelos investimentos em educação. Para o consultor Carlos Monteiro, especializado em educação, o setor deverá ter um início de 2017 movimentado, não só por causa da venda de parte dos ativos da Kroton e da Estácio, mas também pelas movimentações que outros grupos serão obrigados a fazer.
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