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Porto Alegre, quinta-feira, 15 de dezembro de 2016. Atualizado às 07h10.

Jornal do Comércio

Economia

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Energia

Notícia da edição impressa de 15/12/2016. Alterada em 15/12 às 08h14min

Engie desliga térmica de Charqueadas

Fundada em 1956, unidade operou até o dia 25 de novembro de 2016

Fundada em 1956, unidade operou até o dia 25 de novembro de 2016


FREDY VIEIRA/JC
Jefferson Klein
A Engie Brasil Energia (antiga Tractebel) não conseguiu finalizar a produção da termelétrica a carvão de Charqueadas em 31 de agosto deste ano, como pretendia inicialmente, mas não teve que esperar até o primeiro dia de 2017, data apontada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a revogação da outorga do empreendimento. A térmica foi desligada no dia 25 de novembro e terá seu descomissionamento (conjunto de procedimentos a serem adotados para a desativação de instalações de usinas, após o fim do ciclo de vida útil-econômica) feito a partir de janeiro.
"Ou seja, iniciaremos a desmontagem", resume o gerente da planta, Renato Barbosa. Depois desse processo, a companhia permanecerá somente com um empregado no local, que ficará responsável pelo acompanhamento dos serviços e contratos de desmonte. A unidade tem mais de 50 anos de atividade e, devido a sua idade, optou-se pelo fim das operações. Barbosa comenta que a térmica conseguiu aumentar sua produção, a partir de agosto deste ano até novembro. Com isso, cumpriu sua geração de referência (volume de energia demandada) com o Operador Nacional do Sistema (ONS) Elétrico para 2016, ao mesmo tempo que respeitou seus compromissos de compra e consumo de carvão da quota anual da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).
Conforme o gerente, serão dadas as destinações adequadas para cada componente e equipamento, com prioridade à reciclagem dos materiais. A intenção é ter o mínimo de resíduos. "Estimamos que todas as etapas nos demandarão cerca de três anos até tudo estar concluído", adianta. Quanto à situação dos trabalhadores, de um quadro de 72 empregados da térmica, cinco optaram pela rescisão contratual, 30 aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) e 37 colaboradores foram aprovados no processo de seleção para trabalhar na nova Usina Termelétrica Pampa Sul (Miroel Wolowski), de 340 MW, que está sendo construída pela Engie, na região de Candiota.
O presidente do Sindicato dos Mineiros do Rio Grande do Sul, Oniro Camilo, salienta que os trabalhadores tentaram estender a operação da usina em Charqueadas até o final de dezembro. O dirigente reforça que mais do que o impacto nos empregos diretos que a termelétrica proporcionava, o reflexo principal é na cadeia carbonífera como um todo (transportadores, mineiros, prestadores de serviço etc). O presidente do sindicato calcula o corte de aproximadamente 2,4 mil postos de trabalho com a inatividade do complexo.
Sobre a possibilidade da implantação de uma nova usina em Charqueadas ou na região, Barbosa argumenta que a Engie adotou em sua estratégia a descarbonização (evitando o uso de combustíveis fósseis) da geração de energia como forma de responder aos desafios das mudanças climáticas. "Por isso, o grupo não tem novos projetos a carvão, além da Pampa Sul, que teve suas obras iniciadas antes da nova diretriz estratégica", frisa. O gerente acrescenta que todos os estudos feitos anteriormente pela companhia demonstraram que uma nova usina a carvão em Charqueadas não é competitiva frente a outros locais, como Candiota.
Linha do tempo do empreendimento
  • 1956 - Inicia-se a construção da termelétrica de Charqueadas, pertencente à empresa privada Copelmi, na época chamada Termochar.
  • 1962 - Entra em operação a usina. Nesse ano, foi entregue pelo complexo a produção líquida de 182,1 MWh, isso na época representava cerca de 18% do consumo de todo o Rio Grande do Sul.
  • 1970 - A Termochar foi estatizada, incorporada pela Eletrosul, companhia do governo federal, passando a ser denominada Usina Termelétrica Charqueadas.
  • 1998 - Com a privatização do setor elétrico, a usina e outros ativos da Eletrosul foram adquiridos, por meio de leilão, pela Tractebel Energia, hoje Engie Brasil Energia.
  • 2016 - Fim da geração de energia da usina de Charqueadas.

Projeto carboquímico busca investidor

No Rio Grande do Sul, estão 90% das reservas nacionais de carvão. Para um melhor aproveitamento deste mineral abundante em solo gaúcho e a implantação de um complexo voltado ao seu uso para os segmentos de energia e carboquímico, a Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), o Sindicato Nacional da Indústria de Extração de Carvão (Sniec) e o governo do Estado assinaram, ontem, um termo de cooperação técnica para o projeto do Complexo Integrado Carboquímico do Rio Grande do Sul.
Participaram o presidente da Fiergs, Heitor José Müller; o secretário de Minas e Energia, Lucas Redecker; o secretário do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Fábio Branco; e o presidente do Sniec, César Weinschenck de Faria. "Precisamos dar importância ao projeto. Há o interesse de investidores, inclusive estrangeiros, na área do carvão mineral no Estado", disse Müller.
Até fevereiro de 2017, a íntegra do estudo deve ser apresentada, dando oportunidade para que os empresários interessados na cadeia produtiva carboquímica iniciem as estratégias de negócios. "O estado do Rio Grande do Sul tem de se posicionar a favor do carvão, estamos fazendo isso desde o início desse governo. Precisamos atrair interessados, para que tenham segurança de investir aqui", comentou Redecker. "E a participação da Fiergs neste termo de cooperação traz credibilidade."
O carvão mineral é responsável apenas por 3,5% da atual matriz energética do País. Mas as opções por sua utilização vão além das usinas termelétricas e da produção de energia. Pode ser usado também como alternativa na produção química em substituição a produtos advindos do petróleo.

Governo cancela leilão de energia de reserva da próxima semana

O governo decidiu cancelar o leilão para contratação de energia de reserva marcado para o dia 19 de dezembro. Segundo o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Paulo Pedrosa, a realização da licitação não se justifica em um momento de excesso de energia no mercado. A projeção, de acordo com Pedrosa, é de uma sobra de 9 mil megawatts (MW) em 2020.
"Se fizéssemos, seria um leilão tão insignificante em termos de quantidade que não seria nem mesmo adequado ao mercado", disse Pedrosa.
Segundo ele, as projeções do governo para a demanda futura de energia consideravam um crescimento maior do consumo, que não se concretizou. "Essas estimativas foram ajustadas e isso infelizmente tornou ainda mais complexa a questão da sobrecontratação", afirmou.
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