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Porto Alegre, quinta-feira, 29 de dezembro de 2016. Atualizado às 21h03.

Jornal do Comércio

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Antônio Hohlfeldt

Teatro

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Notícia da edição impressa de 30/12/2016. Alterada em 29/12 às 18h06min

Entre tropeços, fomos adiante

Neste terceiro artigo que encerra o levantamento das programações da temporada de 2016, temos a destacar aspectos positivos e negativos. De mais positivo, certamente, é que, apesar de toda a crise brasileira, sul-rio-grandense e porto-alegrense, os produtores culturais mantiveram a coragem, a iniciativa e a criatividade. O resultado foi uma das temporadas quantitativa e qualitativamente mais positivas, no sentido da diversidade e da abertura de novos horizontes para a produção das artes cênicas.
No entanto, temos a registrar que a temporada assistiu a uma acelerada deterioração da infraestrutura dos espaços urbanos vinculados às artes cênicas em particular: a Usina do Gasômetro está abandonada. Fala-se em licitação para a sua recuperação, mas parece que isso se encontra num horizonte muito distante. Do mesmo modo o Teatro de Câmara, na Cidade Baixa. Equipamento idealizado como um espaço provisório, na década de 1970, resistiu bravamente até aqui e tudo indica que, bem cuidado, pode ainda permanecer prestando bons serviços.
No caso estadual, a situação é mais grave. Espaços como a Casa de Cultura Mario Quintana só não fecharam de vez graças à iniciativa de alguns dedicados "amigos" da instituição. O mesmo ocorre com o Theatro São Pedro. Quanto a esta instituição, o afastamento, ainda que - esperamos - provisório, de Eva Sopher, por motivos de saúde, deixa a todos preocupados. A Secretaria de Estado da Cultura, neste momento, praticamente inexiste. Por todo o Interior, vemos teatros históricos esperando oportunidade de retornar às atividades, como o Sete de Abril e o Guarany, ambos em Pelotas. Ao que parece, lá, uma nova prefeita tem afinidade e preocupação com as artes, o que deixa a todos esperançosos. Em Porto Alegre, a indicação de Luciano Alabarse como futuro titular da SMC também amplia o horizonte. O desafio, contudo, é que Alabarse seja capaz de montar equipe diversificada e articule financiamentos variados. E o histórico espaço do antigo Hospital São Pedro, no Partenon, simplesmente deu um pontapé nos grupos teatrais que lá atuavam... quem será mais louco - os moradores de lá, os atores ou as autoridades responsáveis por esta... insânia?
Em nível federal, em que pese alguns editais manterem apoios significativos para produções em todo o território nacional, a curiosidade paira sobre o novo orçamento proposto pelo governo Temer, de modo a manter tais apoios.
O ano de 2016 foi bastante movimentado, como se mostrou nas duas colunas anteriores. Também a dança teve um conjunto de espetáculos variado, a começar logo no início da temporada, com a estreia de Verde (in)tenso, já em março, a que se seguiram, dentre outros, Pra bailarina que eu não fui, em abril, no que toca a espetáculos locais, além de nova visita do Russian State Ballet, da Rússia; o grupo Qasar, de Brasília; Acuados, em produção local da Ânima Cia., iniciativa persistente e sempre admirável de Eva Schul, em maio; e o Grupo Corpo, em junho, com o brilhante Parabelo, uma de suas mais fantásticas criações, da trilha sonora à coreografia; além de Dança sinfônica, espécie de síntese de todas as suas criações.
Em julho tivemos a Cia. Ballet da Cidade de Niterói; o Balé do Chile nos visitou no mesmo mês e um Romeu e Julieta, de fora, em setembro. A temporada equilibrou-se entre a pesquisa contemporânea e o revigoramento da dança clássica, por exemplo, com o Lied Balé, em novembro, encerrando-se a temporada com o Festival de Dança que ocorreu na cidade, naquele mesmo mês.
O teatro de rua sobreviveu e realizou seu oitavo festival, em junho. O Festival de Teatro de Bonecos, de Canela, também teima em continuar suas promoções, além dos nossos sempre entusiasmados Porto Verão Alegre, na abertura de cada temporada, o Palco Giratório, do Sesc, e o Porto Alegre em Cena, da prefeitura municipal de Porto Alegre.
Por incrível que pareça, abriu um espaço novo na cidade, o auditório do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, graças à utopia de Júlio Zanotta e do presidente do Ihgrgs, Miguel Frederico do Espírito Santo, que é bastante persistente. Isso anima a gente e, portanto, vamos sair para outra.
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