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Porto Alegre, quinta-feira, 15 de dezembro de 2016. Atualizado às 20h35.

Jornal do Comércio

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Antônio Hohlfeldt

Teatro

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Notícia da edição impressa de 16/12/2016. Alterada em 15/12 às 16h26min

O que vimos no ano que finda - I

O ano que está se encerrando foi difícil. Mas, se faltou dinheiro e escassearam os patrocínios, não faltou criatividade e coragem. Infelizmente, porém, fechamos o ano com o falecimento do diretor e produtor mais longevo entre nós, Ronald Radde.
Iniciamos 2016 com a programação do Porto Verão Alegre: desta vez, a peça escolhida para receber apoio à produção foi Dona Flor e seus dois maridos, a partir do romance de Jorge Amado, com direção de Zé Adão Barbosa que não se satisfez apenas em dar vida própria ao texto baiano, quando rejuvenesceu-o, ao transformar o texto num musical, sem pagar qualquer crédito ao filme. Outras duas mostras, um Férias de Verão e o Festival de Dança patrocinado pela Secretaria Municipal de Cultura, completaram a movimentação dos meses de verão na cidade.
Tivemos ainda boas atrações com Os dois gêmeos venezianos, de Suzi Martinez, a partir de um original de Carlo Goldoni, e Não conta nada a ninguém, autoria e direção de Paulo Guerra, que deve ser igualmente destacado, ao lado de seus atores Áquila Mattos e Roger Santos. Lembremos que foi numa noite dessas apresentações, em que a atriz escalada estava doente, que caiu aquele tenebroso temporal que paralisou Porto Alegre por alguns dias. No mais, foram as reprises de sempre, mas que agradam ao público e evidenciam os seus preferidos.
Na temporada propriamente dita, seguir-se-iam espetáculos como Eu não dava praquilo, produção de fora do Estado, A dama dos evangelhos e Depois do amor - Um encontro com Marilyn Monroe, um equivocado espetáculo assinado por Marília Pêra, que nos deixara havia pouco. Neste mês, na verdade, o grande destaque foi O lugar escuro, texto de Heloísa Seixas, dirigido corajosamente por Luciano Alabarse, para as interpretações inesquecíveis de Sandra Dani, Vika Schabbach e Gabriela Poester. O tema e a linha contundente de direção tornaram este um dos melhores espetáculos do ano, tanto quanto deram destaque a seu diretor e elenco, além da iluminação preciosa de João Fraga e Maurício Moura, cenário do próprio Alabarse, mostrando cada vez sua maturidade e equilíbrio.
Ronald Radde acabaria se tornando a figura central do ano. Dele foi apresentada uma nova versão de Apaga a luz e faz de conta que estamos bêbados, sem que ninguém de nós pudesse imaginar que o grande diretor e produtor do Teatro Novo acabaria deixando a vida para fazer espetáculos em outra dimensão. Mas abril foi pródigo em desafios, com o texto da inglesa Sarah Kane dirigido por Eduardo Kraemer Cadarço de sapato ou ninguém está acima da redenção.
O espetáculo estreara no ano anterior, mas cumpriu uma mais longa temporada em 2016, com destaque para Renato Campão, que merecera o prêmio Açoriano de Melhor Ator, aliás, absolutamente justo. Tivemos outro espetáculo experimental interessante, Habitantes d'Ela, assinado por Renata de Lélis, que também atuava, a partir de dramaturgia de Maria Luiza Sá e Madureira. Tour de force que mostrou uma atriz pronta para novos voos. O mês se encerrou com um frustrante trabalho vindo de fora, Projeto Brasil, que deixou a desejar.
Maio, em compensação, foi inteiramente ocupado pelo 11º Festival Palco Giratório do Sesc, que, uma vez mais, apresentou trabalhos variados, de todos os cantos do País, mostrando a vitalidade de nossas artes cênicas. Neste ano, pela crise, tivemos mais espaço para espetáculo locais, o que foi muito bom. Mas o grande destaque, sem dúvida, foi Caranguejo overdrive, de Aquela Cia. de Teatro, do Rio de Janeiro, simplesmente impactante. O mês se encerrou com um Pequeno príncipe musical, a partir do texto de Antoine de Saint Éxupery, com direção de Néstor Monastério.
Para fechar o semestre, junho nos trouxe a comédia Homens desgovernados, reunindo mais uma vez Zé Victor Castiel, Rogério Beretta e Oscar Simch. De fora do Estado, visitou-nos um Medida por medida e Macbeth, simplesmente decepcionantes, porque pretensiosos, iniciativa de Thiago Lacerda, além do musical Alice, outra produção de fora, e dois espetáculos locais: O anexo secreto, que revisita a figura da menina Anne Frank assassinada pelos nazistas, e O casal Palavrakis, provocativo trabalho de Maurício Casiraghi, baseado em texto da dramaturgia espanhola contemporânea.
Ah, sim, neste mês também tivemos o Festival de Teatro de Rua, iniciativa importante e tradicional entre nós.
Estamos na metade do ano e meu espaço acabou. Até a próxima semana.
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