Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, terça-feira, 27 de dezembro de 2016. Atualizado às 21h44.

Jornal do Comércio

Colunas

COMENTAR | CORRIGIR
Edgar Lisboa

Repórter Brasília

Notícia da edição impressa de 28/12/2016. Alterada em 27/12 às 20h58min

Acaba, 2016

Corre na internet um "meme internacional", que transcende línguas, e simples: "acaba, 2016". A frase, normalmente justaposta a uma figura, mostra o "zeitgeist", espírito do tempo, que o ano que termina neste fim de semana representa. O "meme" serve bem à Câmara dos Deputados. A casa legislativa teve um ano digno de esquecimento. O que houve em 2016 esteve mais para o vergonhoso que o digno. Os números não mostram o quadro. A Câmara aprovou 309 propostas em 2016. Foram 118 aprovações no Plenário - 4 Propostas de Emenda à Constituição (PECs); 42 Medidas Provisórias (MPs); 41 projetos de lei; dois projetos de lei complementar; 23 projetos de decretos legislativos; e 6 projetos de resolução -, além de 191 proposições, em caráter conclusivo, na Comissão de Constituição de Justiça e de Cidadania (CCJ).
A cara dos deputados
O Annus Horribilis (é uma frase latina, que significa ano horrível) da Câmara começou no dia 17 de abril. O então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu que a sessão que autorizou o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) seria feita num domingo e transmitida ao vivo. A Esplanada dos Ministérios era um símbolo do Brasil do momento. Um muro dividia aqueles vestidos de vermelho e daqueles de verde amarelo. Telões foram montados para que os manifestantes dos dois lados acompanhassem a votação. O que se viu foi patético. A maior parte dos deputados passou vergonha. Os discursos, ora bobos, ora absurdos, mostravam a qualidade da representação política no Brasil.
Comando acéfalo
Pouco menos de um mês depois, o Supremo Tribunal Federal determinou o afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara. Assim começou a novela que deixou a Câmara acéfala por cinco meses. O vice-presidente Waldir Maranhão (PP-MA) entrou no lugar de Cunha em maio, tentou anular o impeachment, voltou atrás e assim perdeu a confiança dos deputados. Entre o começo de maio e a metade de setembro, não foi feito nada. A revolta dos deputados com Maranhão parou a tramitação de diversos projetos. O impasse só foi resolvido em julho, quando Cunha renunciou, pavimentando a eleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) como presidente-tampão.
O novo fantasma
Ao mesmo tempo, o que se convencionou de chamar de "tropa de choque" de Eduardo Cunha tentou manobrar de qualquer jeito para evitar a votação da cassação do então presidente da Câmara. O ex-todo poderoso, que chegou a ter uma bancada própria com mais de 100 deputados, era um fantasma.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia