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Porto Alegre, segunda-feira, 28 de novembro de 2016. Atualizado às 21h43.

Jornal do Comércio

Opinião

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Editorial

Notícia da edição impressa de 29/11/2016. Alterada em 28/11 às 19h45min

Amado e odiado, Fidel Castro marcou o século XX

Desde o pedido de orações feito pelo Papa Francisco até os festejos de exilado cubanos e seus descendentes em Miami, nos Estados Unidos (EUA), a morte de Fidel Castro foi notícia pelo mundo, e assim ficará até que suas cinzas percorram a ilha caribenha, nos nove dias de luto decretados pelo seu irmão, o presidente Raúl Castro. Fidel Alejandro Castro Ruz morreu aos 90 anos em Havana, cidade que tomou em 1959, aos 32 anos.
A morte do ditador provocou reações antagônicas, compatíveis com a controvérsia que marcou sua trajetória. Os cubanos mais jovens reagiram com indiferença à morte do homem que deixou o poder em 2006, após sobreviver a uma enfermidade. Fidel morreu no mesmo dia em que o barco Granma saiu em 1957 do México com o grupo de guerrilheiros, entre eles o médico Ernesto Che Guevara, para dar início à revolução. Ele exerceu o poder absoluto, que passou para Raúl em 31 de julho de 2006. Em fevereiro de 2008, Fidel renunciou definitivamente à presidência de Cuba e quase três anos depois, em abril de 2011, desligou-se da liderança do Partido Comunista. Fidel chegou a ser o governante em exercício por mais tempo no mundo. Sob seu comando, nasceram 70% dos 11 milhões de cubanos.
Ao instalar um regime comunista a 150 quilômetros dos EUA, o líder cubano despertou amor e ódio. Foi considerado por alguns um símbolo da soberania latino-americana e de justiça social. Por outros, um ditador megalomaníaco e cruel. Fidel enfrentou 11 presidentes norte-americanos, a invasão - repelida - da Baía dos Porcos pela CIA em 1961, a Crise dos Mísseis e o embargo econômico. Sobreviveu também à queda do Muro de Berlim e à desintegração da União Soviética. Ele e seus companheiros destituíram o corrupto presidente Fulgencio Baptista em 1959, quando a ilha era um grande cassino com bordeis para turistas abastados, tanto dos Estados Unidos da América (EUA) como da Europa e alguns países da América Latina. Após a entrada triunfal em Havana, Fidel foi endeusado, principalmente pelos jovens, em quase todo mundo. Era um herói libertador. Logo após foi aos Estados Unidos, que acabaram por aceitar o fim de um governo absolutamente corrupto, de Baptista, e o qual havia sido apoiado por Washington.
Mas, a complacente atitude seria encerrada quando Fidel Castro e seus companheiros, no governo, desapropriaram, sem nada pagar, 167 empresas norte-americanas instaladas em Cuba. Mesmo que fosse a prova da total estrutura estrangeira nos negócios cubanos, era impensável para Wall Street perder tudo sem qualquer compensação. Daí sobreveio o bloqueio econômico de Cuba, com os EUA proibindo qualquer negócio com o regime de Fidel Castro que perdura até hoje, embora a reaproximação iniciada por Barack Obama e Raúl Castro, no final de 2014, quando "El Comandante" Fidel, por motivos de saúde, já havia deixado a presidência do país.
Com o Brasil de Juscelino Kubistchek e João Goulart e, depois, com Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e, mais ainda, com Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff houve uma aproximação inimaginável anos antes, pelo regime instalado em Cuba e execrado pela maioria dos países ocidentais.
O que se quer saber agora é como ficarão as relações de Cuba com s Estados Unidos de Donald Trump, que nunca mostrou qualquer simpatia pelo regime cubano, o qual, não pode negar, teve avanços significativos na educação e na saúde, mas, talvez pelo longo e até hoje vigente bloqueio, falhou no quesito economia. Assim mesmo, miséria, fome absoluta e insegurança pública foram tirados do cotidiano dos cubanos. Com Donald Trump, Cuba deve mudar para a aproximação continuar.
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