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Porto Alegre, quarta-feira, 23 de novembro de 2016. Atualizado às 23h53.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 24/11/2016. Alterada em 23/11 às 21h34min

Modelo de governar de Donald Trump pode ajudar o Brasil

A Parceria Transpacífica (TPP, na sigla em inglês), aceita pelo atual presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Barack Obama, será cortado por Donald Trump, quando assumir a Casa Branca, em 20 de janeiro de 2017. Essa foi a promessa do novo presidente, muito polêmico em suas declarações eleitorais. Pelo visto, em boa parte serão mesmo cumpridas. Porém, o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Sérgio Amaral, acredita que o impacto direto da eleição do republicano tende a ser pequeno para o Brasil. Para ele, o País não é parte da 'ameaça exterior' que em boa parte explica a vitória do empresário americano. Aliás, como Trump quer fazer um governo 'pró-negócios', pode estar aí uma boa oportunidade para o nosso País.
De qualquer forma, Trump alcançou um feito impressionante, pois mudou para sempre a política norte-americana, e o seu imutável bipartidarismo que a marca desde o século XIX. Para alguns analistas políticos, Trump catalisa o que há de pior, mas desperta o sistema de seu torpor. É que nunca houve um republicano como Trump e jamais a democracia americana, em seus 240 anos de existência, experimentou um ciclo eleitoral marcado por tamanha explosão de sentimentos de xenofobia, mesclados a denúncias contra o candidato e seus apoiadores, de ataques verbais e físicos a mulheres, negros, latinos, deficientes físicos, gays, estrangeiros e outros grupos minoritários. Se alguém saiu perdendo no processo, segundo parte da imprensa nova-iorquina, foi a própria ideia, defendida com orgulho igualmente por democratas e republicanos, da 'excepcionalidade da democracia americana'.
O trumpismo é resultado da sensação de desilusão de parcela significativa da classe média baixa americana, certa de que seus males são diretamente ligados à globalização e ao livre mercado. Se os números da economia estão sensivelmente melhores dos que existiam nas eleições de 2004, 2008 e 2012, com desemprego a 4,9% e 161 mil novos de empregos criados em outubro, a desigualdade social segue acelerada e alimentou o discurso populista nos dois extremos da política ianque.
Trump conquistou os votos rurais e dos bolsões de áreas da velha indústria que seguem em depressão desde a migração de postos de emprego para a Ásia e a parceria econômica com o México. Enquanto Hillary teve de absorver em seu plano de governo temas caros ao socialismo ianque, como universidade subsidiada pelo Estado, maior carga tributária aos mais ricos e um controle mais rígido de Wall Street, Donald Trump usou a exposição na mídia para alavancar seus negócios e estabelecer uma ligação direta com os eleitores à direita de uma maneira que o Partido Republicano não via desde George W. Bush.
Trump jamais exerceu cargo político e venceu de forma tão surpreendente quanto avassaladora as primárias republicanas, unindo os ultraconservadores de direita galvanizados pelos movimentos anti-Obama, como o Tea Party, novamente assanhado pelas altas recentes nos preços dos planos de saúde, resultado mais controverso da reforma do sistema de saúde do presidente democrata, a grupos ultranacionalistas, brancos supremacistas, libertários contrários a qualquer tipo de ingerência do Estado em suas vidas, combatentes de programas sociais voltados para minorias sociais e étnicas e cultores do velho sentimento federalista anti-Washington e anti-establishment, cujo representante óbvio nas eleições foi Hillary Clinton. Todos decididos a, como cunhou Trump no slogan marcante dessas eleições, em tradução literal, 'Fazer a América grande uma vez mais'.
 
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