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Porto Alegre, quarta-feira, 30 de novembro de 2016. Atualizado às 00h03.

Jornal do Comércio

Economia

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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 30/11/2016. Alterada em 29/11 às 22h20min

Fumicultores têm renda maior que média nacional

Ganho mensal dos produtores de tabaco do Sul é de R$ 6.608,70

Ganho mensal dos produtores de tabaco do Sul é de R$ 6.608,70


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Guilherme Daroit
A renda mensal familiar dos produtores de tabaco da região Sul é de R$ 6.608,70. Quando dividida por pessoa, os vencimentos chegam a R$ 1.926,73 por mês, valor acima da renda nacional per capita média, que é de R$ 1.113,00. Os dados são de pesquisa Perfil Socioeconômico do Produtor de Tabaco da Região Sul, encomendada pelo Sindicato da Indústria do Tabaco da Região Sul (Sinditabaco) à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs).
"Queremos mostrar o que é, de verdade, o produtor, e não o que é dito", justifica o presidente do sindicato, Iro Schünke. O dirigente elenca pobreza, submissão e falta de alternativas entre os rótulos associados aos produtores. Schünke ainda argumenta que a pesquisa, inédita, foi encomendada à Ufrgs pela credibilidade da instituição, "o que não dá margem para contestações", afirma o presidente. A pesquisa foi realizada com 1.145 produtores dos três estados da região, com margem de erro de 2,9%.
Dentre as questões de renda, o coordenador da pesquisa, professor Luiz Antonio Slongo, salienta que quem menos fatura entre os produtores são aqueles que plantam apenas o tabaco. A renda familiar destes é de R$ 4.601,65. "Por outro lado, a maior renda é a dos produtores que realizam também outras atividades agrícolas, na casa dos R$ 7.836,40", conta o pesquisador. A informação é avaliada por Schünke como positiva, tanto pela surpresa com relação ao nível dos rendimentos quanto pelo número de produtores que consorciam o tabaco com outras atividades, que beira os 50%.
Levando-se em conta este dado e outros indicadores, como as propriedades, os eletrodomésticos e o acesso à informação, a pesquisa conclui que, entre os produtores de tabaco, 80,4% estão nos estratos sociais A, B1 ou B2. As categorias são definidas pelo novo Critério Brasil de Classificação Econômica, elaborado em 2013. Pelos mesmos critérios, a maior parte da população brasileira, 78,5%, se encontra nas outros estratos, que vão de C1 a D. "Há uma inversão do que é visto no Brasil. Entre os produtores, em comparação com a população em geral, há o dobro da massa no estrato A, e quatro vezes mais no estrato B2, por exemplo", analisa Slongo.
Analisado por estados, também vê-se as diferenças regionais na fumicultura. Os maiores vencimentos mensais são os vistos em Santa Catarina, onde os produtores têm renda média de R$ 7.773,04, seguidos pelos paranaenses, que têm faturamento médio de
R$ 6.804,36. A menor renda é a dos gaúchos, que é de R$ 5.751,46. Segundo Schünke, o motivo para a discrepância é a falta de infraestrutura no Rio Grande do Sul. Embora a pesquisa mostre que 100% dos produtores possuem energia elétrica, o presidente ressalta que, em solo gaúcho, a maior parte da rede é monofásica, ao contrário dos estados vizinhos. Isso complicaria a geração de renda pela impossibilidade de agregar atividades ou mesmo melhorar a qualidade do tabaco vendido à indústria.
Além disso, a pesquisa mostra que apenas 3,4% dos gaúchos têm estradas pavimentadas (índice que chega a 24,8% no Paraná e 14% em Santa Catarina). "Felizmente, já vemos que 50% dos produtores têm acesso a internet, mas ainda falta a outra metade, que é muito importante para que os jovens permaneçam no campo", continua Schünke. Mesmo com uma média de apenas 0,86 menor de idade por família produtora, 73,3% das famílias afirmam ter um sucessor para a propriedade.
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